Aumento de recompra do Tesouro dos EUA ataca sintomas, não causa, diz JPMorgan
O banco americano JPMorgan afirmou, em relatório divulgado nesta quinta-feira (20), que o aumento das recompras de títulos pelo Tesouro dos Estados Unidos ataca os sintomas, mas não as causas da pressão sobre a taxa de juros de longo prazo americana. Leia mais (08/20/2026 - 17h17)

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O banco americano JPMorgan afirmou, em relatório divulgado nesta quinta-feira (20), que o aumento das recompras de títulos pelo Tesouro dos Estados Unidos ataca os sintomas, mas não as causas da pressão sobre a taxa de juros de longo prazo americana.

"Na ausência de uma consolidação fiscal real, tememos que os mercados vejam esta ação como carente de credibilidade, o que significa que isso poderia contribuir para prêmios de prazo e rendimentos mais altos ao longo do tempo, caso o Tesouro se torne mais oportunista em sua abordagem de gestão da dívida", afirma o relatório, assinado por Jay Barry, Jason Hunter, Harry Downie e Amanda Berke.
Na quarta-feira (19), o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou que dobrará o volume de recompras de títulos de longo prazo da dívida pública, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação. A medida envolve papéis com vencimentos entre 10 e 20 anos e entre 20 e 30 anos e tem como objetivo declarado dar mais liquidez ao mercado.
O anúncio ocorreu após o rendimento dos títulos de 30 anos chegar a quase 5,34% na terça-feira (18), o maior nível desde 2007. Quando os rendimentos sobem, os preços dos títulos caem, elevando o custo de financiamento de longo prazo para o governo e servindo de referência para outras modalidades de crédito, como financiamentos imobiliários.

A alta dos juros longos também reflete preocupações dos investidores com a trajetória fiscal americana. A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez na história .
Para o JPMorgan, a decisão do Tesouro é incomum porque não havia sinais de disfunção ou falta de liquidez no mercado que justificassem o aumento das recompras naquele momento.
"O Tesouro havia divulgado há apenas duas semanas, durante o anúncio de refinanciamento de agosto, o calendário de recompras para os próximos três meses. Não encontramos nada relacionado ao funcionamento do mercado que justificasse um aumento das recompras de títulos longos neste momento", diz o relatório.

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Segundo o banco, a decisão sinaliza que o Tesouro está desconfortável com a alta dos rendimentos de longo prazo. As recompras funcionam ao aumentar a demanda pelos títulos, o que tende a elevar seus preços e reduzir os rendimentos.
O JPMorgan ressalta, porém, que a medida não resolve os fatores que pressionam os juros longos, como as perspectivas para as contas públicas. Sem uma melhora efetiva da situação fiscal, o banco teme que uma atuação mais intervencionista do Tesouro possa, ao contrário, aumentar os rendimentos no futuro.

A decisão teve efeito imediato nos mercados. Nesta quarta-feira, o rendimento do título de 30 anos caiu 0,09 ponto percentual, para 5,2%, enquanto o de 10 anos recuou 0,07 ponto, para 4,64%. Nesta quinta-feira, porém, os rendimentos dos Treasuries de 10 e 30 anos subiam 5 pontos-base, para 4,698% e 5,242%, respectivamente.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/aumento-de-recompra-do-tesouro-dos-eua-ataca-sintomas-nao-causa-diz-jpmorgan.shtml.

Operador da Bolsa observa variação de ações e títulos públicos na Bolsa de Nova York - Michael M. Santiago/Getty Images via AFP · Michael M. Santiago/Getty Images via AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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