Autoridade Palestina adia eleições para setembro de 2027 e cita obstáculos
Palestinos não realizam eleições legislativas ou presidenciais desde 2005-2006; após esse período, o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, adiou neste sábado (10) as eleições legislativas que estavam previstas para o próximo mês, atribuindo o atraso a Israel e à situação de segurança nos territórios palestinos.
A votação ficou para 11 de setembro de 2027, data em que também foram convocadas eleições presidenciais.
O decreto de Abbas citou “obstáculos impostos por medidas israelenses” e a necessidade de estabelecer condições políticas, de segurança e locais adequadas para “eleições livres, justas e inclusivas”, informou a agência de notícias oficial palestina WAFA.

Em uma publicação na rede social X, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, ressaltando que a última eleição palestina ocorreu há duas décadas, rejeitou as declarações, classificando-as como “mais uma mentira ridícula destinada a evitar responsabilidades e prestar contas”.
Havia sérias dúvidas de que a votação da Autoridade Palestina ocorreria no próximo mês. Os palestinos não realizam eleições legislativas ou presidenciais desde 2005-2006.
Após esse período, o Hamas, que é rival da Autoridade Palestina, assumiu o controle de Gaza, expulsando os partidários do presidente Abbas — ele governa por decreto desde que seu mandato presidencial expirou, em 2009.

A Autoridade Palestina realizou eleições municipais em abril na Cisjordânia e em Deir al-Balah, no centro de Gaza, a única cidade do enclave a participar. Essa votação foi a primeira eleição realizada em Gaza desde 2006.
O decreto afirmou que ataques militares israelenses, a expansão de assentamentos, a violência de colonos e restrições de movimento na Cisjordânia (incluindo Jerusalém Oriental), somados à retenção contínua de receitas fiscais palestinas por parte de Israel, criaram desafios para a preparação e a realização das eleições neste mês de novembro.
Em relação a Gaza, o decreto apontou “condições excepcionais de segurança e humanitárias”, a retirada incompleta das forças israelenses, a falta de progresso na reconstrução e a falha na implementação de acordos para o envio de forças internacionais de estabilização e policiamento.

O documento convocou os palestinos de Jerusalém, da Cisjordânia e de Gaza a votar.
As restrições israelenses ao acesso de funcionários da comissão eleitoral e de observadores internacionais a Gaza e a Jerusalém Oriental também complicaram os preparativos, segundo o decreto.
Israel geralmente proíbe a Autoridade Palestina de realizar eleições em Jerusalém Oriental, território capturado na guerra de 1967 e posteriormente anexado em uma medida que a maioria dos países não reconhece.

A decisão sobre o adiamento ocorreu após consultas com facções e forças políticas palestinas. Também visava abrir espaço para um diálogo nacional palestino abrangente, com o objetivo de fortalecer a unidade e enfrentar os desafios do processo eleitoral.
Duas autoridades palestinas informaram à Reuters na quinta-feira (8) que líderes do movimento Fatah, de Abbas, e do grupo rival Hamas haviam concordado, em uma reunião no Cairo na quarta-feira (7), em adiar as eleições.
Uma pesquisa realizada em agosto pelo Centro Palestino de Pesquisa Política e de Opinião, sediado na Cisjordânia, indicou uma queda no apoio tanto ao Hamas quanto ao Fatah.

Muitos palestinos em Gaza e na Cisjordânia responsabilizam ambos pelas divisões políticas persistentes.
O adiamento ocorre poucas semanas depois de Mahmoud Abbas ter reafirmado o cronograma eleitoral para novembro em seu discurso de 24 de setembro na Assembleia Geral da ONU , em um esforço para promover reformas apoiadas pela comunidade internacional.
Ele havia se comprometido por escrito com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, a realizar eleições presidenciais e legislativas como parte do reconhecimento francês de um Estado palestino em setembro de 2025.

O Ministério das Relações Exteriores da França declarou, na quinta-feira, que a realização das eleições era essencial e saudou o lançamento de uma missão de observação eleitoral da União Europeia.
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Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/autoridade-palestina-adia-eleicoes-para-setembro-de-2027-e-cita-obstaculos/.

Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas • Jonathan Brady/Pool via REUTERS · • Jonathan Brady/Pool via REUTERS — Foto: CNN Brasil
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