Batalhão Bravo da PM anunciado às vésperas da eleição em SP opera sem efetivo próprio e comandante fixo
Anunciado pelo governo de São Paulo como um batalhão policial voltado a combater roubos e furtos , o Bravo opera sem efetivo próprio e comandante fixo, sem sede formal e sem decreto que formalize a sua atuação, ao contrário do que ocorre nos demais batalhões da Polícia Militar . Leia mais (10/02/2026 - 12h00)

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Anunciado pelo governo de São Paulo como um batalhão policial voltado a combater roubos e furtos , o Bravo opera sem efetivo próprio e comandante fixo, sem sede formal e sem decreto que formalize a sua atuação, ao contrário do que ocorre nos demais batalhões da Polícia Militar .

A medida foi divulgada a menos de duas semanas das eleições, quando o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) buscará um novo mandato. A equipe atuou até esta quinta-feira (1º), adota uma pausa no fim de semana do pleito e retorna na segunda-feira (5).
O Bravo, sigla para Batalhão de Resposta Avançada Operacional, atua com duplas de policiais em motocicletas, parte deles portando fuzis. A unidade é formada por uma junção de policiais de diferentes tropas, somando 250 agentes e 150 motos, além de viaturas de apoio.
O trabalho é feito por policiais de unidades como o 2º Batalhão de Choque, com experiência em motos e referência em escoltas e grandes eventos, além de outros batalhões especializados e de área, cuja finalidade original é realizar o patrulhamento nos bairros .

"É um batalhão matricial, um batalhão modular. Então, não tem necessidade de criação por decreto nem por nenhuma regulamentação que não seja interna da corporação, por uma ordem de operações. Não é um batalhão territorial", disse à Folha o coronel Alexandre Vilariço, comandante da Coordenadoria Operacional da PM e que toma a decisão de onde empregar o Bravo.
O oficial explicou que a PM tem outras unidades do tipo, a exemplo dos batalhões acadêmicos e administrativos. "Esses batalhões são montados para uma atividade específica."
O Bravo, segundo o governo, foi criado como uma operação para conter roubos e furtos de celulares e alianças em São Paulo, prática que se pulverizou do centro para outras regiões .

"Lógico, o policial tá passando em qualquer local, ele pode atender qualquer tipo de ocorrência, roubo a uma farmácia, acidente de trânsito, mas o foco principal é esse."
No Bravo, não há comandante fixo, mas variável conforme o bairro em que a unidade atua. "Nada melhor do que o comandante do local, comandante do batalhão territorial, [que] conhece a sua área", acrescentou o coronel.
De acordo com Vilariço, a 1ª companhia do Bravo é formada por motos do policiamento de trânsito e do 2º Choque. A 2ª companhia reúne policiais de motos lotados no 7º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), no centro da capital, e a 3ª conta com agentes das Rocams dos bairros.

A função mais específica, que inclui o uso de fuzil e o acesso a áreas com indicadores criminais mais altos, fica a cargo do 2º Batalhão de Choque e do Baep.
Na visão de Vilariço, bairros não ficam descobertos em razão do remanejamento de tropas para as atividades.
O pesquisador em segurança pública Adilson Paes Souza, tenente-coronel aposentado da PM paulista, avalia como positiva a ideia de dois policiais em uma única moto, mas diz que ela precisa ser aperfeiçoada e ter efetivo próprio.
"PM na garupa? Parece uma boa ideia. Com fuzil? Não é boa ideia. Muito perigoso para os próprios PMs e para os transeuntes", disse.
A intenção de atuar contra crimes patrimoniais, pondera, pode não ser alcançada com esse modelo de patrulhamento. "Achar que vai reduzir roubo e furto de celulares porque um PM usa fuzil? Não é crível. O que reduz a prática de delitos são: ação preventiva e ostensiva e, principalmente, investigação, identificação dos criminosos, processo, condenação. Tudo rápido. E é o que não existe. A certeza da impunidade impera."
O coronel reformado da PM paulista José Vicente da Silva Filho, membro do Instituto Brasileiro de Segurança Pública, chamou o novo batalhão de "coisa improvisada".
"Juntaram um conjunto de letras. Nunca vi algo como isso em 60 anos de polícia. É um batalhão fantasma. Virtual. O que fizeram foi um arranjo com motociclistas de outros batalhões desfalcando o patrulhamento."
Silva Filho lembrou que ações similares já foram adotadas no Rio de Janeiro e em estados do Nordeste. "Não vejo [como] solução para nada. O que vejo nesse caso específico é uma resposta mais de marketing da polícia do que uma necessidade operacional", acrescentou.
Para ambos os especialistas, o uso do fuzil produz risco para o policial e para a população, situação rechaçada pelo coronel Vilariço. "O fuzil já é um armamento utilizado pela polícia há muitos anos. Policial militar, em qualquer armamento, ele não anda com o dedo no gatilho."
Vilariço negou que a implementação da unidade tenha intenções eleitorais. "Esse batalhão já tem sido pensado há bastante tempo. Essa operação [de combate aos grupos] quebra-vidro a gente já tá fazendo há bastante tempo. Nós conseguimos reduções significativas, redução de indicador criminal desse tipo de delito", acrescentou.
Conforme a SSP (Secretaria da Segurança Pública), o balanço da primeira semana de funcionamento indica a prisão de 34 pessoas, sendo oito delas foragidas da Justiça.
"Desde que começou a operar, no dia 22 de setembro, o novo batalhão também recuperou três veículos que haviam sido roubados ou furtados. As ações também levaram à apreensão de cinco celulares, mais de 1 quilo de drogas e R$ 5,2 mil em dinheiro."
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/10/batalhao-bravo-da-pm-anunciado-as-vesperas-da-eleicao-em-sp-opera-sem-efetivo-proprio-e-comandante-fixo.shtml.

Dupla de policiais do Bravo (Batalhão de Resposta Avançada Operacional) - Marcos Mielli/Governo de SP · Marcos Mielli/Governo de SP — Foto: Folha de S.Paulo
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