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    Às vésperas do 2º turno, mais subsídio para os combustíveis

    A 16 dias do segundo turno, o governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) zerou os tributos federais sobre a gasolina , manteve a desoneração do etanol e criou um subsídio adicional para o óleo diesel importado. Somadas às medidas já em vigor, as ações de contenção dos preços custam mais de R$ 10 bilhões por mês. Até setembro, a conta já alcançava R$ 37,5 bilhões. Leia mais (10/11/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    12 de outubro de 2026 às 01:00
    Às vésperas do 2º turno, mais subsídio para os combustíveis
    Pessoa segura bico de bomba laranja abastecendo carro preto em posto de combustível. Placa ao fundo mostra preços do etanol a R$5,09 e gasolina a R$5,99 por litro. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Frentista abastece automóvel em posto de combustíveis - Tânia Rêgo - 16.jul.26/Agência Brasil · Tânia Rêgo - 16.jul.26/Agência Brasil
    Frentista abastece automóvel em posto de combustíveis - Tânia Rêgo - 16.jul.26/Agência Brasil · Tânia Rêgo - 16.jul.26/Agência Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A 16 dias do segundo turno, o governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) zerou os tributos federais sobre a gasolina , manteve a desoneração do etanol e criou um subsídio adicional para o óleo diesel importado. Somadas às medidas já em vigor, as ações de contenção dos preços custam mais de R$ 10 bilhões por mês. Até setembro, a conta já alcançava R$ 37,5 bilhões.

    Com o petróleo consistentemente em torno de US$ 100 ou acima disso, repassar todo o choque da guerra no Oriente Médio pressionaria a inflação , o frete e o preço dos alimentos. O Executivo argumenta que a alta do produto eleva royalties e outras receitas, garantindo a neutralidade fiscal.

    O problema é que o choque não desaparece. Ele sai do bolso de quem abastece e vai para o do contribuinte. O país troca a volatilidade do preço pela volatilidade das contas públicas.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O calendário agrava o problema. O Planalto nega relação com a corrida presidencial, mas o anúncio às vésperas do segundo turno reforça a percepção de que a política de preços passou a responder ao ciclo eleitoral. E medidas populares adotadas neste momento são as mais difíceis de reverter para quem vencer.

    O risco maior está em 2027. A proposta orçamentária foi elaborada sem prever subsídios aos combustíveis, e o governo diz que as medidas valem só para este ano. Mas a experiência mostra que benefícios temporários são difíceis de retirar, sobretudo com o petróleo ainda caro.

    Mantido o ritmo atual, o custo anual superaria R$ 130 bilhões, sete vezes o superávit de R$ 18,6 bilhões projetado para 2027.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Orçamento já está pressionado. As receitas foram estimadas com crescimento de 2,46%, bem acima do 1,5% esperado pelo mercado. O reajuste do Bolsa Família acrescentou R$ 22,7 bilhões às despesas. A Instituição Fiscal Independente (IFI, ligada ao Senado ) já projetava déficit de R$ 86,1 bilhões antes desse reajuste. Não há espaço para mais uma despesa desse porte sem comprometer a meta ou a dívida.

    A compensação também é frágil, pois as receitas extras dependem do preço do barril. Se as cotações do petróleo caírem, a receita extra some e a pressão para manter o desconto na bomba diminui, embora retirar subsídios seja sempre tarefa difícil.

    Se o preço seguir alto, a receita existe, mas o subsídio tende a se perpetuar. Em nenhum dos casos, o Orçamento ganha a previsibilidade fundamental.

    A saída não é ignorar o impacto do choque de oferta sobre as famílias. Desonerar a gasolina beneficia mais quem roda mais de carro, não os mais pobres. O caminho é focalizar o apoio em quem mais precisa, definir prazos e critérios claros de saída e incorporar qualquer prorrogação ao Orçamento, com a respectiva fonte de financiamento.

    O preço do combustível pode ser amortecido. O custo, não. Ele apenas espera a hora de aparecer na dívida pública e onerar esta e as próximas gerações.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/as-vesperas-do-2o-turno-mais-subsidio-para-os-combustiveis.shtml.

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    Frentista abastece automóvel em posto de combustíveis - Tânia Rêgo - 16.jul.26/Agência Brasil · Tânia Rêgo - 16.jul.26/Agência Brasil — Foto: Folha de S.Paulo

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