Assessor de Flávio propõe mudanças na Constituição para cortes de até R$ 200 bi e causa ruído na campanha
Os relatos de uma reunião do executivo Luiz Felipe Trevisan com investidores na Eurasia Group voltaram a circular no mercado financeiro e entre políticos e geraram ruídos na campanha de Flávio Bolsonaro . Leia mais (10/07/2026 - 13h05)

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Os relatos de uma reunião do executivo Luiz Felipe Trevisan com investidores na Eurasia Group voltaram a circular no mercado financeiro e entre políticos e geraram ruídos na campanha de Flávio Bolsonaro .
Assessor econômico do candidato, o ex-executivo do banco Itaú BBA é um dos integrantes da equipe que elaborou seu plano econômico, Trevisan elencou, no começo de setembro, uma série de medidas que fariam parte de um primeiro pacote a ser anunciado —e aprovado —ainda antes da posse, caso o filho de Jair Bolsonaro vença as eleições.
As medidas exigiriam mudanças na Constituição, e a estratégia, segundo Trevisan, seria aprová-las por meio do que foi definido, na Eurásia, como uma Super PEC (Proposta de Emenda à Constituição). Elas seriam submetidas ao atual Congresso Nacional.

Seria o inverso da PEC da Transição de Lula: em vez de abrir R$ 200 bi de espaço fiscal, ela cortaria R$ 200 bi de despesa. De acordo com os relatos, Trevisan teria afirmado que o avanço rápido da Super PEC poderia gerar uma forte queda do prêmio de risco e da curva de juros antes mesmo da posse.
As falas de Flávio Bolsonaro nesta semana, afirmando que terá maioria no Congresso Nacional para modificar a Carta Magna, impulsionaram novamente o envio das propostas de Trevisan a setores do mercado financeiro.
Integrantes da equipe de Flávio afirmaram à coluna que as propostas, hoje, causam ruído porque a promessa de cortar R$ 200 bi de gastos antes mesmo da posse é politicamente inviável —o que geraria uma decepção no mercado financeiro e um abalo na credibilidade do novo governo, caso seja Flávio o eleito.

A estratégia apresentada na Eurásia por Trevisan, de acordo com relatos, seria aprovar o pacote entre a eleição e a posse para aproveitar o pico de capital político de um presidente recém-eleito.
O ajuste pretendido chegaria a 1,5% do PIB, ficando entre R$ 190 bilhões e R$ 200 bilhões de gasto primário.
O ajuste de R$190–200 bi viria prioritariamente de dentro da máquina pública, evitando inicialmente Previdência ou cortes nos benefícios sociais.
A Super PEC abarcaria um conjunto de dez medidas, permitindo negociação sobre a composição dos cortes, mas preservando a magnitude total do ajuste.
O fim da reeleição seria usado como instrumento de barganha, e estava sendo tratado como um grande trunfo de Flávio Bolsonaro para aprovar o ajuste.
A lógica seria o filho de Jair Bolsonaro se comprometer a abrir mão de disputar de novo a Presidência em 2030, o que permitiria que ele absorvesse o custo político de reformas impopulares, governando por legado e não para a próxima eleição.
O fim da reeleição reduziria a percepção de um projeto de perpetuação dos Bolsonaro, facilitaria a aproximação com o Centrão, diminuiria resistência de potenciais candidatos em 2030, permitiria que medidas impopulares fossem concentradas no mandato de Flávio e construiria construir uma ponte para Tarcísio em 2030.
A equipe econônica do candidato teria reconhecido que há distorção na alocação de capital causada pela multiplicidade de incentivos tributários, mas teria dito que não pretende mexer em LCI/LCA ou debêntures incentivadas na PEC da Transição.
Na parte fiscal, a equipe de Flávio consideraria que substituir o atual arcabouço fiscal por outra regra não resolveria o problema e que seria necessário definir quem, entre Executivo, Congresso e Judiciário, pode criar despesa, sob quais critérios inclusive de responsabilização.
A Super PEC de Flávio reduziria o número de ministérios para no máximo dez, com corte de cargos, revisão de curvas salarias do funcionalismo, digitalização, gestão de imóveis da União e combate a fraudes.
O poder legislativo teria que cortar na carne, já que, pela proposta, o volume das emendas parlamentares cairia. A reforma do Judiciário, por outro lado, limitaria a criação de despesas por parte dos tribunais, como penduricalhos.
Ela também incluiria idade mínima para indicação ao STF, exigência de carreira na área jurídica e mandato de 15 anos para ministros do STF.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/10/assessor-de-flavio-propoe-mudancas-na-constituicao-para-cortes-de-ate-r-200-bi-e-causa-ruido-na-campanha.shtml.

Flávio Bolsonaro (PL) durante comício em Belo Horizonte, em 17 de agosto - Gledston Tavares - 17.ago.2026/AFP · Gledston Tavares - 17.ago.2026/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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