Avacalhação da Justiça não tem fim, mas turma poderia dar uma trégua até o fim da eleição
A eleição para presidente até agora está sendo disputada em grande parte na delegacia, nos corredores do sistema de Justiça. Está evidente no embate entre André Mendonça e o enroladíssimo Alexandre de Moraes , ambos com conexões fortes na Polícia Federal e na política politiqueira. Ficou evidente no pinga-pinga das investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha das más companhias , no mínimo. Leia mais (09/02/2026 - 21h12)

Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA)
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A eleição para presidente até agora está sendo disputada em grande parte na delegacia, nos corredores do sistema de Justiça. Está evidente no embate entre André Mendonça e o enroladíssimo Alexandre de Moraes , ambos com conexões fortes na Polícia Federal e na política politiqueira. Ficou evidente no pinga-pinga das investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha das más companhias , no mínimo.
Está evidente na dosagem de vazamentos que até agora acertam mais em Luiz Inácio Lula da Silva. A PF se profissionalizou de fins dos anos 1990 a 2018. Agora, há de novo grupos da fuzarca, uns pró-Bolsonaro, uns pró-Lula.
Dos atuais dez ministros do STF , três foram Advogados-Gerais da União (AGU): Gilmar Mendes (de Fernando Henrique Cardoso), Dias Toffoli (de Lula) e André Mendonça. Um foi ministro da Justiça e AGU: Mendonça, de Jair Bolsonaro.

Outros dois foram ministros da Justiça: Alexandre de Moraes (Michel Temer) e Flávio Dino (Lula). Um outro ministro seria ex-AGU, Jorge Messias, barrado pelo Congresso e por erro soberbo de Lula . Se perder, Lula deixará quatro cadeiras no STF para o próximo presidente.
Metade do Supremo é composta, pois, por pessoas que foram da confiança de um presidente da República e com "bases" na PF ou no jogo político-judiciário. Ter sido ministro de governo não é suspeita ou prova de desqualificação e partidarismo (Toffoli foi do colo de Lula para os braços de Bolsonaro). Mas é risco político aumentado.
A politização do STF aumentou também por causa do que vai se chamar sumária e grosseiramente de judicialização da política. A corrupção federal (de petistas e, especialmente, de seus então aliados do centrão-direitão) e a revolta com as vitórias petistas nas urnas tiveram seu papel. Integrantes do STF passaram a fazer parte dos acordões político-partidários.
Impasses legislativos e o descompromisso do Congresso com decisões difíceis também ajudaram, assim como o aumento do banditismo parlamentar. O arrivismo de juízes é motivo: vão a farofas ricas, não raro de desclassificados, têm negócios que prosperam com a tribunância, têm parentes em tribunais superiores , em cargos arranjados ou que militam na advocacia familiar. Negócios são negócios, políticos inclusive.
Inconstância de decisões e procedimentos, quando não mera chicana, causa insegurança jurídica até na corte constitucional, o que é conveniente para arranjos políticos.
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Pessoas mais doutas terão explicações para essa degradação (para um curso permanente neste jornal, ler Conrado Hübner Mendes). Luís Francisco Carvalho Filho resumiu um problema nesta Folha : "O STF se tornou um monstrengo institucional quando perdeu o caráter de colegiado e se constituiu num organismo esdrúxulo, formado por onze gabinetes isolados, cada um com sua própria pauta de interesses políticos, negociais e administrativos". Como foi possível?
A politização do STF foi escancarada em momentos tais como o bate-boca entre Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa de 2009 ou aqueles do Mensalão (2012 e 2013). O STF foi na maioria conivente com lavajatices, que levaram Lula à prisão. Procedimentos judiciais porcos, a política de acertos interpoderes e o medo do bolsonarismo livraram Lula. Acordões se tornaram rotina desde o impeachment de Dilma Rousseff ("com Supremo, com tudo").
Difícil ver o fim dessa degradação. No mínimo, a turma poderia dar uma trégua na avacalhação até o fim da campanha.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2026/09/avacalhacao-da-justica-nao-tem-fim-mas-turma-poderia-dar-uma-tregua-ate-o-fim-da-eleicao.shtml.

Ministros do STF André Mendonça (à frente) e Alexandre de Moraes (atrás) em sessão ordinária - Adriano Machado - 2.set.26/Reuters · Adriano Machado - 2.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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