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    Bancos ampliam cardápio de criptomoedas para clientes com avanço da regulação

    Bancos ampliaram nos últimos anos a oferta de criptoativos a clientes. Se antes o produto na prateleira se resumia ao bitcoin, agora as instituições oferecem mais de uma dezena de ativos virtuais aos investidores.

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    7 de setembro de 2026 às 03:00
    Bancos ampliam cardápio de criptomoedas para clientes com avanço da regulação
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    Bancos ampliaram nos últimos anos a oferta de criptoativos a clientes. Se antes o produto na prateleira se resumia ao bitcoin, agora as instituições oferecem mais de uma dezena de ativos virtuais aos investidores.

    Ilustração de criptomoedas - Gabriel Cabral - 27.fev.23/Folhapress · Gabriel Cabral - 27.fev.23/Folhapress
    Ilustração de criptomoedas - Gabriel Cabral - 27.fev.23/Folhapress · Gabriel Cabral - 27.fev.23/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    As criptomoedas funcionam por meio de redes de computadores que registram e validam as transações, sem a necessidade de um sistema centralizado como o de um banco.

    O bitcoin é a mais conhecida, mas existem milhares de outras, com características e usos diferentes. O ether, por exemplo, está ligado à rede Ethereum, enquanto as chamadas stablecoins buscam manter seu valor próximo ao de moedas tradicionais, como o dólar.

    Desde o ano passado, instituições como Itaú, Bradesco , Santander , Banco do Brasil e Nubank aumentaram o número de produtos relacionados a essa classe de ativos, em movimento acompanhado pelo avanço da regulamentação do setor no Brasil .

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    Analistas, contudo, alertam que investimentos na classe exigem cuidados. A volatilidade dos criptoativos exige que o investidor compreenda o nível de exposição que terá em seu portfólio. Por isso, o investimento é mais indicado para investidores com maior tolerância ao risco e às flutuações do mercado.

    "Há variações de preços maiores do que em ações. Uma ação pode cair 4% ou 5% em um dia ruim. Em cripto, esses movimentos podem ser muito mais rápidos e maiores. Isso não significa que o investidor vai perder dinheiro, mas que está exposto a uma amplitude maior de variação", diz Cristiano Corrêa, professor de finanças do Ibmec.

    A recomendação é que a exposição seja limitada e destinada a investidores com maior tolerância ao risco.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Faz sentido para aquele investidor cujo perfil seja compatível com essa capacidade de eventualmente suportar perdas. Ele não deve pegar todo o patrimônio e colocar em criptomoedas, mas pode separar uma parte para aproveitar movimentos de grande volatilidade", diz Corrêa.

    Felipe Quiodine, planejador financeiro pela Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro), considera os ativos válidos para estratégias de diversificação, mas recomenda uma abordagem conservadora.

    "Algo entre 1% e 3% da carteira total. Esse percentual cumpre dois objetivos: primeiro, a captura de valorização, se houver; em segundo lugar, limita o impacto caso a posição sofra perdas severas."

    Apesar da volatilidade e dos riscos, os dados da Receita Federal mostram o crescimento das operações com criptoativos. Pessoas jurídicas movimentaram cerca de R$ 497 bilhões com essas moedas no Brasil em 2025, ou 98,3% dos R$ 505,5 bilhões informados por pessoas físicas e jurídicas. O volume total cresceu 22% em relação a 2024 e 433% desde 2020.

    Embora os dados não permitam identificar quanto desse montante corresponde à oferta de produtos para clientes, eles sinalizam a crescente participação de empresas nas operações com criptoativos.

    A expansão da oferta ocorre em paralelo ao avanço do marco regulatório brasileiro. Em 2022, foi aprovado o Marco Legal dos Criptoativos , que estabeleceu princípios gerais para o setor e atribuiu ao Banco Central a competência para regulamentar as prestadoras de serviços de ativos virtuais.

    Desde 2026, o Banco Central regulamenta essas empresas, com exigências de capital mínimo, segregação patrimonial e supervisão. As prestadoras que já atuavam no mercado têm prazo até novembro para se adequar às novas regras.

    "Nesse cenário, os bancos brasileiros, normalmente mais conservadores em relação à atuação em novos mercados, ficam mais seguros para lançar seus produtos", diz Carlos Akira Sato, cofundador da consultoria Syscapital e especialista em mercados regulados e tokenização de ativo.

    O Itaú ampliou sua carteira de criptomoedas em 2025 e atualmente disponibiliza 15 criptoativos, entre eles bitcoin , ether e USDC, stablecoin atrelada ao dólar.

    Em sua plataforma, o banco afirma que os ativos disponibilizados aos clientes ficam sob sua custódia e aconselha o investidor a considerar se seus objetivos estão alinhados com os riscos e os movimentos do mercado.

    O Banco Safra disponibiliza o Safra Dólar, stablecoin própria lançada em 2025, gerida e custodiada pela instituição. Segundo o banco, o ativo é uma alternativa para dolarização do patrimônio.

    O Banco do Brasil passou a disponibilizar, em janeiro, investimentos diretos em bitcoin e ether para clientes. Segundo o banco, o serviço já movimentou mais de R$ 11 milhões em transações.

    Antes, desde 2022, a instituição permitia exposição à classe de ativos por meio de fundos e ETFs (fundos de índice que acompanham o desempenho de uma determinada criptomoeda ou de um conjunto de criptoativos). Bradesco e Santander também oferecem exposição a criptoativos por meio de ETFs.

    Entre as fintechs, o Nubank divulgou, em maio de 2026, a entrada de quatro novas criptomoedas no portfólio da plataforma dedicada à compra, venda e transferência de criptoativos. Atualmente, são 28 ativos disponíveis, incluindo bitcoin, ether e USDC.

    O Nubank classifica os criptoativos como investimentos de alto risco e afirma que eles podem ser uma alternativa para investidores que buscam diversificar suas carteiras. A plataforma da fintech conta com mais de 7 milhões de clientes no Brasil.

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    Apesar da expansão da oferta a clientes, a exposição própria de instituições tradicionais a criptoativos, isto é, a parcela de risco que as instituições assumem diretamente com esses ativos, ainda é limitada.

    Em balancetes enviados ao Banco Central, com data-base de março de 2026, não foram identificados saldos ou registros de ativos virtuais próprios de bancos.

    Segundo o BC, as instituições podem intermediar e custodiar ativos virtuais, desde que cumpram as regras aplicáveis e comuniquem formalmente a autarquia. Na custódia, os ativos são mantidos em nome dos clientes e não se tornam automaticamente propriedade da instituição.

    Para Carlos Castilho, diretor executivo de serviços financeiros da EY, não há proibição geral à manutenção de posições próprias em criptoativos por instituições financeiras.

    "Do ponto de vista contábil, há exposição própria quando a instituição utiliza recursos para adquirir o criptoativo, controla os benefícios econômicos associados a ele e assume diretamente os riscos de preço, liquidez e crédito", afirma.

    Para Isac Costa, professor do Insper, o avanço dos bancos no setor é impulsionado pela demanda dos clientes, pela redução de custos operacionais e pela consolidação das regras nacionais e internacionais.

    Ele, contudo, não vê um movimento relevante das instituições para investir na classe diante dos riscos associados aos ativos.

    "O mercado cripto já foi considerado por muitas instituições tradicionais como um ‘mercado marginal’, e houve uma mudança. Porém, uma coisa é oferecer criptoativos a investidores que demandam essa categoria de ativo, e outra é abraçar as teses de investimento e manter criptoativos em carteira própria", afirma.

    *Dados da plataforma de dados CoinMarketCap seguindo a capitalização do mercado de criptomoedas, métrica que considera o preço atual e a circulação do ativo no mundo

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/bancos-ampliam-cardapio-de-criptomoedas-para-clientes-com-avanco-da-regulacao.shtml.

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