Brasil

    Aspas em 'Lulinha' e 'Flávio'

    Alexandra Moraes , ombudsman da Folha , perguntou neste domingo (5) por que Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, é chamado pela imprensa e pela oposição de " Lulinha " se ninguém, íntimo ou não íntimo, o chama desse jeito. Ela mesma explicou: o tratamento surgiu na Folha há 20 anos, já numa história mal contada envolvendo dinheiro. Como o rapaz foi repetente no quesito, a oposição adotou o diminutivo, ideal para atingi-lo e ao seu pai. Mas, diz Alexandra, um apelido usado como arma política não deveria ser encampado pelo jornal. Leia mais (08/12/2026 - 08h00)

    Folha de S.Paulo
    12 de agosto de 2026 às 11:00
    Aspas em 'Lulinha' e 'Flávio'
    Homem de cabelo curto e escuro veste camiseta preta e está sentado, olhando para a direita. Ao fundo, outras pessoas aparecem parcialmente, uma com camisa xadrez preta e branca e outra com camiseta vermelha. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, é membro da Academia Brasileira de Letras

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    Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula - Nelson Almeida - 26.fev.26/AFP
    Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula - Nelson Almeida - 26.fev.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Alexandra Moraes , ombudsman da Folha , perguntou neste domingo (5) por que Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, é chamado pela imprensa e pela oposição de " Lulinha " se ninguém, íntimo ou não íntimo, o chama desse jeito. Ela mesma explicou: o tratamento surgiu na Folha há 20 anos, já numa história mal contada envolvendo dinheiro. Como o rapaz foi repetente no quesito, a oposição adotou o diminutivo, ideal para atingi-lo e ao seu pai. Mas, diz Alexandra, um apelido usado como arma política não deveria ser encampado pelo jornal.

    Há alguns meses, aqui neste espaço, chamei a atenção para a leveza com que a imprensa estava se referindo ao então pré-candidato Flávio Bolsonaro , tratando-o de "Flávio" com uma familiaridade que não dispensava nem ao pai dele, o ex-presidente e presidiário Jair Bolsonaro . De fato, nos títulos e manchetes dos jornais, Jair Bolsonaro nunca foi chamado de "Jair". Foi sempre e só "Bolsonaro", como deve ser.

    É verdade que, se um veículo se referir a Flávio Bolsonaro apenas como "Bolsonaro", os leitores poderão confundi-lo com seu apenado pai, daí a decisão de reduzi-lo a "Flávio". Mas "Flávio" não existe, a menos que se acrescente o "Bolsonaro" —é o que as pesquisas estão demonstrando. Mesmo com os desastres de campanha, levando seus apoiadores ao desespero, e por mais inviável que seja como candidato, ainda tem números invejáveis, graças ao nome e ao sobrenome no varal.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Daí ser surpreendente a decisão dos marqueteiros de passar a chamá-lo só de "Flávio", não mais de "Flávio Bolsonaro". Com isso, querem vender a imagem de alguém próximo, palpável. Mas quem quer estar próximo de "Flávio" e, pior ainda, apalpá-lo? A prova disso é que seu nome não é citado nem nos palanques de seus supostos aliados, os candidatos a governador.

    Uma solução tanto para "Lulinha" quanto para "Flávio" é que passemos a nos referir a eles entre aspas. Aspas dão um sentido irônico a um nome e denotam algo de fake no sujeito. Como um rabo de papel que se pendura em alguém.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/08/aspas-em-lulinha-e-flavio.shtml.

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    Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula - Nelson Almeida - 26.fev.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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