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    Assim nasce um cometa de curto período

    Em meio ao zoológico de objetos que compõem o Sistema Solar, há aqueles pequenos corpos que habitam as regiões mais distantes e frias, dentre os quais alguns acabam por descer ao setor mais ensolarado e ver seus gelos sublimarem por ação da radiação -são os cometas , que normalmente detectamos quando já estão nesse processo de decomposição gradual, formando uma coma e uma cauda. Agora, um grupo de astrônomos conseguiu flagrar o processo de transformação em seu início, ao observar o objeto conhecido como 450P/Loneos. Leia mais (09/06/2026 - 09h00)

    Folha de S.Paulo
    6 de setembro de 2026 às 12:00
    Assim nasce um cometa de curto período
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Imagem feita em várias faixas de infravermelho pelo Webb mostra coma e cauda se desenvolvendo no 450P/Loneos - Schambeau et al. · Schambeau et al.
    Imagem feita em várias faixas de infravermelho pelo Webb mostra coma e cauda se desenvolvendo no 450P/Loneos - Schambeau et al. · Schambeau et al. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em meio ao zoológico de objetos que compõem o Sistema Solar, há aqueles pequenos corpos que habitam as regiões mais distantes e frias, dentre os quais alguns acabam por descer ao setor mais ensolarado e ver seus gelos sublimarem por ação da radiação —são os cometas , que normalmente detectamos quando já estão nesse processo de decomposição gradual, formando uma coma e uma cauda. Agora, um grupo de astrônomos conseguiu flagrar o processo de transformação em seu início, ao observar o objeto conhecido como 450P/Loneos.

    Descoberto pelo Observatório Lowell, nos Estados Unidos, em 2004, ele pertence à classe dos centauros — nome dado os objetos que trafegam em meio às órbitas dos planetas gigantes, entre Júpiter e Netuno. Imagina-se que eles tenham origem além de Netuno, vindos do cinturão de Kuiper, e se encontrem entre os planetas após interações gravitacionais próximas.

    É um tráfego perigoso —como tentar atravessar uma rodovia—, e muitas vezes esses objetos acabam passando perto dos planetas gigantes. O encontro afeta a órbita de alguns deles a ponto de levá-los às regiões mais internas do sistema. Assim nascem os cometas de curto período, que completam uma volta em torno do Sol em no máximo 20 anos.

    Relembre cometas visíveis da Terra
    Relembre cometas visíveis da Terra — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O 450P/Loneos está quase lá. Sua órbita tem período de 22 anos e seu periélio (ponto de máxima aproximação do Sol) ocorre a 5,4 unidades astronômicas (UA é a distância Terra-Sol) e foi durante esse período que os astrônomos liderados por Charles Schambeau, da Universidade da Flórida Central, nos EUA, observaram o astro, usando o telescópio Gemini Norte, no Havaí, e o Telescópio Espacial James Webb.

    Eles notaram um princípio de atividade cometária no objeto —a formação de uma coma, uma sutil atmosfera causada pela sublimação dos materiais voláteis que compõem a superfície do astro. É uma novidade para o 450P/Loneos. Retrocedendo no tempo para saber onde o centauro esteve nos anos que precederam sua descoberta, os astrônomos constataram que ele passou a 4,6 milhões de km (0,03 UA) de Saturno em 1992, encontro que foi suficiente para baixar seu periélio à posição atual. Ali, ele não está muito distante de onde Júpiter trafega, a 5,2 UA do Sol, e é inevitável que em um ponto futuro os dois astros também façam um encontro, o que pode atirá-lo ainda mais para dentro do sistema, tornando-se efetivamente um cometa de curto período.

    Ao estudar e caracterizar sua evolução, os astrônomos poderão pela primeira vez observar o que acontece a um objeto desses durante esse processo de transformação, em que um centauro se converte em um cometa. Eles chegaram a simular a história orbital pregressa do objeto durante os últimos 500 anos e viram que o que está acontecendo com ele agora é mesmo novidade.

    As observações da coma do 450P pelo Webb indicam que ela é feita de dióxido de carbono sendo sublimado pela radiação solar. Há decerto muita água no astro, mas ela segue firmemente congelada naquelas condições. Isso deve mudar quando, daqui a alguns séculos ou milênios (um piscar de olhos na astronomia ), o astro se deslocar para regiões ainda mais internas do sistema. E assim nasce um cometa de curto período.

    O estudo de Schambeau e seus colegas foi aceito para publicação no periódico Planetary Science Journal.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/mensageiro-sideral/2026/09/assim-nasce-um-cometa-de-curto-periodo.shtml.

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    Imagem feita em várias faixas de infravermelho pelo Webb mostra coma e cauda se desenvolvendo no 450P/Loneos - Schambeau et al. · Schambeau et al. — Foto: Folha de S.Paulo

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