Brasil

    Ataque russo mata 16 em Kiev; Zelenski pede mais ajuda

    Como tem virado norma, defesas ucranianas não conseguiram barrar nenhum míssil balístico na ação

    UOL
    20 de agosto de 2026 às 12:00
    Ataque russo mata 16 em Kiev; Zelenski pede mais ajuda
    Explosão iluminada em área urbana durante a noite, com grande nuvem de fumaça alaranjada e trilha vertical de foguete no céu. — Foto: UOL

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    As defesas aéreas da Ucrânia voltaram a se mostrar insuficientes contra uma barragem de mísseis balísticos da Rússia nesta quinta-feira (20), quando um ataque das forças de Vladimir Putin matou ao menos 16 pessoas e deixou mais de 40 feridos em Kiev e região.

    Mísseis russos atingem Kiev, capital da Ucrânia, durante ataque na madrugada desta quinta (20) - Eugene Kotenko/AFP · Eugene Kotenko/AFP
    Mísseis russos atingem Kiev, capital da Ucrânia, durante ataque na madrugada desta quinta (20) - Eugene Kotenko/AFP · Eugene Kotenko/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Os interceptadores para sistemas [antiaéreos americanos] Patriot ainda não foram substituídos. Infelizmente, a resposta do mundo a tais ataques não é sempre adequada", queixou-se o presidente Volodimir Zelenski no Telegram.

    O pedido por mais ajuda tem sido uma constante nas últimas semanas, desde que o líder fracassou em convencer Donald Trump a fornecer mais mísseis com capacidade de conter ameaças balísticas. Além da tendência do americano de favorecer Putin, os estoques de interceptadores estão baixos devido à guerra no Irã .

    Segundo Zelenski, cada dia sem mísseis para os Patriots "custam vidas".

    Rússia faz mega-ataque contra a Ucrânia
    Rússia faz mega-ataque contra a Ucrânia — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Desta vez, a Força Aérea ucraniana não revelou quantos mísseis balísticos e hipersônicos foram empregados, apenas dizendo que dezenas deles não foram interceptadas. Contra armas menos velozes , disse ter tido uma defesa mais eficaz: derrubou 145 de 168 drones e 39 de 44 mísseis de cruzeiro.

    As cenas de moradores da capital procurando refúgio no metrô da cidade se repetiram, e grandes incêndios foram registrados em centros de empresas de logística, emulando a campanha de Kiev contra a gigante do varejo online russo Wildberries.

    Houve também bombardeios contra a região de Odessa, principal porto da Ucrânia, que tem defesas aéreas menos sofisticadas do que as da capital. Ao menos dois drones empregados no ataque se extraviaram e caíram em países vizinhos, a Romênia e Moldova, sem consequências sérias.

    Imagem da matéria
    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os ucranianos também lançaram drones contra a Rússia, atingindo instalações petrolíferas em duas regiões, mas sem danos relevantes, mortes ou ferimentos relatados.

    A alta mortalidade de civis é uma das marcas da fase atual da guerra, que mais registrou mortes de não combatentes desde março de 2022, o primeiro mês cheio da invasão russa. Se em janeiro morriam 7,1 pessoas por dia nas contas de um agregador americano de dados abertos, em julho foram 21,8, 85% delas na Ucrânia.

    No X, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen , respondeu a Zelenski. Disse que os membros do bloco estavam trabalhando para fornecer ajuda de defesa antiaérea "como a mais urgente das prioridades".

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O problema é que os estoques europeus de interceptadores para o sistema Patriot estão tão críticos quanto o dos americanos, segundo os relatos disponíveis. E as baterias fabricadas no continente, ainda se fossem dadas para Kiev, não são tão eficazes contra mísseis balísticos.

    A pressão militar se soma à crise política envolvendo o governo de Zelenski. Antes dos ataques, Kiev registrou mais um protesto contra a demissão de Mikhailo Fedorov do Ministério da Defesa, ocorrida em julho.

    Na quarta (19), o Parlamento confirmou o nome do substituto do popular político, Iehvenni Khmara. Na véspera, Fedorov quebrou o silêncio relativo que vinha mantendo e criticou o governo Zelenski, demandando a realização de eleições presidenciais mesmo com o impedimento da vigência da lei marcial.

    O mandato de Zelenski expirou em maio de 2024 e, quando o assunto é dissenso interno, costuma ser implacável. Antes de Fedorov, ele havia demitido há dois anos outra figura que lhe ameaçava politicamente, o então chefe das Forças Armadas, Valeri Zalujni.

    Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo

    A turbulência é temperada pela continuidade dos escândalos de corrupção envolvendo seu governo. Na quarta, o presidente teve de exonerar a vice-chefe de seu gabinete pessoal, acusada de envolvimento em lavagem de dinheiro, mesmo motivo da queda do seu superior e braço-direito de Zelenski no começo do ano.

    Na congelada frente diplomática, a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, disse ao jornal Izvestia que não recebeu a proposta que Zelenski havia dito ter enviado por meio de um mediador para reabrir as negociações.

    Ao mesmo tempo, ela sugeriu que a Rússia está pronta para receber os enviados de Trump para o conflito, Steve Witkoff e Jared Kushner, a qualquer momento. Envolvido com sua guerra no Oriente Médio , o americano deixou o conflito na Ucrânia de lado desde o fim de fevereiro.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/ataque-russo-mata-16-em-kiev-zelenski-pede-mais-ajuda.shtml.

    Imagem 1
    1 / 4

    Mísseis russos atingem Kiev, capital da Ucrânia, durante ataque na madrugada desta quinta (20) - Eugene Kotenko/AFP · Eugene Kotenko/AFP — Foto: UOL

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)