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    Ave Sangria e Papangu unem gerações de rock psicodélico nordestino no Circo Voador

    Em 2004, aos 15 anos, o músico Rodolfo Salgueiro, da banda paraibana Papangu, frequentava um fórum no Orkut sobre rock progressivo quando encontrou o clássico disco " Ave Sangria ", da banda pernambucana de mesmo nome. Salgueiro, à época um adolescente formado pela música popular brasileira e pelo metal pesado, diz que estranhou o disco de primeira, mas bastou um pouco de insistência para entender por que era considerado tão influente. Leia mais (09/25/2026 - 10h00)

    Folha de S.Paulo
    25 de setembro de 2026 às 13:00
    Ave Sangria e Papangu unem gerações de rock psicodélico nordestino no Circo Voador
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Em 2004, aos 15 anos, o músico Rodolfo Salgueiro, da banda paraibana Papangu, frequentava um fórum no Orkut sobre rock progressivo quando encontrou o clássico disco " Ave Sangria ", da banda pernambucana de mesmo nome. Salgueiro, à época um adolescente formado pela música popular brasileira e pelo metal pesado, diz que estranhou o disco de primeira, mas bastou um pouco de insistência para entender por que era considerado tão influente.

    Banda paraibana Papangu toca rock progressivo e metal - Helder Bruno/Divulgação · Helder Bruno/Divulgação
    Banda paraibana Papangu toca rock progressivo e metal - Helder Bruno/Divulgação · Helder Bruno/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Neste sábado (26), Ave Sangria e Papangu se apresentam juntos no Circo Voador, no Rio de Janeiro , em uma programação que celebra a caminhada da psicodelia nordestina. Com décadas de diferença entre a formação das duas bandas –o Papangu existe desde o final dos anos 2010–, a conexão entre o som dos grupos existe no encontro do rock psicodélico com ritmos típicos do Nordeste do país, como o forró e o baião .

    "A primeira música que me fisgou foi 'Seu Waldir'", diz Salgueiro sobre a faixa que levou à censura do disco da banda em 1974. "E daí eu embarquei nesse 'udigrudi', no rock psicodélico e progressivo pernambucano, Lula Côrtes , Zé Ramalho ."

    "Udigrudi" —o " underground" abrasileirado— é o nome que se deu a um conjunto de manifestações artísticas que aconteceram em Recife entre os anos 1970 e 1980, a mais forte delas sendo a música psicodélica feita por, além do Ave, Côrtes e Zé Ramalho, Alceu Valença , Marconi Notaro, e outras dezenas de artistas.

    Ave Sangria
    Ave Sangria — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Nós não fazíamos a menor ideia de que estávamos fazendo algo psicodélico. Fora as referências musicais daqui —o xote, o baião, o maracatu—, eu estava ouvindo Beatles , Led Zeppelin , Jimi Hendrix . Todos têm uma pegada psicodélica, mas, na época, eu não me atentava a esse detalhe. Essa fusão foi instintiva", diz Marco Polo, vocalista do Ave Sangria desde sua gênese.

    O álbum de estreia do grupo durou pouco mais de um mês nas lojas antes de ser censurado pela ditadura militar . "Seu Waldir" foi acusada de "incentivo à homossexualidade " pelo regime. Em março deste ano, o grupo se tornou a primeira banda a ser anistiada e receber uma indenização do governo brasileiro pelas perseguições na ditadura.

    A reparação é bem-vinda, diz Polo, mas não muda o impacto que a censura teve na carreira da banda e na vida de seus integrantes. "Foi um tranco muito grave, entramos em depressão", afirma o músico, que voltou ao jornalismo após o fim da banda.

    Papangu
    Papangu — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mas a severidade da censura não foi o suficiente para amortecer completamente o impacto da influência do Ave Sangria, que foi redescoberto mais tarde por outras gerações e voltou a fazer shows em 2014, impulsionado pelo aniversário de 40 anos do clássico.

    Rodolfo Salgueiro e Pedro Francisco, que entraram no Papangu depois do lançamento do primeiro álbum da banda, "Holoceno", de 2021, dizem que a influência do "udigrudi" foi fundamental para os caminhos que o grupo, antes principalmente influenciado por metal pesado, tomou dali em diante.

    "Já tinha, no 'Holoceno', um pouco de nordestinidade, mas, quando entramos na banda, foi a oportunidade de explorar isso ainda mais. Quando começamos a rodar ao vivo e executar o disco, a gente descobriu que a banda tinha uma linguagem específica para o palco."

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Além dos clássicos compositores pernambucanos, Salgueiro e Francisco também citam a influência de bandas paraibanas para a gênese de seu som. "Paraíba e Pernambuco compartilham essa influência do psicodélico, mas eu gosto de dizer que Pernambuco foi mais bem-sucedido em publicizar seus artistas e deixá-los conhecidos por todo o Brasil", diz Salgueiro, que cita artistas como a banda Jaguaribe Carne e os compositores Escurinho e Chico César, além de bandas mais recentes como o grupo Augustine Azul, entre as influências no som progressivo do Papangu.

    Para denominar o som que o grupo faz, o quinteto adotou o termo "rock troncho", que é um rock que "não se encaixa, é torto, é quebrado", segundo Salgueiro. A expressão abarca, também, outros nomes da nova cena paraibana que combinam psicodelia e rock com influências da música tradicional nordestina, como Hajem Kunk —com membros em comum com o Papangu— e Tela Azzu.

    Após voltar de uma turnê pela Europa , o Papangu apresenta no Circo Voador, pela primeira vez no Brasil, seu terceiro álbum "Celestial" na íntegra. Também será a primeira apresentação do Ave Sangria na cidade do Rio de Janeiro –no estado, o grupo só se apresentou na região serrana.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mas, segundo Marco Polo, a arte nordestina já não se vale tanto da aprovação de outras regiões do Brasil. "O preconceito ainda existe. Mas tudo bem. A gente tem Manuel Bandeira , João Cabral de Melo Neto , Clarice Lispector, Nelson Rodrigues . Deixa para lá, né?"

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/ave-sangria-e-papangu-unem-geracoes-de-rock-psicodelico-nordestino-no-circo-voador.shtml.

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    Banda paraibana Papangu toca rock progressivo e metal - Helder Bruno/Divulgação · Helder Bruno/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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