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    Banco Master, falta de transparência e os limites da Justiça

    A Organização das Nações Unidas ( ONU ) reconhece esta segunda-feira (28) como o Dia Internacional do Acesso Universal à Informação . Diante do maior escândalo de corrupção da história do país , os brasileiros estão sendo privados desse direito. Paradoxalmente, os principais guardiões do Estado de Direito -o Supremo Tribunal Federal ( STF ) e a Procuradoria-Geral da República ( PGR )- estão entre os maiores responsáveis pelo descalabro. Leia mais (09/28/2026 - 08h00)

    Folha de S.Paulo
    28 de setembro de 2026 às 11:00
    Banco Master, falta de transparência e os limites da Justiça
    Cinco ministros do Supremo Tribunal Federal sentados em bancada durante sessão. Ao fundo, bandeira do Brasil. Documentos e microfones estão sobre a mesa. — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    Sessão do STF para decidir sobre abertura de investigação contra Alexandre de Moraes no caso Master - Gustavo Moreno - 15.set.26/STF
    Sessão do STF para decidir sobre abertura de investigação contra Alexandre de Moraes no caso Master - Gustavo Moreno - 15.set.26/STF — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Professor de governo da FGV-Ebape (Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas)

    A Organização das Nações Unidas ( ONU ) reconhece esta segunda-feira (28) como o Dia Internacional do Acesso Universal à Informação . Diante do maior escândalo de corrupção da história do país , os brasileiros estão sendo privados desse direito. Paradoxalmente, os principais guardiões do Estado de Direito —o Supremo Tribunal Federal ( STF ) e a Procuradoria-Geral da República ( PGR )— estão entre os maiores responsáveis pelo descalabro.

    Processos judiciais transparentes colocam a ênfase no mérito, nos fatos. Foi justamente esse caráter público que fez do julgamento do mensalão um marco decisivo na luta histórica do Brasil contra a corrupção e a impunidade. Naquele caso, porém, as provas apontavam para o envolvimento criminoso de parlamentares e empresários —e não de ministros do Supremo ou do procurador-geral da República, hoje no centro do escândalo do Banco Master .

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os desafios à transparência são agora muito maiores . Uma primeira ameaça é o abuso do formalismo procedimental. Os procedimentos são indispensáveis à justiça, mas há uma diferença entre o devido processo legal e o fetiche formalista. O devido processo legal serve à justiça ao assegurar um julgamento criterioso, baseado em fatos. Já o fetiche formalista explora a complexidade para contornar o mérito, provocar atrasos ou invalidar provas.

    Agora, ironicamente para a história brasileira, o ministro que impulsionou o devido processo legal para que golpistas fossem responsabilizados com celeridade é o mesmo que se esconde atrás de divergências processuais para manter os fatos que o atingem longe de qualquer transparência.

    O pedido de vista do ministro Flávio Dino selou de forma emblemática a estratégia de não transparência. "Justiça tardia é justiça negada", diz o ditado; adiar a divulgação dos fatos favorece o esquecimento social e institucional, aumentando a probabilidade de impunidade. Ao servir de carapaça para a opacidade, a complexidade procedimental tende a ser inimiga tanto da transparência quanto da verdade.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Uma segunda ameaça é a "transparência seletiva" que relatores de casos no STF usufruem. O relator do caso Banco Master, ministro André Mendonça , tem usado sua discricionariedade para determinar o que vem a público —e quando isso acontece— sem que os critérios dessas escolhas sejam esclarecidos. Os efeitos eleitorais dessas medidas, por sua vez, são cristalinos.

    Uma terceira ameaça à transparência é a capacidade de instituições como a PGR de neutralizar investigações sobre seus próprios membros. Na última semana, o Conselho Superior do Ministério Público Federal decidiu, por 5 votos a 4, não investigar o procurador-geral da República, Paulo Gonet, embora fotografias e mensagens de texto apontem para uma relação suspeita dele com Daniel Vorcaro.

    Em suma, a disposição do STF e da PGR de poupar seus membros da obrigação de transparência quanto aos seus interesses econômicos e relações interpessoais contraria suas próprias missões institucionais de promoção da justiça.

    Em última análise, a crise do Banco Master demonstra como as atribuições do STF –como foro penal para altas autoridades e última instância recursal– comprometem e politizam essa instituição. Ao expor a corte às pressões de políticos e de membros da elite econômica, as atribuições do STF aumentam potenciais conflitos de interesse e, por sua vez, os incentivos dos ministros para neutralizar a transparência.

    Dessa maneira, a crise atual expõe não apenas a extensão da corrupção no país, mas também como as falhas dos desenhos institucionais criam incentivos contrários à transparência. Mais uma vez, quem sai pagando a conta são os brasileiros.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/banco-master-falta-de-transparencia-e-os-limites-da-justica.shtml.

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    Sessão do STF para decidir sobre abertura de investigação contra Alexandre de Moraes no caso Master - Gustavo Moreno - 15.set.26/STF — Foto: Folha de S.Paulo

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