Ausência de agenda real desestimula o eleitor a votar
As campanhas dos principais candidatos estão preocupadas com o grau de abstenção do eleitorado no domingo (4). Na disputa apertada, qualquer ponto é letra. Daí a movimentação para levar o brasileiro à urna. Leia mais (09/29/2026 - 11h07)

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As campanhas dos principais candidatos estão preocupadas com o grau de abstenção do eleitorado no domingo (4). Na disputa apertada, qualquer ponto é letra. Daí a movimentação para levar o brasileiro à urna.

Com a força e atenção de agora, esse tipo de mobilização é inédito neste país onde o voto obrigatório funciona como uma espécie de reserva de mercado que leva classe política a interditar qualquer debate sobre a adoção do voto facultativo .
A busca pelo estímulo do eleitor a fazer suas escolhas é, portanto, um fator positivo. Sacode um pouco a letargia dos partidos que vivem no conforto do financiamento público às suas atividades. Inclusive, e sobretudo, eleitorais.
Faltam às legendas e respectivos candidatos, contudo, se aterem às razões pelas quais há nesta eleição especial propensão do eleitorado a se abster de votar. São várias, mas podem ser resumidas no fato de que temos uma campanha desprovida de agenda da vida real das pessoas.

O tema principal era para ser a segurança, mas não foi. A economia, traduzida na sensação de carestia, tampouco ocupou o centro dos palanques. A melhoria dos serviços públicos nem sequer entrou no radar.
Planos de futuro ficaram reféns de referências do passado. Qual Brasil queremos e para onde vamos não importou aos pretendentes a presidente.
No lugar da discussão sobre essas demandas, chegamos às vésperas da primeira rodada da escolha crucial com os dois favoritos a ocupar a chefia da nação presos à inútil e falsa polêmica sobre a santa padroeira .
Nossa Senhora Aparecida não tem nada a ver com a indiferença de Luiz Inácio da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro ( PL ) à realidade e necessidades da população. Assim como a questão em tela não é de natureza religiosa.
Discute-se uma mentira e se faz dela um escancarado exercício de baixa política, no qual se inscrevem ministros do Supremo Tribunal Federal ( STF ).
E depois se espantam que o eleitorado esteja olhando para isso desanimado, entregue ao mais completo desencanto.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/09/ausencia-de-agenda-real-desestimula-o-eleitor-a-votar.shtml.

Fila para votar na Escola Estadual Arnaldo Barreto, no Tremembé (SP), no primeiro turno de 2022 - Rubens Cavallari - 2.out.22/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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