BBDC4 e ITUB4 batem recordes, enquanto BBAS3 corrige; até onde bancos podem ir?
Bradesco e Itaú renovaram máximas após o 1º turno, enquanto Banco do Brasil devolve parte do rali; gráficos mostram os próximos níveis para as ações The post BBDC4 e ITUB4 batem recordes, enquanto BBAS3 corrige; até onde bancos podem ir? appeared first on InfoMoney .

A forte valorização das ações de bancos depois do primeiro turno das eleições levou alguns dos principais papéis do setor a níveis técnicos que não eram vistos até então. Bradesco ( BBDC4 ) e Itaú Unibanco ( ITUB4 ) renovaram suas máximas históricas, enquanto Banco do Brasil ( BBAS3 ) , depois de avançar cerca de 11% na segunda-feira (5), iniciou um movimento de realização na sessão seguinte.
Os gráficos ainda preservam uma configuração predominantemente positiva, mas o avanço acelerado também trouxe um novo elemento para o curto prazo: o distanciamento das médias móveis e indicadores de força relativa em região de sobrecompra , principalmente em BBDC4 e ITUB4 .
Esse movimento ocorre justamente quando o J.P. Morgan revisa sua visão para as ações financeiras brasileiras. Em relatório divulgado em 6 de outubro , a instituição afirma que a alta recente levou boa parte dos ativos de sua cobertura a acumular ganhos de aproximadamente 15% a 30% em relação ao fechamento da sexta-feira anterior , ante avanço próximo de 12,5% do EWZ , ETF que acompanha ações brasileiras negociadas nos Estados Unidos.

O banco também reduziu em aproximadamente 1,5 ponto percentual a premissa de custo de capital próprio para grande parte das empresas acompanhadas, refletindo a queda da curva brasileira de dez anos de cerca de 14,4% para 13% . Segundo o relatório, essa mudança explica parcela relevante das revisões nos preços-alvo.
Para os bancos, no entanto, o J.P. Morgan mantém alguma cautela com os fundamentos. A instituição reduziu em cerca de 2% a 3% suas estimativas de lucro por ação para 2027 na maior parte do setor e destaca que provisões maiores ainda representam um risco para os resultados.
Nesse cenário, o banco de investimento tomou posições diferentes para os três papéis analisados: rebaixou BBAS3 para Underweight, elevou BBDC4 para Overweight e manteve ITUB4 em Overweight , com preços-alvo para dezembro de 2027 de R$ 23, R$ 26 e R$ 60 , respectivamente.

Entre os três grandes bancos analisados, Banco do Brasil ( BBAS3 ) é o que já apresenta de forma mais clara um movimento de realização.
O papel começou 2026 testando a região de R$ 27,43 , mas não conseguiu sustentar o avanço e passou a formar uma tendência de baixa que levou a ação até R$ 17,69 , mínima do ano.
A partir desse patamar, BBAS3 iniciou uma recuperação relevante. O movimento ganhou tração no fim de agosto, levou o preço novamente para cima das médias móveis e, depois de um período de consolidação em setembro, voltou a acelerar no encerramento do mês.

Na segunda-feira (5), a ação teve uma alta próxima de 11% , aproximando-se novamente das máximas do ano. Na sessão seguinte, no entanto, surgiu uma realização mais forte: BBAS3 recuou 6,57% , para R$ 24,60 , após oscilar entre R$ 24,37 e R$ 26,29 .
Apesar da queda, a estrutura técnica ainda não foi desmontada. O papel permanece acima das médias de curto e médio prazo. Pelo gráfico diário, a média de 9 períodos aparece próxima de R$ 23,64 , enquanto a de 21 períodos está em torno de R$ 22,77 e a de 200 períodos na região de R$ 21,87 .
O IFR (14) caiu para 63,15 pontos , retirando o ativo da situação mais pressionada observada durante a aceleração anterior. Diferentemente de Bradesco e Itaú, portanto, BBAS3 já passou por parte do processo de acomodação técnica.

Na parte superior, o papel precisa inicialmente recuperar R$ 27,43 . O rompimento dessa região recoloca no radar a máxima histórica em R$ 28,83 . Acima dela, as projeções técnicas indicam possíveis objetivos em R$ 30,37 , R$ 32,54 , na faixa de R$ 34,71/R$ 35,38 e, em um movimento mais longo, próximo de R$ 36,00 .
Para baixo, a mínima recente em R$ 24,37 passa a ser a primeira referência. A perda desse nível pode levar o papel novamente para R$ 23,78 e, posteriormente, para a região das médias.
Abaixo delas, os suportes mais importantes aparecem em R$ 21,18 , R$ 18,89 e na mínima anual de R$ 17,69 . Enquanto essas regiões mais profundas forem preservadas, uma correção em direção às médias ainda pode ser interpretada como um ajuste dentro da recuperação iniciada no fundo de agosto.

O cenário técnico de recuperação contrasta com a visão fundamentalista do J.P. Morgan.
No relatório de 6 de outubro, a instituição rebaixou BBAS3 de Neutral para Underweight e estabeleceu preço-alvo de R$ 23 para dezembro de 2027 .
Segundo o J.P. Morgan, apesar de o papel negociar próximo de 0,8 vez o valor patrimonial , o Banco do Brasil ainda enfrenta desafios ligados à qualidade da carteira do agronegócio, rentabilidade e capital. A instituição afirma ainda que a recuperação pode levar alguns anos e vê menor atratividade relativa no papel diante de outras alternativas do setor.

O relatório aponta ainda que BBAS3 havia acumulado cerca de 50% de valorização desde 15 de agosto antes da revisão. O banco reduziu suas projeções para o resultado da companhia e destacou riscos associados à qualidade dos ativos do agronegócio e à evolução do retorno sobre patrimônio.
O quadro técnico de Bradesco ( BBDC4 ) é diferente. Aqui, a tendência compradora ainda está em plena aceleração.
No início de 2026, R$ 21,33 representava a máxima histórica do papel. Depois de alcançar essa região, BBDC4 entrou em um canal de baixa que levou a cotação até R$ 15,66 , mínima anual.

A recuperação começou a partir desse fundo e gradualmente levou o preço novamente para as médias móveis. Depois de consolidar durante boa parte de setembro, a ação rompeu a linha superior do canal de baixa e recuperou a resistência de R$ 19,24 .
A aceleração veio após o primeiro turno. Na segunda-feira (5), BBDC4 disparou 13,57% e rompeu com força a antiga máxima histórica de R$ 21,33 . Na sessão seguinte, avançou outros 3,89% , fechando em R$ 22,69 e registrando uma nova máxima histórica em R$ 23,00 .
O rompimento deixa o papel em território de preços inéditos, uma característica tecnicamente positiva. Ao mesmo tempo, porém, o tamanho e a velocidade da alta exigem atenção.
BBDC4 está bastante afastada de suas médias móveis. A média de 9 períodos aparece próxima de R$ 19,78 , enquanto a de 21 períodos está em torno de R$ 18,58 e a de 200 períodos em R$ 18,38 .
O IFR (14) alcançou 84,32 pontos , bem acima da linha de 70 normalmente associada à região de sobrecompra. Isso não representa, isoladamente, um sinal de reversão, mas mostra que o movimento está bastante esticado e aumenta a possibilidade de realização ou consolidação no curto prazo.
Com R$ 22,30/R$ 22,65 já superados durante o avanço, os próximos alvos projetados passam a aparecer em R$ 24,43 , R$ 25,11 e, em uma extensão maior do movimento, R$ 26,25 .
No lado corretivo, a primeira referência está na mínima da última sessão, em R$ 22,14 . Depois aparecem R$ 21,83 , R$ 20,76 e a antiga resistência de R$ 19,24 , que passa a ter importância como suporte.
Abaixo disso, ganham relevância a média de 200 períodos, próxima de R$ 18,38 , seguida por R$ 17,47 e pela mínima anual de R$ 15,66 . Uma realização até regiões intermediárias ainda seria compatível com a tendência atual; a perda das zonas mais profundas exigiria uma reavaliação da estrutura.
Ao contrário do Banco do Brasil, o J.P. Morgan ficou mais construtivo com Bradesco depois da alta recente.
A instituição elevou BBDC4 de Neutral para Overweight e aumentou o preço-alvo de R$ 22 para R$ 26 para dezembro de 2027 .
Segundo o relatório, embora o ambiente operacional de curto prazo ainda inspire cautela, o banco vê uma configuração mais favorável de recuperação para o Bradesco e avalia que parte relevante dos desafios já está incorporada à cotação. O J.P. Morgan também destaca uma situação de capital relativamente mais confortável e avalia positivamente o processo de reconstrução patrimonial da instituição.
O banco ressalta, contudo, que a revisão do preço-alvo veio essencialmente da redução do custo de capital, e não de uma melhora relevante nas projeções de lucro de curto prazo.
O Itaú Unibanco ( ITUB4 ) apresenta uma configuração semelhante à do Bradesco em termos de força, mas com um histórico técnico um pouco diferente.
No início do ano, o papel havia registrado máxima histórica em R$ 48,81 . Depois disso, entrou em um canal de baixa que levou as ações até R$ 37,32 , mínima de 2026.
A recuperação iniciada nessa região permitiu ao papel recuperar as médias móveis e, posteriormente, romper a linha de tendência de baixa que limitava os avanços desde o primeiro trimestre.
Depois de passar boa parte de setembro em consolidação, ITUB4 voltou a acelerar. Na segunda-feira (5), subiu 10,37% . Na sessão seguinte, avançou outros 1,92% , para R$ 50,43 , depois de alcançar uma nova máxima histórica de R$ 50,85 .
Assim como ocorre com Bradesco, porém, o avanço levou o papel a uma condição técnica bastante esticada.
A média móvel de 9 períodos aparece próxima de R$ 45,72 , enquanto a de 21 períodos está em torno de R$ 43,39 e a de 200 períodos em aproximadamente R$ 41,95 . A distância entre o preço atual e essas referências evidencia a intensidade da arrancada recente.
O IFR (14) está em 82,54 pontos , também em região de sobrecompra. A leitura continua positiva enquanto o papel permanecer acima das principais referências técnicas, mas o indicador reforça a possibilidade de realizações após a forte valorização.
Para continuar renovando máximas, ITUB4 precisa superar R$ 50,85 . Acima dessa região, os primeiros objetivos aparecem entre R$ 51,00 e R$ 51,85 . Na sequência, as projeções apontam para R$ 54,26 , R$ 55,00 e R$ 56,70 .
Em uma eventual correção, a primeira referência está em R$ 49,73 , mínima da última sessão. Logo abaixo, R$ 48,81 , antiga máxima histórica, ganha importância como suporte.
Na sequência aparecem R$ 47,00 , R$ 45,23 , R$ 43,15 e R$ 41,50 . Uma correção até essas faixas pode aliviar o IFR e reduzir o distanciamento em relação às médias; a perda sucessiva desses níveis, por outro lado, tornaria o movimento corretivo progressivamente mais relevante.
No caso de Itaú, o J.P. Morgan manteve recomendação Overweight e elevou o preço-alvo de R$ 51 para R$ 60 para dezembro de 2027 .
Segundo o relatório, o Itaú continua se destacando pela qualidade da franquia, pelo nível de capital e pelo retorno sobre patrimônio superior ao de pares. Para o J.P. Morgan, se houver um ambiente mais construtivo para o setor bancário, ITUB4 é o banco mais bem posicionado para capturar crescimento .
A instituição também reconhece que a avaliação do papel já é mais exigente do que a de alguns concorrentes. Ainda assim, cita a capacidade de geração de retorno, a posição de capital e a exposição a atividades de mercado de capitais entre os fatores que sustentam a recomendação.
A fotografia técnica dos três bancos, portanto, não é exatamente a mesma.
Bradesco apresenta hoje o movimento mais agressivo , depois de romper a antiga máxima histórica e alcançar R$ 23,00 , mas também carrega o maior IFR do grupo, em 84,32 pontos .
Itaú também negocia em máxima histórica , preserva uma estrutura de alta bastante clara e tem o respaldo da visão mais favorável do J.P. Morgan entre os três grandes bancos analisados. O IFR em 82,54 , entretanto, evidencia que o movimento de curto prazo também está esticado.
Já Banco do Brasil passou por uma realização mais forte . O IFR caiu para 63,15 , e o papel se aproxima mais de suas referências técnicas depois da alta explosiva da segunda-feira. Ao mesmo tempo, é justamente BBAS3 o ativo sobre o qual o J.P. Morgan adotou a postura mais cautelosa, com recomendação Underweight e preço-alvo abaixo da cotação observada antes da correção.
O resultado é um cenário em que a tendência técnica ainda favorece os compradores, sobretudo em Bradesco e Itaú, mas o risco de realizações aumentou significativamente depois da velocidade da alta .
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