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    Assassinato de Ruy Ferraz completa um ano com 8 presos, 3 foragidos e dúvidas sobre mandantes

    OUTRO LADO: seis acusados negam participação no crime; três defesas não responderam e três não foram identificadas pela reportagem

    UOL
    15 de setembro de 2026 às 03:00
    Assassinato de Ruy Ferraz completa um ano com 8 presos, 3 foragidos e dúvidas sobre mandantes
    A imagem mostra uma cerimônia fúnebre ao ar livre, com um grupo de pessoas reunidas em torno de um caixão de madeira. Homens em uniformes pretos, possivelmente da polícia, estão carregando o caixão. Algumas pessoas na multidão estão visivel — Foto: UOL

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    Às 18h12 de 15 de setembro do ano passado, Marcos Augusto Rodrigues Cardoso se conectou em uma chamada de vídeo em grupo com outros três contatos. Quatro minutos depois, um ataque com tiros de fuzil deixou morto o ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes em Praia Grande , no litoral paulista . Cardoso, conhecido também como Fiel, se tornaria um dos principais suspeitos.

    Policiais civis carregam o caixão do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, assassinado em Praia Grande (SP); caso completa um ano com 8 presos e 3 foragidos - Allison Sales - 16.set.26/Folhapress · Allison Sale
    Policiais civis carregam o caixão do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, assassinado em Praia Grande (SP); caso completa um ano com 8 presos e 3 foragidos - Allison Sales - 16.set.26/Folhapress · Allison Sale — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Para promotores de Justiça, a videoconferência esclarece a "sincronia perfeita" de criminosos em diferentes veículos e é indício de que os movimentos de todos —inclusive da vítima— eram informados em tempo real durante a ligação.

    O ataque durou pouco menos de um minuto. Os primeiros tiros atingiram o carro de Ruy Ferraz a menos de 130 metros da sede da Prefeitura de Praia Grande, onde ele trabalhava. Os criminosos o aguardavam numa Toyota Hilux, e teriam sido avisados do movimento da vítima por comparsas em outro carro, um Renault Logan.

    O ex-delegado virou à esquerda e acelerou para fugir dos agressores, mas foi perseguido e alvo de novos disparos ao longo de 400 metros. O carro acabou batendo em um ônibus, e encapuzados desceram da Hilux para matá-lo com dezenas de disparos de fuzil.

    Ex-delegado geral de SP é assassinado na Praia Grande (SP)
    Ex-delegado geral de SP é assassinado na Praia Grande (SP) — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A videoconferência terminou às 18h18, dois minutos após os criminosos voltarem ao carro e começarem a fuga. A denúncia do Ministério Público de São Paulo não nomeia todos os participantes da ligação. Aponta apenas a suspeita de que outro réu também estava conectado, com base no nome gravado na agenda de contatos de Fiel.

    Um ano depois, o assassinato de Ruy Ferraz tem 12 suspeitos denunciados. Oito estão presos, três estão foragidos e uma mulher responde em liberdade após passar dois meses presa. Todos já são réus pelo crime e aguardam o andamento do processo para saber se serão levados a júri popular. Não há prazo para essa decisão.

    A reportagem procurou advogados de 9 dos 12 réus por email e aplicativos de mensagem na última sexta-feira (11), e recebeu respostas de seis deles. Todos negaram participação no crime. Não foram identificadas as defesas de três acusados.

    Luiz Antônio Rodrigues de Miranda, o Gão, é filmado com uma manta rosa nas mãos na manhã de 15 de setembro de 2025; a polícia diz que ele carregava um fuzil usado na morte de Ruy Ferraz Fontes - Reprodução · Reprodução
    Luiz Antônio Rodrigues de Miranda, o Gão, é filmado com uma manta rosa nas mãos na manhã de 15 de setembro de 2025; a polícia diz que ele carregava um fuzil usado na morte de Ruy Ferraz Fontes - Reprodução · Reprodução — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A defesa de Cardoso não respondeu. À Justiça o advogado Joel Barbosa apresentou petição em que diz não haver provas contra ele, e que pode provar que ele não estava em Praia Grande no dia do crime.

    Ferraz estava jurado de morte havia quase 20 anos quando foi assassinado. Ordens de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) para matá-lo eram conhecidas desde 2006, segundo autoridades, após ele ter sido responsável pelo indiciamento de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola , e do restante da cúpula da facção.

    Uma carta encontrada pela polícia em julho de 2019 durante uma operação na cidade de São Paulo contra uma célula do PCC, que continha cobranças para que o assassinato fosse realizado, é a principal evidência apresentada pela acusação para demonstrar o motivação do crime.

    Homem vestido com camiseta rosa, calça preta e boné escuro caminha pela calçada de pedra. Ele carrega uma mochila preta e segura um objeto branco na mão direita. Ao fundo, há um carro preto estacionado na rua e uma faixa de pedestres.
    Homem vestido com camiseta rosa, calça preta e boné escuro caminha pela calçada de pedra. Ele carrega uma mochila preta e segura um objeto branco na mão direita. Ao fundo, há um carro preto estacionado na rua e uma faixa de pedestres. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    As denúncias, porém, não explicam por quê o ataque só ocorreu seis anos depois dessa ordem, e não apresentam uma conexão direta entre a carta e os acusados —apenas indireta, pela acusação de integrarem o PCC.

    A hipótese ventilada por autoridades é que Fernando Alberto Teixeira, Manoel Alberto e Márcio Serapião — apontados como líderes do grupo que cometeu o assassinato— foram presos em investigações do próprio Ruy Ferraz décadas atrás e tinham motivos para querer vingança.

    A defesa de Fernando Teixeira informou que ele "nega veementemente qualquer participação na morte do delegado" e que ele confia que os fatos serão esclarecidos ao final do processo. A defesa de Manoel também afirmou que ele é inocente e que a acusação "não pode se sustentar em conjecturas [e] ilações".

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os preparativos para o crime teriam começado em março. Foi quando um Jeep Renegade que seria usado na fuga foi furtado no bairro Cidade Dutra , na zona sul da capital. A acusação diz que, no mesmo mês, Fernando pediu a seu irmão, Manoel, fosse à Baixada Santista para dar início à preparação do ataque.

    Impressões digitais, uma denúncia anônima, o trajeto dos veículos usados no crime e dados obtidos nos telefones celulares levaram aos denunciados. As denúncias trazem indícios sobre o papel que cada um teve no crime, mas não apontam explicitamente quem estaria no carro de ataque —a Hilux foi incendiada minutos após o crime, apagando o DNA e outros vestígios que poderiam ser encontrados.

    Fiel, por exemplo, foi identificado a partir do celular de um suspeito morto pela polícia. Umberto Alberto Gomes, 39, havia sido classificado como suspeito a partir do rastreamento do Renault Logan.

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Importado Automaticamente de: https://www.bbc.c
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    Num dos endereços que teriam sido usados como base pelos criminosos, localizado por meio do Logan, a perícia detectou material genético de Umberto Alberto. Quando foi encontrado em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, ele teria atirado contra os policiais e provocado um confronto no qual acabou morto . Seu celular foi uma peça-chave na investigação.

    O aparelho continha diálogos em que os dois compartilham notícias sobre a morte de Ruy Ferraz, discutem situações que poderiam vinculá-los ao crime, falam da importância de destruir o Logan —que, de fato, nunca foi encontrado— e mencionam um plano de fuga para o Paraguai.

    Trazia, também, diálogos com suspeitos que haviam cedido casas para o grupo, e um número de telefone associado a Márcio Serapião (o Velhote, apontado como o outro particpante da videoconferência).

    Segundo a polícia, Fiel exercia a função de "disciplina" do PCC no Grajaú, zona sul da capital, sendo responsável pela manutenção das regras da facção no território e pelos tribunais do crime. Sua defesa nega essa acusação.

    Outro dos principais suspeitos é Luiz Antônio Rodrigues de Miranda, o Gão, identificado a partir de uma denúncia anônima que mencionava um esconderijo de armas de na Vila Luso, no sudeste da capital paulista.

    Uma câmera de segurança o filmou carregando uma manta cor-de-rosa na manhã de 15 de setembro —para a polícia, era o fuzil disfarçado. Há indícios de que ele se encontrou com outros suspeitos, inclusive Umberto Alberto. Gão está foragido até hoje. Sua defesa não respondeu.

    Entre os réus, há suspeitos não apenas de realizar o ataque, mas também de monitorar a vítima, dar apoio logístico, transportar armas e alugar as casas que o grupo usou como base. Um réu é acusado apenas de lavar carros usados no crime, o que teria servido para apagar provas.

    Márcio Serapião é acusado de dar assistência financeira aos suspeitos que foram presos —a Promotoria diz que mensagens de celular indicam que prometeu repassar à família de Umberto Alberto o dinheiro que ele receberia pelo crime, após ele ter sido morto.

    Citado como suspeito de ser mandante do crime durante uma entrevista coletiva em janeiro, Pedro Luiz da Silva Moraes —o Chacal, apontado como membro da cúpula do PCC— não foi denunciado e não é mais investigado. Uma decisão judicial de março reconheceu que as suspeitas contra ele vinham apenas de uma denúncia anônima, e que não havia nenhuma outra prova.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/assassinato-de-ruy-ferraz-completa-um-ano-com-8-presos-3-foragidos-e-duvidas-sobre-mandantes.shtml.

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