Bancos, apps e aéreas serão afetados por mudança no WhatsApp Business
Investigação do Cade mostra que a dependência da ferramenta varia; órgão mantém multa diária de R$ 250 mil contra Meta e WhatsApp

Investigação do Cade mostra que a dependência da ferramenta varia; órgão mantém multa diária de R$ 250 mil contra Meta e WhatsApp
A Meta quer promover mudanças no WhatsApp Business . A companhia pretende restringir o uso da ferramenta por empresas que oferecem assistentes de inteligência artificial como produto principal e, ao mesmo tempo, ampliar a cobrança pelo serviço. As mudanças levaram a uma investigação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
O órgão solicitou informações a mais de 40 empresas , enquanto mantém uma multa diária de R$ 250 mil contra a Meta e o WhatsApp . Entre os setores consultados estão companhias aéreas, bancos, aplicativos de delivery e empresas de inteligência artificial e de saúde.

Em resposta a pedidos de informações do Cade, as companhias citam impactos sobre atendimento, segurança, marketing e distribuição de serviços de inteligência artificial. Há ainda diferentes níveis de dependência do WhatsApp Business.
Parte das petições está sob sigilo, inclusive o impacto quantitativo sobre as companhias afetadas.
Eis algumas das respostas das empresas encaminhadas ao Cade:

Há empresas que relataram ao Cade impacto marginal ou até nulo por usar a ferramenta de forma complementar:
Em algumas respostas, não é possível dizer exatamente qual será o impacto sobre a companhia. É o caso da 99 Food, Hi Platform, NeoAssist, Infobip, Vivo, Blip, Nubank, Amazon e Azul .
O Cade também aguarda informações da Tim, Magazine Luiza, Americanas, Itaú e Rappi .
As respostas das empresas consultadas pelo Cade ajudam a mapear esses possíveis efeitos, mas muitas informações sobre custos, volumes, receitas e impactos operacionais foram mantidas sob sigilo.
As petições apresentam níveis de sigilo distintos. Por isso, as versões públicas não permitem calcular o efeito total das mudanças.
A partir de 1º de outubro de 2026, a Meta passará a cobrar R$ 0,03 por mensagem enviada ao cliente por empresas que usam a interface oficial do WhatsApp Business, segundo as informações apresentadas. Atualmente, as empresas podem responder gratuitamente por até 24 horas após o contato do consumidor e pagam quando iniciam a conversa.
A mudança pode elevar os custos de atendimento e levar empresas a migrar parte da comunicação para outros canais, como telefone e aplicativos próprios. A adaptação, porém, pode reduzir a conveniência para consumidores acostumados a usar o WhatsApp.
O inquérito do Cade começou depois de representação apresentada, em novembro de 2025, pelas empresas Luzia e Zapia , que oferecem assistentes de inteligência artificial. Elas contestaram mudanças anunciadas pela Meta nos termos do WhatsApp Business, previstas para entrar em vigor em 15 de janeiro de 2026, que restringiriam o uso da plataforma por provedores cujo produto principal é um assistente de IA.
As empresas alegaram que a medida poderia dificultar a distribuição de concorrentes e favorecer a Meta AI, ao limitar o acesso a uma plataforma amplamente utilizada no Brasil. Também afirmaram que haviam investido na integração de seus serviços ao aplicativo.
Em 12 de janeiro, o Cade abriu inquérito para apurar possível abuso de posição dominante e suspendeu os novos termos. Em março, o Tribunal manteve a medida preventiva. A Meta argumentou que chatbots de IA poderiam sobrecarregar uma infraestrutura não projetada para esse uso e que havia outros canais de distribuição, como aplicativos e sites.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/bancos-apps-e-aereas-serao-afetados-por-mudanca-no-whatsapp-business/.

A Meta acabará a partir de 1º de outubro com a gratuidade das respostas de serviço enviadas em até 24 horas por empresas que utilizam a API oficial do WhatsApp Business — Foto: Poder360
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