Avenged Sevenfold perde urgência em show arrastado na volta ao Rock in Rio
"Vocês estão muito educados hoje. É a chuva? São as músicas?", disse o vocalista do Avenged Sevenfold , M. Shadows, já na reta final do show que a banda fez na noite deste sábado (5), no Rock in Rio . Fosse a chuva, fosse o repertório, o público no festival não pareceu estar aceso como em outras passagens do grupo por aqui. Leia mais (09/06/2026 - 03h44)

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"Vocês estão muito educados hoje. É a chuva? São as músicas?", disse o vocalista do Avenged Sevenfold , M. Shadows, já na reta final do show que a banda fez na noite deste sábado (5), no Rock in Rio . Fosse a chuva, fosse o repertório, o público no festival não pareceu estar aceso como em outras passagens do grupo por aqui.

O Avenged Sevenfold voltou ao palco Mundo , o principal do Rock in Rio, dois anos depois de ocupar o mesmo espaço no festival. Como em 2024, a banda encabeçou o "dia do metal", renovando a data que antes era exclusiva de dinossauros como Iron Maiden e Metallica .
Desta vez, os americanos até tocaram músicas parecidas —um catadão do que fizeram de melhor entre as décadas de 2000 e 2010. Mas as músicas foram recombinadas, algumas substituídas por outras e eles incluíram uma faixa de seu EP mais recente, "Magic".
O repertório pouco mudou, ao contrário da dinâmica e da urgência. Em 2024, o Avenged Sevenfold não tocava no Brasil havia dez anos. Antes disso, a banda tinha vindo outras quatro vezes ao país, entre 2008 e 2014, incluindo um show no Rock in Rio em 2013.

Desta vez, eles retornam após apenas oito meses da última apresentação no Brasil —quando fizeram o maior show solo de toda sua carreira, em São Paulo, no estádio Nubank Parque . É uma das bandas, como o Bring Me the Horizon, outra que tocou no palco Mundo no sábado, que tem uma base de fãs especialmente grande no país.
Na comparação com a atração anterior do mesmo palco, contudo, o Avenged Sevenfold esteve um tom abaixo. Se o grupo britânico botou o público para abrir inúmeras rodas punk, os americanos fizeram um show menos pungente, e recebido com menos euforia pela plateia.
A chuva que voltou a cair no Parque Olímpico pode ter ajudado a derrubar o clima. Assim como o atraso da banda em subir ao palco, meia hora após o horário marcado, por volta de 0h35, já na madrugada do domingo (6).

Parte disso também tem a ver com a própria música do Avenged Sevenfold. Criada em 1999, a banda faz uma mistura gótica de heavy metal com hard rock que às vezes remete ao emo, com refrões pop e baladas ao violão —como se Guns N’ Roses e Iron Maiden tivessem um filho viciado em My Chemical Romance.
Isso significa que o show tem longos solos de guitarra, mudanças de andamento numa mesma canção e momentos épicos que no palco soaram arrastados. Nessas horas, a plateia ficou mais desinteressada, caso também de músicas mais recentes —como "Nobody", lançada em 2023.
De certa forma, o Avenged abriu as portas para que o heavy metal entrasse no século 21 se forma menos ortodoxa, um movimento que antecedeu a abordagem de vários artistas fizeram neste sábado de Rock in Rio. Este dia do metal do festival abriu mão de medalhões para receber bandas mais novas que fazem rock pesado.

O vocalista M. Shadows fez referência a isso em cima do palco. Disse que abriu o X e viu muita negatividade "sobre o festival e sobre as bandas que tocaram". "Vou dizer: todas essas bandas são amigas. Não percam tempo com isso."
Ele disse que nesse novo heavy metal não há esse tipo de rivalidade e citou os companheiros de lineup neste Rock in Rio, como Mgk, Bad Omens e Poppy, além do Bring Me the Horizon. Pediu ao público para aproveitar o dia e puxou a balada "Seize the Day" —um dos sucessos que a banda não havia tocado há dois anos no festival.
Com muito fogo no palco e efeitos pirotécnicos, o show teve diversos momentos altos. No começo, as pesadas "Nightmare" e "Afterlife" puxaram alguma rodas de pogo, enquanto a balada "Buried Alive" botou os fãs para cantar.

Na reta final, o Avenged Sevenfold tocou um lado B —a música "M.I.A.", de 2006—, e seguiu para uma sequência de faixas mais conhecidas —"Bat Country", "Unholy Confessions" e "A Little Piece of Heaven"—, devidamente celebradas pela plateia.
A essa altura, por volta das 2h da madrugada, era grande o movimento de pessoas deixando o Parque Olímpico. Acabou com a música "Cosmic", uma chuva de luzes pirotécnicas e fogos de artifício.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/avenged-sevenfold-perde-urgencia-em-show-arrastado-na-volta-ao-rock-in-rio.shtml.

Show da banda Avenged Sevenfold, no palco Mundo, durante o segundo dia do primeiro final de semana do festival Rock in Rio, no Parque Olímpico, na zona oeste do Rio de Janeiro - Eduardo Anizelli/Folhapress · Eduardo Anizelli/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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