Avião militar dos EUA faz voo misterioso até Moscou
Um avião de transporte militar Boeing C-17 Globmaster 3 pousou na manhã desta terça-feira (25) em Moscou, atiçando a curiosidade de jornalistas e comentaristas acerca da razão do misterioso voo. As principais especulações são acerca de uma missão diplomática sobre a Guerra da Ucrânia ou de troca de prisioneiros. Leia mais (08/25/2026 - 08h05)

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Um avião de transporte militar Boeing C-17 Globmaster 3 pousou na manhã desta terça-feira (25) em Moscou, atiçando a curiosidade de jornalistas e comentaristas acerca da razão do misterioso voo. As principais especulações são acerca de uma missão diplomática sobre a Guerra da Ucrânia ou de troca de prisioneiros.

O gigante quadrimotor, esteio da frota de logística da Força Aérea dos Estados Unidos , não entrava em espaço aéreo russo desde que Vladimir Putin invadiu a Ucrânia , em 2022. Ele voou com seu sistema de localização ligado.
O C-17 havia deixado a Base Conjunta Andrews, usada pela cúpula política dos EUA perto de Washington, rumo a Riga. Da capital da Letônia , ele decolou nesta manhã, pousando às 10h04 (4h04 em Brasília) no aeroporto de Vnukovo, o segundo mais movimentado de Moscou.
O trajeto e o momento político sugerem que alguma missão diplomática relativa à guerra poderia estar embarcada na aeronave, buscando algum tipo de despiste.

Seu perfil operacional, contudo, favorece alguma operação de troca de prisioneiros. No dia 11 deste mês, Moscou soltou o ex-fuzileiro Robert Gilman, que havia ficado preso mais de quatro anos acusado de agredir um policial, mas ele voltou aos EUA em um avião de remoção médica.
Nas suas viagens anteriores à capital russa, oito ao total neste ano, os enviados de Donald Trump para o conflito Steve Witkoff e Jared Kushner costumavam voar em jatos executivos como o Gulfstream C-37B da Força Aérea.
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O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, desconversou e disse que não sabia nada acerca do voo, amplamente registrado por sites de monitoramento de tráfego aéreo.
Ainda nesta terça, um enviado do Vaticano reuniu-se com o chanceler Serguei Lavrov em Moscou. O arcebispo Paul Richard Gallagher disse que a Igreja Católica está pronta para servir de mediadora e que defende o diálogo para o fim do conflito.
Na véspera, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski , disse que havia a possibilidade de os rivais discutirem uma trégua limitada ao transporte de grãos pelo mar Negro, que está degradado devido a uma onda de ataques que começou por Kiev neste ano.

Nesta terça, o ucraniano afirmou que há "uma janela de possibilidade" para mediação dos EUA no conflito, que ele estima durar até o verão de 2027, ou seja, o meio do ano que vem no Hemisfério Norte. Zelenski voltou a dizer que passou aos americanos uma série de sugestões de acomodação.
Ele voltou a falar sobre a criação de uma zona livre a ser administrada por um "terceiro ator" em Donetsk, região estratégica no leste da Ucrânia, da qual a Ucrânia tem cerca de 15% de controle territorial.
Também citou a presença de uma força de paz internacional, liderada pela aliança militar ocidental Otan , para garantir quaisquer tréguas.
Peskov deu de ombros e repetiu a argumentação russa usual . "O Donbass é parte da Rússia ", afirmou, rejeitando também a presença de forças ocidentais no país invadido.
O governo Putin acredita que pode vencer militarmente na região. Nesta terça, avançou mais um pouco na frente da região, tomando um vilarejo. O foco da campanha é deixar expostas para um assalto final as cidades do chamado "cinturão das fortalezas" de Donetsk.
Na mão contrária, Kiev manteve seus ataques assimétricos contra a Rússia, matando ao menos duas pessoas em ataques a refinarias de Krasnodar e Rostov, regiões do sul do vizinho.
A campanha recente contra os sistemas energético e logístico russos tem gerado dor de cabeça para Putin. Após atingir cerca de 20 centros da gigante do varejo online Wildberries, a "Amazon russa", a Ucrânia passou a enviar drones contra depósitos e unidades de distribuição da Ozon, segunda maior empresa desse mercado.
Ao menos quatro instalações foram atingidas no fim de semana. Enquanto isso, as filas em postos de combustíveis, durando mais de quatro horas, viraram norma mesmo em Moscou, onde um racionamento de gasolina e diesel entrou em vigor na semana passada.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/aviao-militar-dos-eua-faz-voo-misterioso-ate-moscou.shtml.

Um cargueiro americano C-17, igual ao que pousou em Moscou, durante chegada ao Paquistão - Farooq Naeem - 20.abr.26/AFP · Farooq Naeem - 20.abr.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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