Associação de rádios e TVs aciona STF contra proibição das bets
Abert diz que medida prejudica veículos com contratos de publicidade em vigor

Abert diz que medida prejudica veículos com contratos de publicidade em vigor
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão acionou o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal , contra a medida provisória que proibiu o funcionamento das chamadas bets no Brasil. Em documento ( íntegra – PDF – 521 kB), a Abert diz que a MP não afeta apenas as empresas de apostas, mas também veículos de comunicação que têm contratos comerciais em vigor.
Na última 6ª feira (25.set), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou uma MP que baniu tanto o jogo do Tigrinho e os cassinos on-line quanto as plataformas que permitem apostas esportivas, como no futebol.

A Abert se manifestou nas ações diretas de inconstitucionalidades sobre o tema que estão sob relatoria de Fux, em apoio ao pedido cautelar apresentado pela Associação Nacional de Jogos e Loterias e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável.
A ANJL e o IBJR pediram a suspensão da eficácia da MP até a conclusão da sua apreciação pelo Congresso ou até o julgamento de mérito da ação. As instituições falaram em inconstitucionalidade e mencionaram prejuízo bilionário para as empresas. Leia a íntegra (PDF – 798 kB).
Segundo a Abert, a edição da MP tem desvio de finalidade. A entidade argumenta que o ato foi editado faltando pouco dias para o 1º turno das eleições, marcado para 4 de outubro. A Abert afirma que “os problemas invocados para justificar a proibição já eram conhecidos e já haviam recebido respostas regulatórias”.
Lê-se no documento: “A questão não consiste em negar a existência de danos associados às apostas de quota fixa; trata-se de verificar se, no momento da edição da MP, havia situação de gravidade iminente que agravasse os riscos inerentes à realidade regulada. A resposta é negativa” .
A entidade diz que o governo federal, antes da campanha eleitoral, se manifestava pela regulação.
“São diversas e notórias as notícias acerca da popularidade do tema no debate público e sobre a influência do momento eleitoral nas estratégias de campanha dos candidatos, dentre os quais o atual presidente da República” , diz a associação.
“A abordagem em prol da regulação, não da proibição, rompeu-se no curso do pleito eleitoral” , declara.
A Abert destaca prejuízos diretos às emissoras de rádio e TV que representa. Trecho da MP determina a retirada de todo material publicitário e de patrocínio ligado a apostas no prazo de 10 dias.
“É dizer: ao interferir na liberdade de produção e programação dos veículos e nas relações contratuais regularmente constituídas com anunciantes e patrocinadores, a medida afeta substancialmente as atividades desenvolvidas pelas associadas da Abert” , diz a entidade.
A associação sustenta que a publicidade comercial é protegida pela liberdade de expressão e que a Constituição estabelece condições específicas para restringir a propaganda de produtos e serviços que possam ser nocivos à saúde. Segundo a Abert, essas restrições devem ser estabelecidas por lei formal, não por medida provisória.
“Para a preservação ao arcabouço da liberdade de expressão, não é possível a imposição de restrições à publicidade, ainda que de produtos nocivos à saúde, senão por meio de lei em sentido estrito” , diz.
A Abert afirma que as empresas receberam autorizações com prazo de 5 anos, mediante pagamento de R$ 30 milhões, e organizaram suas atividades com base nesse regime. Segundo a associação, elas fizeram investimentos, contrataram trabalhadores, adquiriram tecnologia e celebraram contratos com terceiros, inclusive com emissoras de rádio e televisão.
“Ao extinguir antecipadamente autorizações onerosas e a termo, sem processo individual, prazo de transição ou restituição – ainda que parcial – dos valores pagos, a medida viola o direito de propriedade” , declara.
“A controvérsia, portanto, não se resume à conveniência de manter lícita a exploração das apostas. Diz respeito aos limites constitucionais impostos ao Estado quando decide proibir uma atividade que ele mesmo autorizou e pela qual exigiu contraprestação” , diz.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/associacao-de-radios-e-tvs-aciona-stf-contra-proibicao-das-bets/.

A Abert diz que a publicidade é protegida pela liberdade de expressão e que a Constituição estabelece condições para restringir a propaganda de produtos e serviços que possam ser nocivos à saúde; na foto, fachada do STF — Foto: Poder360
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