Política

    Bancos criticam trajetória da dívida e falam em até R$ 580 bi em cortes

    Executivos discutiram desafios fiscais, juros altos, produtividade e uso de IA no sistema financeiro durante evento da Febraban

    Poder360
    24 de agosto de 2026 às 15:54
    Bancos criticam trajetória da dívida e falam em até R$ 580 bi em cortes
    Foto: Poder360

    Executivos discutiram desafios fiscais, juros altos, produtividade e uso de IA no sistema financeiro durante evento da Febraban

    O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, classificou como “insustentável” a trajetória atual da dívida pública. Segundo ele, o estoque de cerca de R$ 10 trilhões, combinado com uma taxa básica de juros de 14% ao ano, torna elevado o custo de financiamento da dívida no longo prazo. Por isso, defendeu que o debate sobre as contas públicas considere o deficit nominal, que inclui as despesas com juros, e não apenas o resultado primário.

    O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou que a equipe econômica do banco identificou medidas que poderiam gerar economia de R$ 250 bilhões a R$ 580 bilhões em despesas. Segundo ele, as medidas representariam uma economia de até 5% do PIB e dependeriam de “vontade política” .

    Os executivos relacionaram tecnologia e produtividade ao crescimento de longo prazo do Brasil
    Os executivos relacionaram tecnologia e produtividade ao crescimento de longo prazo do Brasil — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

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    O debate fez parte da programação de abertura da Febraban Tech 2026, evento da Federação Brasileira de Bancos realizado em São Paulo. Eis os executivos que participaram do painel:

    Os executivos defenderam que os candidatos às eleições apresentem propostas para as contas públicas para o período de 2027 a 2030.

    Sallouti relacionou o cenário fiscal ao custo de capital no país. Segundo ele, o diferencial entre os juros brasileiros e norte-americanos deveria ficar entre 150 e 200 pontos-base, mas atualmente está em 500 a 550 pontos-base.

    O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, afirmou que há preocupação do governo com o equilíbrio fiscal e destacou o trabalho do Ministério da Fazenda e da Presidência da República.

    Os juros elevados também foram relacionados ao desempenho do mercado de crédito. Maluhy afirmou que taxas altas reduzem a atividade econômica e aumentam a inadimplência, levando os bancos a serem mais cautelosos na concessão de empréstimos.

    O executivo citou um aumento de 12 pontos percentuais no endividamento das famílias nos últimos 4 anos e o elevado comprometimento da renda.

    No Nubank, a IA é utilizada na avaliação de risco de crédito. A presidente da instituição no Brasil, Lívia Chanes, afirmou que o banco usa modelos próprios para analisar o comportamento dos clientes e melhorar a concessão de empréstimos.

    Já Vieira afirmou que o crédito imobiliário da Caixa passou por um processo de digitalização. Segundo ele, o banco realiza cerca de 3.000 operações por dia nessa modalidade.

    Os executivos relacionaram tecnologia e produtividade ao crescimento de longo prazo do Brasil. Sallouti afirmou que, diante das mudanças demográficas, o país não poderá depender do aumento da população para ampliar o PIB potencial. Segundo ele, será necessário investir em educação, infraestrutura e tecnologia por 10 a 15 anos.

    Maluhy , do Itaú, defendeu a produtividade como uma pauta central para o próximo ciclo econômico. Já Chanes citou um ganho de quase 90% na capacidade de entrega de códigos pelos engenheiros após a adoção de IA generativa.

    A IA foi outro eixo do painel. Os CEOs relataram aplicações da tecnologia em atendimento, desenvolvimento de software, concessão de crédito e operações financeiras.

    No Bradesco, Noronha destacou a BIA, assistente virtual que realizou 74 milhões de transações no 1º semestre de 2026.

    Maluhy afirmou que o Itaú pretende levar a IAÍ, ferramenta de IA voltada ao atendimento, a 100% da base de clientes até o fim do ano.

    No Nubank, Chanes afirmou que a adoção de ferramentas de IA generativa aumentou em quase 90% a velocidade de entrega de códigos pelos engenheiros.

    No Santander, Finkelsztain destacou o uso de dados para acompanhar a evolução do comportamento financeiro dos clientes e ampliar a personalização de produtos.

    Já Sallouti, do BTG, afirmou que a questão deixou de ser identificar onde a IA pode ser utilizada e passou a ser avaliar “onde ela ainda não está presente” .

    Os executivos ainda discutiram o uso da IA por criminosos e os desafios para o sistema financeiro.

    Chanes afirmou que grupos criminosos estão incorporando a tecnologia e defendeu o uso de IA pelos bancos para reforçar a proteção dos clientes.

    Sallouti disse que os fraudadores estão cada vez mais especializados e utilizam tecnologia para desenvolver golpes mais sofisticados. Para ele, autoridades de investigação e o Judiciário precisam acompanhar essa evolução.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/bancos-criticam-trajetoria-da-divida-e-falam-em-ate-r-580-bi-em-cortes/.

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    Os executivos relacionaram tecnologia e produtividade ao crescimento de longo prazo do Brasil — Foto: Poder360

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