Até 100 mil satélites no espaço é um nível suportável para astronomia, diz cientista
Um novo estudo voltou a apontar a ameaça que o aumento de satélites em órbita representa para a observação do Cosmos. O trabalho saiu na revista Astronomy & Astrophysics , no fim do mês passado. Leia mais (08/24/2026 - 14h00)

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Um novo estudo voltou a apontar a ameaça que o aumento de satélites em órbita representa para a observação do Cosmos. O trabalho saiu na revista Astronomy & Astrophysics , no fim do mês passado.

O Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), que opera telescópios no norte do Chile , é autor dessa pesquisa. O risco baseou-se nas propostas para lançamento de mais de 1,7 milhão de satélites. Hoje, existem cerca de 15 mil em órbita.
Rastros brilhantes de luz deixados pelos satélites podem interferir no funcionamento dos observatórios e na qualidade das fotografias do céu noturno.
"Cada um desses satélites, ao cruzar o campo de visão de um telescópio, deixa uma linha brilhante", disse o astrônomo do ESO Olivier Hainaut, autor do estudo.

Um único rastro de luz seria um incômodo pontual, mas, quando o número se multiplica, podem surgir problemas graves. Cada rastro obscurece uma pequena parte da visão do espaço pelo telescópio, disse Hainaut.
A indústria global de satélites cresceu sobretudo desde 2019, impulsionada por serviços de internet como o Starlink, da SpaceX de Elon Musk , e o Leo, da Amazon .
As conclusões do estudo partiram de simulações realizadas no Observatório de Paranal, no deserto de Atacama, no Chile.

Um modelo examinou uma constelação de até um milhão de satélites, com milhares de objetos iluminados visíveis acima do Very Large Telescope (VLT) do ESO no Atacama logo após o pôr do Sol.
Hainaut disse que o impacto dependeria tanto do número quanto do brilho dos satélites em órbita.
"Se houver 100 mil, esse é um nível de impacto suportável", disse Hainaut.
Se houver 300 mil, alguns telescópios poderiam ficar privados da maior parte de seus dados, acrescentou o astrônomo.
Apesar das preocupações, os pesquisadores afirmaram que os benefícios dos serviços de internet via satélite não devem ser minimizados e que o desafio está em equilibrar os avanços tecnológicos com as descobertas científicas.
"O problema é que esse tipo de pesquisa leva tempo, mas os satélites já estão sendo lançados", afirmou Hainaut.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/08/ate-100-mil-satelites-no-espaco-e-um-nivel-suportavel-para-astronomia-diz-cientista.shtml.

Rastros de satélites cruzam o céu noturno sobre o Deserto do Atacama, no Chile, em imagem composta a partir de um vídeo em time-lapse gravado em 15 de outubro de 2025 - F. Kamphues, ESO/M. Kornmesser/via Reuters · F. Kamphues, ESO/M. Kornme — Foto: Folha de S.Paulo
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