Avanço dos carros híbridos influencia segmento de caminhões movidos a gás
O avanço dos carros híbridos tem reduzido o interesse pela instalação de kits de GNV (gás natural veicular) no mercado automotivo. Dessa forma, empresas do setor de gás veicular têm ampliado a atuação no segmento de pesados.

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O avanço dos carros híbridos tem reduzido o interesse pela instalação de kits de GNV (gás natural veicular) no mercado automotivo. Dessa forma, empresas do setor de gás veicular têm ampliado a atuação no segmento de pesados.

O grupo MAT registrou mudança na demanda. Em 2020, a empresa comercializou 24.854 cilindros para armazenamento de gás em veículos leves. No ano passado, foram 3.045 unidades. Diante da retração, a empresa passou a direcionar parte relevante dos negócios para caminhões e ônibus movidos a GNV e biometano .
Em 2024, a MAT comercializou 492 cilindros para veículos pesados . Já em 2025, o volume saltou para 1.835 unidades, das quais 47,6% foram destinadas a veículos adaptados para operações de coleta e limpeza urbana , que se transformou em um mercado consumidor relevante dos veículos movidos a diferentes opções de biocombustíveis.
Para 2026, a empresa de cilindros projeta fornecer cerca de 2.100 cilindros para os pesados. A expectativa é que aproximadamente 30% desse volume seja destinado a projetos de companhias como a Comlurb (companhia de limpeza pública do Rio).

Embora a participação seja inferior à registrada no ano passado, o número absoluto de cilindros deve continuar crescendo, conforme a MAT.
A mudança ocorre em um momento de transformação do mercado de combustíveis e de tecnologias de propulsão. Enquanto os híbridos ganham espaço entre os automóveis, o gás natural derivado do petróleo e principalmente o biometano encontram oportunidades em aplicações de maior intensidade de uso, como caminhões de coleta de resíduos e outros veículos de operação urbana.
Segundo a MAT, a limpeza urbana reúne características que favorecem a utilização do biometano. São veículos que rodam intensamente, precisam de alta disponibilidade e têm operação concentrada nas cidades.

Quando há oferta local do combustível, a substituição do diesel pode gerar ganhos ambientais e operacionais sem exigir mudanças complexas na rotina.
Apesar do avanço da tecnologia, a expansão dos pesados movidos a gás ainda enfrenta um obstáculo: a infraestrutura de abastecimento. Segundo Luis Fernando Assaf, presidente da MAT, os que possuem pontos de abastecimento por GNV nem sempre estão preparados para receber os caminhões.
"Postos projetados para veículos leves carecem de espaço para manobras de carretas e apresentam tempos de enchimento inadequados para a dinâmica logística", afirmou o executivo.

Diante desse cenário, a companhia pretende ampliar sua atuação para além da fabricação de cilindros e participar do desenvolvimento de pontos de abastecimento corporativos. A estratégia busca abrir caminho para que transportadoras e empresas de limpeza urbana tenham estrutura própria para abastecer frotas.
A proposta é reduzir deslocamentos até postos públicos, além de diminuir as filas e os períodos de indisponibilidade dos veículos. Para a fabricante, a infraestrutura passa a ser parte importante da viabilidade econômica na migração do diesel para o gás.
"A frota de veículos pesados a gás é uma realidade irreversível no Brasil para a descarbonização, mas o abastecimento urbano tornou-se um ponto crítico", afirmou Assaf.

A MAT também vê no biometano uma oportunidade de expansão para o transporte pesado. Produzido a partir da purificação do biogás, o combustível pode ser utilizado em veículos preparados para GNV e tem potencial de redução significativa das emissões, dependendo da matéria-prima utilizada e do ciclo de vida considerado.
De acordo com a empresa, caminhões movidos por esse combustível renovável podem apresentar redução de até 90% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação aos modelos a diesel. O resultado, porém, varia conforme a origem do gás e a metodologia utilizada para calcular as emissões.
Outra vantagem apontada pela MAT é a redução do nível de ruído, característica especialmente relevante para veículos de coleta de resíduos que operam em áreas urbanas à noite.
"O objetivo é ser o protagonista da infraestrutura necessária para que o biometano deixe de ser uma promessa e se torne acessível às frotas de todo o país", disse o executivo.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/avanco-dos-carros-hibridos-influencia-segmento-de-caminhoes-movidos-a-gas.shtml.

Caminhões movidos a GNV (gás natural veicular) são usados no transporte de cargas e em serviços de limpeza urbana - Divulgação · Divulgação — Foto: UOL
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