Brasil

    Assassinatos de indígenas sobem 22% e chegam a 258 casos em 2025

    Cimi registra 258 assassinatos de indígenas em 2025 e alerta para violência territorial, invasões e ataques contra comunidades

    Metrópoles
    13 de agosto de 2026 às 18:47
    Assassinatos de indígenas sobem 22% e chegam a 258 casos em 2025
    Foto: Metrópoles

    Em 2025, 258 indígenas foram assassinados no Brasil , segundo o relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), divulgado nesta quinta-feira (13/8).

    O número representa um aumento de 22,3% em relação a 2024, quando foram registrados 211 assassinatos. É o maior número de mortes violentas de indígenas dos últimos quatro anos.

    O levantamento também aponta que os assassinatos fazem parte de um cenário de violência estrutural contra os povos indígenas. Com base nos relatos das equipes de campo do Cimi e nos dados coletados pela entidade, o relatório identifica uma relação entre parte significativa das mortes e conflitos territoriais agravados pela demora do Estado brasileiro em concluir processos de demarcação de Terras Indígenas (TIs) .

    Carla Sena/Arte/Metrópoles
    Carla Sena/Arte/Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A entidade ainda chama atenção para a crueldade empregada em parte dos crimes, com registros de decapitações, mutilações, agressões físicas extremas e estupros.

    As vítimas, em sua maioria, eram homens e tinham menos de 30 anos. Mais de um em cada quatro assassinados (27,1%) não havia completado 20 anos.

    Roraima, Amazonas e Mato Grosso do Sul aparecem, pelo terceiro ano consecutivo, entre os estados com maior número de assassinatos de indígenas. Juntos, concentram 65,5% dos casos registrados em 2025.

    Assassinatos de indígenas sobem 22% e chegam a 258 casos em 2025
    Assassinatos de indígenas sobem 22% e chegam a 258 casos em 2025 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Veja o número de assassinatos por estado:

    Os dados oficiais de mortalidade apresentados no relatório foram obtidos pelo Cimi por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), de secretarias estaduais e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). Os registros de saúde pública, no entanto, não identificam o povo, o território ou a comunidade de origem das vítimas .

    O aumento dos assassinatos faz parte de um cenário mais amplo. As três grandes categorias de violência sistematizadas pelo Cimi registraram alta em 2025: violência contra a pessoa, violência por omissão do poder público e violência contra o patrimônio indígena.

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    Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Na violência contra a pessoa, os assassinatos passaram de 211 para 258 casos, alta de 22,3%. Entre os registros classificados como violência por omissão do poder público, os óbitos de crianças indígenas de até 4 anos aumentaram de 922 para 1.024, crescimento de 11%. Os suicídios passaram de 208 para 215, alta de 3,4%.

    Também houve aumento nos registros de violência contra o patrimônio, que incluem casos de omissão e morosidade na regularização das terras, conflitos relativos a direitos territoriais, invasões e danos ao patrimônio indígena.

    A violência de gênero atravessa parte dos casos mais graves registrados . Ao menos 64 mulheres indígenas foram assassinadas em 2025. Roraima concentrou o maior número de mortes, com 29 casos, seguido pelo Amazonas, com 14.

    Entre os casos destacados pelo relatório está o de Jessicléia Martins, adolescente Avá-Guarani de 17 anos, vítima de feminicídio em 20 de fevereiro de 2025, na comunidade indígena Yvy Okaju, em Guaíra, no oeste do Paraná.

    Segundo o relatório, ela era alvo de assédio sexual constante de um homem não indígena de 67 anos, que teria cometido o crime após meses de recusas da jovem. No dia do assassinato, ele invadiu a casa armado com uma faca e esfaqueou Jessicléia repetidas vezes. O agressor foi preso em flagrante e denunciado por feminicídio.

    O crime ocorreu em uma região marcada por conflitos e ataques frequentes contra os Avá-Guarani.

    Apesar de fundamental para garantir a sobrevivência física e cultural dos povos indígenas, a demarcação não tem sido suficiente para impedir invasões, exploração ilegal e outros tipos de violência.

    Pelo menos 151 Terras Indígenas foram afetadas por invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais ou danos diversos ao patrimônio em 2025. Dessas, 58,3% já estavam totalmente regularizadas.

    O dado evidencia que a violência também atinge territórios cujo processo de demarcação foi concluído e que, portanto, deveriam contar com proteção e fiscalização do Estado.

    O documento também registra que 46 Terras Indígenas tiveram ocorrências relacionadas à retirada, retenção, drenagem ou contaminação de cursos d’água, rios e nascentes. Entre os fatores apontados estão a captação de água para irrigação de grandes monocultivos e a contaminação provocada pelo uso de agrotóxicos, mercúrio e cianeto em atividades de mineração e garimpo.

    Amazonas, Pará e Mato Grosso concentraram os maiores números de registros de invasões e danos ambientais: foram 39 casos em 32 TIs no Amazonas; 32 casos em 20 territórios no Pará; e 25 casos em 18 TIs no Mato Grosso.

    Se, por um lado, a regularização não garante, sozinha, a segurança das comunidades, a falta dela amplia a exposição dos povos indígenas a conflitos fundiários, invasões e ataques armados.

    De acordo com o Cimi, 143 Terras Indígenas, distribuídas por 23 unidades da Federação, registraram ao menos uma ocorrência de conflito relativo a direitos territoriais em 2025.

    A situação é ainda mais crítica nos territórios que não foram regularizados. Cerca de 66% dos conflitos ocorreram em terras sem a documentação finalizada ou que não contam com nenhuma providência de demarcação do Estado, segundo o levantamento.

    O Metrópoles acionou o governo federal, que desenvolve as ações nacionais relacionadas aos povos indígenas, para se manifestar a respeito do assunto e aguarda resposta. O espaço segue aberto.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/assassinatos-de-indigenas-sobem-22-e-chegam-a-258-casos-em-2025.

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