Bancos são os principais credores do Habib's na recuperação judicial; veja lista
Os bancos são os principais credores do Grupo Gennius, controlador do Habib's, que entrou em recuperação judicial nesta semana . Dos R$ 265,2 milhões indicados pela empresa como valor sujeito à reestruturação, R$ 177,5 milhões são devidos a seis instituições financeiras. O montante corresponde a 66,9% do passivo. Leia mais (08/27/2026 - 17h25)

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Os bancos são os principais credores do Grupo Gennius, controlador do Habib's, que entrou em recuperação judicial nesta semana . Dos R$ 265,2 milhões indicados pela empresa como valor sujeito à reestruturação, R$ 177,5 milhões são devidos a seis instituições financeiras. O montante corresponde a 66,9% do passivo.

A maior parcela é do Bradesco , que aparece com R$ 81,4 milhões em créditos. Em seguida estão Banco Original, com R$ 54,9 milhões, e Banco Daycoval, com R$ 32,1 milhões. Completam a relação Banco Inter, com R$ 7,3 milhões, Itaú, com R$ 1 milhão, e Ouribank, com R$ 746,6 mil.
Procurado, o Banco Daycoval informou que não comenta situações específicas envolvendo seus clientes, em respeito à confidencialidade e ao sigilo aplicáveis às relações bancárias. Os demais bancos não responderam aos pedidos de posicionamento até a publicação deste texto. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos), por sua vez, afirmou que, como órgão setorial, não faz comentários sobre situações individuais.
Além das instituições financeiras, a relação de credores inclui empresas ligadas à cadeia de fornecedores do grupo, entre elas JBS e Seara. Ao todo, a primeira lista apresentada pela dona do Habib's tem 1.496 pessoas físicas e jurídicas.

A KPMG, consultoria nomeada pela Justiça para administrar a recuperação judicial do grupo Gennius, deverá apresentar o plano de reestruturação em 60 dias contados de 25 de agosto. Após a publicação, credores têm 30 dias para apresentar eventuais objeções.
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Pedro Bortolotto, sócio da Y Consultoria e especialista em restruturação de empresas, afirma que o cenário das dívidas é favorável ao Grupo Gennius. A força financeira dos bancos faz com que dependam menos dos valores devidos pela empresa. Isso pode, segundo ele, facilitar a negociação e a aprovação do plano de recuperação na assembleia de credores.

Amortizar dívidas financeiras no curto prazo pode dar à dona do Habib's a oportunidade de repensar o próprio modelo de negócios e apresentar soluções para a própria crise, afirma o especialista. "Ela precisa aproveitar esse período de fôlego e criar produtos que gerem mais desejo", diz Bortolotto.
Segundo ele, o processo de recuperação judicial não é suficiente para resolver os problemas da empresa. Para se restruturar, é preciso questionar a operação e, em muitos casos, mudá-la por completo.
"Tudo tem que ser questionado. Não se pode acreditar que uma dívida de 3 dígitos dessa natureza vá se resolver mantendo determinados padrões que trouxeram a empresa até aqui", afirma o consultor.
O Grupo Gennius pediu recuperação judicial na segunda-feira (24), na Justiça de São Paulo, declarando dívidas de R$ 265,2 milhões . O conglomerado é comandado por Alberto e Belchior Saraiva e reúne as redes de restaurantes Habib's, Ragazzo e Tendall Grill.
Segundo os argumentos apresentados no processo, a crise financeira foi agravada pela pandemia de Covid-19, pelo avanço das plataformas de delivery e pela alta dos juros nos últimos anos. O grupo afirma que a elevação da Selic de 4% para cerca de 15% aumentou o custo de captação e de rolagem das dívidas.
A Justiça determinou a suspensão das ações de execução de dívidas contra o grupo e ordenou que os credores não suspendam ou interrompam contratos em razão do pedido. O grupo terá 60 dias para apresentar o plano de recuperação judicial.
Em nota, o Gennius afirmou que o objetivo da ação é preservar a sustentabilidade e a evolução do negócio no longo prazo. A empresa também disse que as operações seguem normalmente, com atendimento aos clientes.
A CNTC (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Comércio) informou à reportagem que não há indicação de fechamento de lojas ou demissão de funcionários pelo grupo Gennius.
"O grupo também informou à Confederação que, caso haja qualquer medida futura com impacto sobre os trabalhadores, as entidades sindicais das categorias envolvidas serão comunicadas e chamadas ao diálogo. A CNTC seguirá acompanhando o caso, especialmente para verificar eventuais impactos trabalhistas decorrentes do processo de recuperação judicial."
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/bancos-sao-os-principais-credores-do-habibs-na-recuperacao-judicial-veja-lista.shtml.

Habib's no bairro Vila Mariana, em São Paulo (SP) - Rafaela Araújo /Folhapress · Rafaela Araújo /Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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