Astrônoma conta a verdade de como é observar as estrelas como profissão
Estrelas Herbig-Haro 46/47, vistas pelo telescópio James Webb. NASA, ESA, CSA, J. DePasquale (STScI) Jodie Foster dirigindo às pressas por uma estrada de terra, gritando coordenadas do céu em um walkie-talkie, como no filme de ficção científica Contato, de 1997. Salas de controle agitadas por uma cacofonia de “ampliem esse sinal”. Descobertas em tempo real. Era isso que eu imaginava quando meu orientador de doutorado me disse que eu iria fazer observações em um telescópio. Corta para as 2h da manhã no topo de uma montanha em La Palma, em abril passado, a uma altitude que faz você esquecer que
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Estrelas Herbig-Haro 46/47, vistas pelo telescópio James Webb. — Foto: NASA, ESA, CSA, J. DePasquale (STScI)
Jodie Foster dirigindo às pressas por uma estrada de terra, gritando coordenadas do céu em um walkie-talkie, como no filme de ficção científica Contato , de 1997. Salas de controle agitadas por uma cacofonia de “ampliem esse sinal”. Descobertas em tempo real. Era isso que eu imaginava quando meu orientador de doutorado me disse que eu iria fazer observações em um telescópio.
Corta para as 2h da manhã no topo de uma montanha em La Palma, em abril passado, a uma altitude que faz você esquecer que está nas tropicais Ilhas Canárias. Estava um frio de rachar, e eu tinha me vestido com roupas leves, adequadas para o arquipélago ensolarado. Quase deixei cair minha caneca ao tentar fechar a porta do telescópio contra o vento.

Café e comida me esperavam a dois minutos de distância, no prédio de serviços. Na escuridão, o vento agarrou um pedaço solto de tecido e me deixou morrendo de susto. Eu caí em menos de 30 segundos. Ventos de 40 km/h não são incomuns no observatório; eu simplesmente estava totalmente despreparada.
Sentei na estrada, lamentando a perda de minha dignidade. E olhei para cima. Pela primeira vez na vida, vi a Via Láctea diretamente. Ela pintava o céu, lembrando-me violentamente da minha insignificância. Nada na minha vida jamais se comparou a isso. Permiti me deleitar com aquela visão por dez minutos. Então, o trabalho me chamou: eu precisava de café e não tinha dito ao meu colega qual estrela era a próxima na programação das observações.
Como se prepara uma noite de observação?
Uma noite no telescópio começa ainda à tarde. Por volta das 16h, meu colega, que estava me treinando para usar o telescópio, e eu dirigimos até o Nordic Optical Telescope. É um equipamento magnífico, com um diâmetro de 2,56 metros. Ele capta luz estelar suficiente para medições extremamente precisas.
Cada instrumento e filtro precisava ser cuidadosamente testado. Da minha parte, isso significava escrever algumas linhas de código. O operador do telescópio verificou se tudo funcionava corretamente e configurou o equipamento. Enquanto as calibrações eram realizadas, comecei a programar as observações da noite.
O tempo de uso do telescópio é limitado; portanto, ter três noites no comando significava que eu precisava aproveitar cada segundo possível. Hollywood não me preparou para a quantidade de planilhas que isso envolve. Esse tipo de programação exige um equilíbrio cuidadoso entre muitos fatores. Por exemplo, observar estrelas próximas umas das outras no céu noturno de forma consecutiva para evitar perder muito tempo reorientando o telescópio.
Assim que a calibração e o planejamento foram concluídos, observei o pôr do Sol. Foi lindo, mas também um aviso — o turno de trabalho começaria em breve. Se você pegar o momento certo, pode ver uma pequena frota de astrônomos em carros a caminho de seus respectivos telescópios.
A montanha ganhou vida com as cúpulas se abrindo, captando a primeira luz das estrelas da noite. Há mais de 20 telescópios no observatório na montanha, cujas especialidades vão desde a observação de supernovas até exoplanetas (qualquer planeta além do nosso Sistema Solar).
Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2026/08/20/astronoma-conta-a-verdade-de-como-e-observar-as-estrelas-como-profissao.ghtml.

Agora no g1 — Foto: G1
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