Ausente, Moro é chamado de “fujão”; educação é foco em debate no PR
Senador desistiu de participação e afirmou que debates eleitorais se transformaram em “rinha de galo”

A ausência do senador Sergio Moro (PL) no primeiro debate entre candidatos ao governo do Paraná foi alvo de críticas dos participantes Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD).
Durante uma discussão sobre investimentos no litoral paranaense, Requião Filho chamou Moro de " fujão " e afirmou que tanto o senador quanto Sandro Alex não conheciam o Estado.
"Me assustou uma coisa aqui. Eu achei que fujão que não conhecia o Paraná. Mas candidato disse que Guaraqueçaba é a única cidade do Paraná sem acesso asfaltado. Candidato, o senhor foi esses dias de helicóptero para Céu Azul e Doutor Ulysses. Não deu uma olhadianha para baixo, não? Doutor Ulysses não tem asfalto para chegar até lá", afirmou.

Sandro Alex também criticou a ausência de Moro. Na abertura do debate, chamou o senador de " covarde " e afirmou que a participação de todos os candidatos seria uma demonstração de respeito ao eleitor.
"Aqui estou eu, porque, para ser governador do Paraná, o homem não pode ser covarde, e eu não sou covarde. Eu represento hoje a direita do Paraná e, para ser direita, tem que ter coragem, porque a gente representa princípios e valores inegociáveis. [...] Eu gostaria que todos estivessem aqui, porque isso é respeito ao eleitor, respeito aos paranaenses. Só o fato de ele não estar presente já mostra que ele não está preparado para comandar esse Estado", afirmou.
Sergio Moro desistiu de participar do primeiro debate das eleições de 2026 , organizado e transmitido pela TV Bandeirantes em parceria com a TV Cultura, Gazeta e Jovem Pan, e informou a escolha por meio das redes sociais neste domingo.

Segundo Moro, os debates eleitorais se transformaram em uma "rinha de galo", marcada por brigas e ataques, sem apresentação de propostas ou discussão de temas relevantes.
O senador também afirmou que os demais candidatos, por estarem "desesperados", atuariam de forma combinada para atacá-lo, já que ele lidera as pesquisas.
"Não vou ao debate porque me recuso a entrar nesse jogo combinado. Não tenho medo de debate, não tenho medo de nada. Já enfrentei a corrupção e o crime organizado, mas o que enfrentamos agora é o acordo entre o PT e o PSD", afirmou.

Segundo a última pesquisa Quaest para o governo do Paraná, Moro lidera as intenções de voto, com 39%. Requião Filho aparece em segundo, com 18%. Sandro Alex está em quarto lugar, com 7%, atrás de Rafael Greca (MDB), que tem 12% e também não participará do debate.
Sem Moro, o debate foi marcado por um duelo entre Requião e Sandro. Os candidatos trocaram acusações sobre educação, privatização da Copel, segurança pública, carga tributária e obras no litoral. Enquanto Sandro defendeu a continuidade das políticas do atual governo, Requião Filho criticou medidas adotadas pela administração e questionou os resultados apresentados pelo adversário.
Um dos primeiros temas discutidos foi a manutenção das escolas cívico-militares no Paraná. Sandro Alex defendeu o modelo e citou o desempenho da educação estadual no (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Segundo ele, as escolas cívico-militares tiveram algumas das maiores notas no índice.

Ao questionar Requião Filho, Sandro perguntou se, caso eleito, ele fecharia as escolas. O candidato do PDT respondeu que não pretende encerrá-las, mas revisar o modelo adotado pela atual gestão.
“Não vamos fechar as escolas, nós vamos rever esse modelo de vocês, que não é um modelo pedagógico, é um modelo de propaganda, que não traz grandes resultados”, afirmou.
Sandro rebateu dizendo que o governo trabalha com metodologia, e não ideologia, e afirmou que há mais de 10 mil famílias aguardando vagas nas escolas cívico-militares. Segundo ele, o modelo deve ser ampliado para atender à demanda. Requião Filho voltou a criticar o formato e afirmou que insistir nas escolas cívico-militares seria uma decisão ideológica.

A privatização da Copel também provocou um dos principais embates do debate. Requião Filho criticou a venda de parte do controle da companhia e afirmou que o processo prejudicou a capacidade do Estado de influenciar a empresa.
“A Copel no Paraná foi privatizada e há questionamentos sobre como isso foi feito, mas isso é problema da PF. Minha preocupação é com quem paga a conta, com a indústria sofrendo”, disse.
O candidato do PDT afirmou ainda que, desde a privatização, a Copel não teria criado novas geradoras de energia e que o aumento do custo da eletricidade prejudica a indústria e o agronegócio. Fez acusações ainda sobre o envolvimento da Copel com instituições alvos de investigação, como o Banco Master. Para ele, deve haver a retomada do controle da companhia pelo Estado.

Sandro Alex rebateu as críticas e afirmou que o maior acionista da Copel continua sendo o povo do Paraná. Segundo ele, o Estado mantém participação na distribuição de dividendos e poder de veto na empresa.
O candidato também defendeu a privatização como uma modernização necessária para a companhia e afirmou que a medida permitiu ampliar a eficiência da empresa e atender ao crescimento econômico do Paraná. Segundo Sandro, propostas de retomada do controle da Copel poderiam provocar insegurança e até um “apagão” no estado.

Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/ausente-moro-e-chamado-de-fujao-educacao-se-destaca-entre-candidatos/.

Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Na ordem do dia, a primeira sessão de debates da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45/2023, que proíbe a posse e o porte de entorpecentes e drogas afins, seja qual for — Foto: CNN Brasil
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