BBA reduz projeções para bancos e rebaixa Nubank; Bradesco é único bancão com compra
Logotipo do Nubank nesta ilustração tirada em 27 de novembro de 2025 REUTERS/Dado Ruvic " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/06/2026-06-02T160254Z_1_LYNXMPEM511C8_RTROPTP_4_NUBANK-RESULTS.jpg?fit=1280%2C853&quality=70&strip=all" />Analistas reforçaram sua preferência por empresas ligadas ao mercado de capitais, como B3 (B3SA3), BTG Pactual (BPAC11) e XP (BDR: XPBR31), em detrimento a bancos tradicionais The post BBA reduz projeções para bancos e rebaixa Nubank; Bradesco é único bancão com compra appeared first on InfoMoney .

Logotipo do Nubank nesta ilustração tirada em 27 de novembro de 2025 REUTERS/Dado Ruvic
O Itaú BBA trouxe uma revisão mais cautelosa para o setor bancário brasileiro, com cortes de estimativas para 2027 e um rebaixamento de recomendação para o Nubank (BDR: ROXO34 ). Embora a equipe de analistas afirme não ver preocupações imediatas com a qualidade de crédito, o cenário para os próximos anos passou a inspirar maior cautela diante da perspectiva de desaceleração econômica, menor estímulo fiscal e social e possíveis pressões inflacionárias associadas à alta recente de commodities e do petróleo.
Nesse contexto, o Itaú BBA decidiu reduzir suas projeções para a maior parte dos bancos sob cobertura e reforçou sua preferência por empresas ligadas ao mercado de capitais, como B3 ( B3SA3 ), BTG Pactual ( BPAC11 ) e XP (BDR: XPBR31 ), em detrimento a bancos tradicionais.

A principal mudança do relatório foi o rebaixamento do Nubank de Outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para Market Perform (desempenho em linha com o mercado, equivalente à neutra). O Itaú BBA também reduziu seu preço-alvo para o fim de 2027 para US$ 18 por ação para a ação negociada na Bolsa de Nova York, ante US$ 20 anteriormente.
Segundo os analistas, embora a fintech continue sendo vista como uma vencedora de longo prazo e deva apresentar resultados sólidos no curto prazo, o ritmo de crescimento dos resultados tende a desacelerar em 2027. O banco cita um ambiente potencialmente mais desafiador para o consumidor brasileiro, a redução dos estímulos governamentais, o amadurecimento da carteira de crédito pessoal e a expansão das operações nos Estados Unidos, que deve exigir investimentos adicionais.
Outro fator que entrou no radar foi a possibilidade de o Banco Central adotar medidas macroprudenciais voltadas a linhas de crédito de maior custo para as famílias, o que poderia afetar parte relevante da operação da companhia. Diante desse cenário, o Itaú BBA reduziu em 8% suas estimativas de lucro para 2027 e passou a trabalhar com projeções cerca de 15% abaixo do consenso de mercado.

Bradesco passa a ser a principal escolha
Com a mudança, o Bradesco ( BBDC4 ) tornou-se o único grande banco brasileiro com recomendação outperform na cobertura do Itaú BBA. Os analistas veem a instituição oferecendo a melhor relação risco-retorno do setor, negociada a cerca de 1,1 vez valor patrimonial e 7 vezes lucro projetado para 2026.
Apesar de pequenos ajustes negativos em suas projeções de lucro, o banco acredita que o Bradesco apresenta sinais crescentes de melhora operacional tanto no varejo quanto no segmento corporativo. A visão também é sustentada pelo desempenho da área de seguros, que responde por mais de 40% dos lucros do grupo e deve continuar crescendo em ritmo de dois dígitos.

O Itaú BBA manteve preço-alvo de R$ 22 para as ações e afirmou que o mercado ainda concede pouco benefício da dúvida à instituição, abrindo espaço para uma reprecificação positiva caso a entrega operacional continue evoluindo.
Para o Banco do Brasil ( BBAS3 ), as mudanças foram mais limitadas. O Itaú BBA manteve projeções relativamente conservadoras para provisões, mas destacou que a principal fonte de incerteza continua sendo a carteira do agronegócio.
Além disso, os analistas chamaram atenção para a deterioração recente na inadimplência do varejo. O índice de atraso acima de 90 dias entre pessoas físicas avançou para 8,41%, enquanto a inadimplência em cartões de crédito atingiu 14,6%. A administração do banco trabalha com custo de risco abaixo de 5% em 2027 e perto de 3,5% no longo prazo.

Crédito ainda não preocupa, mas riscos aumentam
Embora o mercado tenha demonstrado preocupação crescente com a qualidade das carteiras de crédito, o Itaú BBA argumenta que parte da deterioração observada nos indicadores agregados decorre de fatores técnicos e estruturais.
Entre eles, o banco destaca mudanças nas regras de baixa de créditos inadimplentes, que aumentaram artificialmente os índices de atraso divulgados pelo Banco Central, e a maior participação de fintechs e bancos digitais no sistema. Como essas instituições operam com níveis de inadimplência mais elevados que os grandes bancos tradicionais, a expansão de suas carteiras acaba elevando os indicadores consolidados do mercado.

Na avaliação dos analistas, os grandes bancos privados seguiram mostrando melhor comportamento de crédito do que o sistema financeiro como um todo. Por isso, o cenário-base do Itaú BBA continua sendo de um “pouso suave” para a qualidade dos ativos, sem deterioração relevante no curto prazo.
Ainda assim, a casa alerta que o ambiente para 2027 tende a ser menos favorável, com crescimento econômico mais lento, menor suporte fiscal ao consumo e potenciais pressões inflacionárias vindas da alta de commodities, fatores que justificaram a revisão mais conservadora para o setor bancário brasileiro.
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Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/mercados/itau-bba-reduz-projecoes-para-bancos-e-rebaixa-nubank-bradesco-e-unico-bancao-com-compra/.

Foto: InfoMoney
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