Política

    Ato de Lula tem bandeirão do Brasil, hino com Fafá e apelo à soberania

    Aliados citaram imperialismo dos Estados Unidos e ataques de Trump; petista falou em Mercosul e minerais críticos

    Poder360
    16 de agosto de 2026 às 17:26
    Ato de Lula tem bandeirão do Brasil, hino com Fafá e apelo à soberania
    Foto: Poder360

    Aliados citaram imperialismo dos Estados Unidos e ataques de Trump; petista falou em Mercosul e minerais críticos

    O ato de lançamento da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (16.ago.2026), no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), teve um bandeirão do Brasil erguido pelo próprio presidente e a cantora Fafá de Belém cantando o hino nacional. O evento teve incursões sobre soberania nacional, com o presidente e aliados mirando, direta ou indiretamente, o governo dos Estados Unidos e Donald Trump (Partido Republicano).

    A soberania tem sido o mote do atual governo Lula, que vive atritos com a Casa Branca desde o tarifaço imposto por Trump a produtos brasileiros. A cabeça por trás do discurso é Sidônio Palmeira, ministro-chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência). O Planalto tenta colar no candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro , a pecha de “entreguista” e “traidor da pátria” pelo alinhamento dele com o presidente norte-americano.

    Fafá de Belém canta o hino nacional no ato de lançamento da campanha de Lula, com bandeirão do Brasil ao fundo, no estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP)
    Fafá de Belém canta o hino nacional no ato de lançamento da campanha de Lula, com bandeirão do Brasil ao fundo, no estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP) — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

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    No evento, Lula, a primeira-dama Janja da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), Fernando Haddad (PT), Ana Estela e Lu Alckmin caminharam juntos, segurando a bandeira. Depois, sentaram-se na ponta do palco, ao sol, diante do público. Fafá de Belém subiu ao palco em seguida e cantou o hino nacional, acompanhada pela plateia.

    No campo do estádio, uma bandeira gigante do Brasil foi erguida pelos militantes. A cena ecoou uma crítica feita horas antes pela candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB). Sem citar Flávio Bolsonaro nominalmente, afirmou que os adversários de Lula “gritam Barrabás” enquanto dizem defender Deus e Cristo.

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    Ela também citou a manifestação de 7 de setembro de 2025 na Avenida Paulista, quando apoiadores de Jair Bolsonaro estenderam uma bandeira dos Estados Unidos durante um ato pela anistia do ex-presidente, e chamou os participantes de “traidores da pátria” .

    O tema ganha uma camada econômica no discurso de Lula. No plano de governo de Lula, ele promete “defender a soberania nacional e o protagonismo internacional do Brasil” .

    Durante o discurso, Lula tratou da exploração de minerais críticos e terras raras, tema que virou disputa direta entre China e Estados Unidos. Disse que o Brasil “não tem opção pela China, nem opção pelos Estados Unidos” e que é necessário explorar e industrializar essas riquezas internamente. Afirmou que não quer “nem com os Estados Unidos, nem com a Rússia, nem com a China, nem com a França, nem com a Inglaterra” a exploração desses recursos e que cabe ao Brasil “explorar em benefício do povo brasileiro” .

    O presidente também citou a criação do Ministério da Indústria e Comércio, sob o comando de Geraldo Alckmin, e o programa Nova Indústria Brasil, que teve, segundo ele, quase R$ 800 bilhões em investimentos.

    O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também tratou do tema. Citou acordos comerciais do Mercosul com Singapura e com a União Europeia, este último aguardado havia 25 anos, e disse que as exportações brasileiras já cresceram 4% em 2 meses de vigência do acordo europeu. Discursou em defesa “do nosso Pix” e “da nossa soberania” .

    A presidenta nacional do PCdoB, Nádia Campeão, disse no evento que a soberania do Brasil “está absolutamente atacada, ameaçada pelo imperialismo estadunidense” . Afirmou que os Estados Unidos “não tão mais escondendo nada” e classificou a eleição de outubro como decisiva para a soberania do Brasil e da América Latina.

    Já no início do ato, um orador que abriu os trabalhos defendeu a democracia e a soberania em tom de discurso de guerra, repetindo o refrão “eles não passarão” contra o que chamou de forças que querem tirar direitos do povo brasileiro.

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início à campanha neste domingo (16.ago.2026), em um ato no estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP). O local, conhecido anteriormente como estádio da Vila Euclides, ficou marcado por ser palco da militância de Lula no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, enquanto sindicalista.

    Foi berço da grande greve dos trabalhadores do ABC, em 1979, além de ter sido fundamental para o surgimento do movimento político e sindical que deu origem à CUT (Central Única dos Trabalhadores) e ao PT. A 1ª assembleia das greves contou com a participação de mais de 60.000 trabalhadores.

    O objetivo era obter um reajuste de 78,1%. Lula chegou a discursar em cima de uma mesa e usou um megafone para falar com os presentes.

    O petista havia sido eleito, em 1975, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema e reeleito em 1978. A entidade passou a contemplar a região do ABC.

    A sede do sindicato não tinha espaço suficiente para abrigar tantos trabalhadores. Daí a necessidade de utilizar o estádio da Vila Euclides.

    O PT pretendia contar com cerca de 20.000 pessoas no ato deste domingo (16.ago). Reuniu caravanas de diversos lugares do Brasil com militantes petistas e movimentos sociais, além de partidos aliados para ajudar a lotar o evento.

    O ato de domingo também serve para que Lula lance o slogan “O Brasil pronto pra mais” . É uma referência do PT e de Lula em relação ao que consideram realizações, a exemplo dos programas sociais criados pelo petista. Ao mesmo tempo, é uma sinalização para o que virá caso Lula obtenha um inédito 4º mandato.

    Lula já citou como prioridades a defesa nacional, a exploração de terras-raras e o ensino em tempo integral. A soberania tem sido o mote do governo, que tem tido atritos com os Estados Unidos. O Planalto busca colar no candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro , a pecha de “entreguista” e “traidor da pátria” pelo alinhamento com o chefe de Estado norte-americano, Donald Trump.

    Lula, 80 anos, será candidato ao Planalto pela 8ª vez. O petista oficializou a entrada na disputa à reeleição em 2 de agosto, durante ato no Expo Center Norte, na Vila Guilherme, em São Paulo (SP).

    Lula foi candidato em 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2018 e 2022. Em 2018, estava preso e teve o nome barrado pelo TSE com base na Lei da Ficha Limpa.

    Quando disputou para valer, o petista perdeu 3 vezes (1989, 1994 e 1998) e venceu em outras 3 ocasiões (2002, 2006 e 2022).

    Se reeleito, será o mais velho no posto: faz 81 anos em outubro deste ano. Lula também será o 1º brasileiro a vencer 4 eleições diretas para presidente.

    O Brasil já teve 9 eleições presidenciais que permitiam 2 turnos. Um petista sempre ficou como 1º (5 vezes) ou 2º colocado (4 vezes), mas nunca houve uma vitória petista no 1º turno.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/ato-de-lula-tem-bandeirao-do-brasil-hino-com-fafa-e-apelo-a-soberania/.

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    Fafá de Belém canta o hino nacional no ato de lançamento da campanha de Lula, com bandeirão do Brasil ao fundo, no estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP) — Foto: Poder360

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