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    Astrônomos descobrem primeira corrente estelar fora da Via Láctea

    Achado permite estudar a distribuição de matéria escura em galáxias distantes com uma técnica antes restrita à Via Láctea O post Astrônomos descobrem primeira corrente estelar fora da Via Láctea apareceu primeiro em Olhar Digital .

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    14 de agosto de 2026 às 12:43
    Astrônomos descobrem primeira corrente estelar fora da Via Láctea
    Foto: Olhar Digital

    Uma equipe internacional de pesquisadores identificou, pela primeira vez fora da Via Láctea, uma corrente estelar formada a partir de um aglomerado globular. O fenômeno foi encontrado na galáxia ultradifusa UGC9050-Dw1 e descrito em um estudo publicado na revista Nature na última quarta-feira (12).

    A descoberta foi conduzida pela doutoranda Julie Kiel Holm, do Niels Bohr Institute, pela professora associada Sarah Pearson, da DTU Space, e por colaboradores de diferentes instituições. O resultado amplia para outras galáxias uma técnica que já era empregada no estudo da distribuição de matéria escura dentro da Via Láctea.

    A importância do achado está justamente na possibilidade de usar essas estruturas extremamente tênues como rastros da ação gravitacional. A análise da corrente permitiu aos cientistas obter novas estimativas sobre a massa da UGC9050-Dw1 e sobre a quantidade de matéria escura presente em seu halo.

    Via Láctea – Imagem: McCarthy's PhotoWorks/Shutterstock
    Via Láctea – Imagem: McCarthy's PhotoWorks/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Correntes estelares são estruturas alongadas compostas por estrelas que se desprenderam de aglomerados globulares, concentrações densas de estrelas mantidas unidas pela gravidade. Com o tempo, a interação gravitacional com a galáxia hospedeira retira parte dessas estrelas do aglomerado e produz uma espécie de trilha no espaço.

    Essas formações são particularmente valiosas para a astronomia porque sua trajetória responde à distribuição de massa da galáxia. Como a matéria escura não pode ser observada diretamente por meio da luz, seus efeitos gravitacionais podem servir como uma forma indireta de investigá-la.

    Até agora, porém, esse recurso estava restrito à Via Láctea. A dificuldade aumenta consideravelmente quando os pesquisadores tentam localizar correntes desse tipo em outras galáxias, pois o brilho dessas estruturas é muito baixo.

    Estrelas brilhantes – Imagem: Triff/Shutterstock
    Estrelas brilhantes – Imagem: Triff/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Foi nesse cenário que UGC9050-Dw1 se tornou especialmente relevante. A galáxia pertence à categoria das ultradifusas, caracterizadas por emitirem pouca luz. Encontrar uma corrente estelar em um ambiente tão tênue representou, portanto, uma combinação rara de dois desafios observacionais.

    A pesquisa não se limitou a registrar a existência da estrutura. Os autores utilizaram a corrente para estudar a distribuição de massa da galáxia e estimar propriedades de seu halo de matéria escura. Os resultados ficaram de acordo com conclusões de trabalhos anteriores sobre a UGC9050-Dw1, mas chegaram a elas por meio de uma ferramenta diferente.

    Segundo Julie Kiel Holm, do Niels Bohr Institute, a principal novidade está em demonstrar que uma metodologia consolidada nos estudos da Via Láctea também pode ser aplicada a sistemas externos. A pesquisadora destacou que isso cria a possibilidade de examinar a matéria escura em outras galáxias com características distintas da nossa.

    Via Láctea
    Via Láctea — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Para Sarah Pearson, da DTU Space, a descoberta também pode ampliar o campo de investigação para um número maior de galáxias ultradifusas. A expectativa é que correntes estelares desse tipo se tornem mais acessíveis à observação com a expansão dos grandes conjuntos de dados astronômicos e das técnicas avançadas de análise.

    A matéria escura representa aproximadamente 80% a 85% de toda a matéria do Universo, mas sua natureza continua desconhecida. Por isso, a capacidade de estudar sua distribuição em diferentes ambientes galácticos pode ajudar a construir uma visão mais abrangente de seu comportamento.

    O estudo foi assinado por Julie Kiel Holm, Sarah Pearson, Jacob Nibauer, David J. Sand, Adrian M. Price-Whelan, Tjitske Starkenburg, David Hendel e Catherine Fielder. O trabalho recebeu financiamento da Villum Foundation e do European Research Council.

    Galáxia em espiral
    Galáxia em espiral — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Os pesquisadores também apontam para o potencial de observatórios espaciais que ampliarão a capacidade de localizar estruturas extremamente fracas. Entre eles estão o telescópio espacial Euclid e o Nancy Grace Roman Space Telescope, que podem aumentar de forma expressiva a quantidade de correntes estelares detectáveis.

    A expectativa, portanto, vai além da UGC9050-Dw1. Se estruturas semelhantes forem encontradas em uma quantidade maior de galáxias, elas poderão servir como instrumentos para comparar a distribuição de matéria escura em diferentes sistemas e, assim, ampliar o conhecimento sobre um dos maiores enigmas da cosmologia.

    Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.

    Via Láctea – Imagem: McCarthy's PhotoWorks/Shutterstock
    Via Láctea – Imagem: McCarthy's PhotoWorks/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    Estrelas brilhantes – Imagem: Triff/Shutterstock
    Estrelas brilhantes – Imagem: Triff/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/14/ciencia-e-espaco/astronomos-descobrem-primeira-corrente-estelar-fora-da-via-lactea/.

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    Via Láctea – Imagem: McCarthy's PhotoWorks/Shutterstock — Foto: Olhar Digital

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