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    Ataque de juízes prejudica neutralidade da eleição

    Um patrimônio da democracia brasileira está ameaçado. As constantes e cada vez mais audaciosas intervenções impróprias e partidárias de juízes do Supremo Tribunal Federal no processo eleitoral estão corroendo a autoridade da arbitragem do processo, que deveria ser neutra, previsível e equidistante. Leia mais (10/01/2026 - 22h30)

    Folha de S.Paulo
    2 de outubro de 2026 às 01:30
    Ataque de juízes prejudica neutralidade da eleição
    Homem calvo com óculos, vestido com terno escuro, gravata azul clara e toga preta, sentado em cadeira de couro marrom em ambiente formal, com expressão séria e mãos entrelaçadas. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) - Pedro Ladeira - 12.ago.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 12.ago.26/Folhapress
    Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) - Pedro Ladeira - 12.ago.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 12.ago.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Um patrimônio da democracia brasileira está ameaçado. As constantes e cada vez mais audaciosas intervenções impróprias e partidárias de juízes do Supremo Tribunal Federal no processo eleitoral estão corroendo a autoridade da arbitragem do processo, que deveria ser neutra, previsível e equidistante.

    O que Jair Bolsonaro ( PL ) cogitou fazer pela força, e por isso foi com razão processado e condenado, algumas autoridades que atuaram no seu julgamento o fazem agora, movidas pelo desespero da autopreservação. Rasgam a toga, atropelam os ritos e fazem o diabo para favorecer a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ).

    O ministro Gilmar Mendes acaba de atropelar decisão de sua colega Cármen Lúcia para obrigar a TV Globo a aceitar a presença do candidato do Missão, Renan Santos , no debate presidencial que estava marcado para para esta quinta (1). Tomou atalho processual e monocrático de fazer corar a tradição centenária da corte.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Renan não tem respaldo da lei eleitoral para receber assento obrigatório no debate. Ganhou o tíquete de presente de Gilmar porque prometia atazanar Flávio Bolsonaro (PL) no programa. No pretexto do juiz, de preservar a liberdade de expressão, acredita apenas quem não assistiu ao festival de censuras protagonizado pelo Supremo, com o endosso do decano, nos últimos anos.

    Mas censura de fato também não faltou nesse episódio abominável. A magistrada do TSE Estela Aranha, ligada a Flávio Dino , do STF , impediu, numa outra canetada solitária, a emissora carioca de exibir a cadeira vazia reservada a Lula, que decidira não comparecer ao evento.

    Na agonia para favorecer o incumbente, agora se decide o que uma emissora pode transmitir ao público num debate. A cadeira vazia, símbolo do desprezo dos candidatos pela prestação de contas, tem uma longa tradição no Brasil. Mas a Lula, casuisticamente, não se aplica. O debate foi cancelado , e só os petistas comemoraram.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Onde a marcha do arbítrio vai parar não se sabe. Intervir com tal descaramento na mediação do processo em plena disputa eleitoral seria há pouco tempo impensável, algo associado a repúblicas de bananas. Não é mais.

    Destruir o que a Nova República levou 40 anos para colocar de pé não pode ser o preço da luta pela sobrevivência individual. Tudo o que os inimigos da Constituição de 1988 desejam é que o regime se enfraqueça para que seja mais fácil subvertê-lo com seus projetos tirânicos.

    É irônico, mas verdadeiro, que a autodestruição seja conduzida por quem tem o dever de defender a Carta.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/ataque-de-juizes-prejudica-neutralidade-da-eleicao.shtml.

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    Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) - Pedro Ladeira - 12.ago.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 12.ago.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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