Assédio eleitoral no trabalho teve mais de 4 mil denúncias em duas eleições
Pressão por voto, ameaça de demissão e uso da hierarquia para influenciar funcionários podem caracterizar a prática

Com a aproximação das eleições de 2026 , casos de assédio eleitoral no ambiente de trabalho voltam ao radar de empresas e autoridades. Nas duas últimas eleições, o Ministério Público do Trabalho ( MPT ) recebeu 4.273 denúncias relacionadas à prática.
O maior volume ocorreu nas eleições gerais de 2022, quando foram registradas 3.371 queixas. Dois anos depois, durante as eleições municipais, foram 902 denúncias, uma redução de 73,2% em relação ao pleito anterior.
O assédio eleitoral ocorre quando trabalhadores são pressionados, constrangidos ou ameaçados em razão de suas escolhas políticas ou com o objetivo de influenciar o voto. Vale notar que a prática não se restringe a ordens explícitas para que o funcionário escolha determinado candidato.

Ameaças de demissão, promessas de benefícios vinculadas ao resultado das urnas e pressão política em grupos corporativos estão entre as condutas que podem caracterizar assédio. Dependendo do caso, até manifestações de gestores durante reuniões ou insinuações sobre consequências profissionais relacionadas à eleição podem criar situações de constrangimento.
Segundo o advogado Antonio Vasconcellos Junior, professor e doutor em Direito do Trabalho e Empresarial, empresas devem preparar gestores e lideranças para evitar que manifestações políticas se transformem em pressão sobre funcionários.
“O assédio eleitoral, embora menos conhecido, vem crescendo muito em anos eleitorais. A pressão ou coação para influenciar o posicionamento político do empregado pode gerar consequências sérias para a empresa”, afirmou o jurista. Entre as situações que podem caracterizar a prática estão:

Os casos podem resultar em pedidos de indenização por danos morais, investigações do MPT e ações civis públicas, a depender das circunstâncias e da abrangência da conduta.
Para Vasconcellos Junior, ter regras internas contra a prática não é suficiente. As empresas também precisam orientar gestores, manter canais efetivos para denúncias e investigar eventuais episódios.
Para as eleições de outubro, a orientação é que empresas estabeleçam previamente os limites para manifestações políticas no ambiente profissional e deixem claro às lideranças que a posição hierárquica não pode ser usada para interferir na liberdade de escolha dos trabalhadores.


Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/assedio-eleitoral-no-trabalho-teve-mais-de-4-mil-denuncias-em-duas-eleicoes.

Hugo Barreto/Metrópoles — Foto: Metrópoles
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