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    Até onde a Selic pode cair?

    A economia brasileira perdeu fôlego desde a última reunião do Copom e abriu espaço para o Banco Central seguir com o ciclo de cortes. Mas crescer menos, por si só, não basta para que a Selic possa cair muito mais.

    UOL
    17 de setembro de 2026 às 00:00
    Até onde a Selic pode cair?
    Placa metálica com o nome Banco Central do Brasil fixada em parede de pedra escura, com logotipo ao lado direito. — Foto: UOL

    Diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management

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    Fachada da sede do Banco Central, em Brasília - Adriano Machado/Reuters · Adriano Machado/Reuters
    Fachada da sede do Banco Central, em Brasília - Adriano Machado/Reuters · Adriano Machado/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A economia brasileira perdeu fôlego desde a última reunião do Copom e abriu espaço para o Banco Central seguir com o ciclo de cortes. Mas crescer menos, por si só, não basta para que a Selic possa cair muito mais.

    A questão central é saber se a desaceleração será suficiente para reconduzir a inflação à meta, reancorar as expectativas e preservar a credibilidade da política monetária. A atual dinâmica da dívida pública, se persistir, atua na direção oposta: mantém pressionadas as expectativas de inflação e pode, em algum momento, alcançar o câmbio.

    Nesse caso, parte da desinflação produzida pela demanda mais fraca será neutralizada, estreitando o espaço para reduções mais expressivas dos juros .

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Esse risco cresceu com a mudança do cenário externo. É difícil imaginar o dólar persistentemente fraco quando o Fed volta a elevar os juros e sinaliza que eles permanecerão altos por bastante tempo. A alta de 25 pontos-base anunciada hoje, que levou a faixa dos Fed Funds para 3,75% a 4% , ganhou peso por vir acompanhada de uma normalização muito lenta e de uma revisão para cima da estimativa de juro neutro.

    A mensagem é clara: a política monetária precisará operar em terreno mais restritivo não apenas agora, mas por um período prolongado. O discurso também ganhou credibilidade porque, desta vez, a retórica dura veio acompanhada de ação.

    Ao subir os juros e admitir novas altas, o Fed deixou claro que a estabilidade de preços terá precedência sobre o risco de algum enfraquecimento da atividade.

    Essa postura se apoia em um diagnóstico mais firme sobre a economia americana. O consumo segue resiliente, o mercado de trabalho permanece robusto e as projeções passaram a combinar crescimento maior com desemprego menor, enquanto a inflação continua acima do desejado.

    A alta do petróleo torna o quadro ainda mais delicado. Em circunstâncias normais, um choque temporário de energia poderia ser tratado como passageiro; após anos de inflação acima da meta e sucessivas surpresas, porém, aumenta o risco de propagação para outros preços, salários e expectativas.

    Para o Brasil, a combinação de um dólar mais forte com um diferencial de juros menor, embora ainda elevado, reduz a sustentação externa do real. Somada à fragilidade fiscal, essa configuração pode neutralizar parte da desinflação decorrente da atividade mais fraca e estabelecer um piso para a queda da Selic.

    Apesar desse cenário global mais desafiador, o Copom reduziu a Selic em 25 pontos-base, para 13,75% , com uma comunicação muito semelhante à da reunião anterior. Ao não sinalizar uma pausa nem alterar de forma relevante sua avaliação do cenário, o comitê parece confortável em dar continuidade ao ciclo, provavelmente já na próxima reunião, desde que não haja deterioração adicional.

    Essa disposição chama atenção diante de juros globais e preços do petróleo mais altos, da baixa visibilidade sobre a trajetória fiscal doméstica e da resistência das expectativas de médio e longo prazos, que ainda não mostram melhora consistente, apesar das revisões para baixo da inflação de 2026.

    O espaço para novos cortes dependerá, em última instância, de uma trajetória fiscal capaz de estabilizar a dívida. Sem essa perspectiva, o prêmio de risco e o juro neutro permanecerão elevados, enquanto o câmbio ficará mais vulnerável em um ambiente de juros americanos altos e de menor espaço para o enfraquecimento adicional do dólar.

    A desaceleração da economia pode permitir que o Copom continue reduzindo a Selic no curto prazo, mas não garante, por si só, um ciclo amplo. No fim, o limite para a queda dos juros será dado menos pela perda de fôlego da atividade do que pela credibilidade do regime macroeconômico.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/solange-srour/2026/09/ate-onde-a-selic-pode-cair.shtml.

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    Fachada da sede do Banco Central, em Brasília - Adriano Machado/Reuters · Adriano Machado/Reuters — Foto: UOL

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