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    Autofaturamento em empresa ligada a Dark Horse chamou atenção da polícia

    Instituto Conhecer Brasil, que pertence à Karina da Gama, apresentou notas emitidas pela própria empresa para justificar gastos à prefeitura

    Metrópoles
    13 de setembro de 2026 às 21:36
    Autofaturamento em empresa ligada a Dark Horse chamou atenção da polícia
    Foto: Metrópoles

    Faturas sem lastro fiscal, notas fiscais canceladas e o indício de que o Instituto Conhecer Brasil (ICB) emitiu notas para ele mesmo, uma espécie de “autofaturamento”, foram alguns dos motivos apresentados pela Polícia Civil de São Paulo para justificar à Justiça a necessidade de cumprir mandados de busca e apreensão contra a produtora do filme Dark Horse, em junho deste ano.

    Os detalhes da investigação policial sobre o contrato de R$ 108 milhões assinado pela Prefeitura de São Paulo com o ICB, empresa pertencente à produtora do filme Dark Horse, Karina da Gama, vieram à tona neste domingo (13/9), após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo sobre o material.

    A suspeita da polícia é de que parte desses recursos tenham sido desviados para custear a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    Fabio Arantes/ Secom
    Fabio Arantes/ Secom — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    As informações reveladas neste domingo mostram que reportagens publicadas por veículos de jornalismo auxiliaram o inquérito policial instaurado para apurar o contrato do ICB com a prefeitura para a instalação de pontos de Wi-Fi nos bairros de São Paulo.

    Ao solicitar à Justiça a autorização para cumprir mandados em endereços ligados a Karina da Gama e às empresas subcontratadas por ela, o delegado Antônio Carlos Munuera Silveira, da Divisão de Investigações Sobre Crimes Contra a Administração (DICCA) citou, por exemplo, reportagem que mostrou que o ICB usou notas emitidas por ele mesmo na prestação de contas à prefeitura de São Paulo.

    “As apurações da mídia constataram a existência de ao menos três notas fiscais emitidas pelo próprio Instituto Conhecer Brasil contra si mesmo, totalizando mais de R$ 1.400.000,00”, afirmou o delegado. As notas autofaturadas foram contestadas por um parecer técnico da prefeitura que analisou os documentos, mas o contrato com o ICB permaneceu ativo.

    Imagem colorida de placa do programa Wi-Fi Livre em SP. Metrópoles
    Imagem colorida de placa do programa Wi-Fi Livre em SP. Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O delegado do caso também citou à Justiça que o instituto de Karina da Gama apresentou à gestão Nunes quatro faturas da empresa Make One Tecnologia Digital no valor total de R$ 8,5 milhões sem mostrar notas fiscais que comprovassem o pagamento das faturas.

    Os boletos teriam numeração sequencial e foram emitidos no mesmo dia, o que indicaria, segundo a polícia, “uma montagem documental artificial para encobrir saídas ilegíveis de caixa”.

    Notas fiscais canceladas das empresas JR Feijão Ltda e Complexys Soluções Integradas Ltda, e a subcontratação da empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda, atual Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda, foram outros indícios de inconsistências financeiras e documentais citadas pelo delegado à Justiça.

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    Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Os argumentos foram acolhidos pela Justiça, que liberou o cumprimento dos mandados de busca e apreensão no primeiro semestre deste ano. No primeiro dia de junho, policiais foram a diversos endereços buscar informações sobre o caso.

    Como mostrou o Metrópoles , no endereço ligado à Complexys, a polícia descobriu que a empresa subcontratada pelo ICB funciona em uma pequena sala comercial na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, e divide espaço com uma clínica de fisioterapia e acupuntura . No local havia uma maca para atendimentos de pacientes.

    Neste mesmo dia, a polícia de São Paulo teve acesso ao celular de Karina da Gama. A produtora, no entanto, não passou a senha do aparelho para os policiais.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/autofaturamento-em-empresa-ligada-a-dark-horse-chamou-atencao-da-policia.

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