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    As mulheres concorrendo à Presidência precisam ser vistas

    Na última coluna eu cometi um erro grave. Nela, eu tratava da ausência de candidatas mulheres à presidência da República nas eleições que se aproximam. Mas o texto deixa de mencionar que havia sim mulheres concorrendo à presidência . Leia mais (08/07/2026 - 12h00)

    Folha de S.Paulo
    7 de agosto de 2026 às 15:00
    As mulheres concorrendo à Presidência precisam ser vistas
    Rubens Cavallari/Folhapress · Rubens Cavallari/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    É publicitária, escritora e produtora de conteúdo. Autora de "E Se Eu Parasse de Comprar? O Ano Que Fiquei Fora da Moda". Escreve sobre moda, consumo consciente e maternidade

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na última coluna eu cometi um erro grave. Nela, eu tratava da ausência de candidatas mulheres à presidência da República nas eleições que se aproximam. Mas o texto deixa de mencionar que havia sim mulheres concorrendo à presidência .

    Samara Martins é uma mulher preta, dentista no SUS, mãe de duas crianças e uma das fundadoras da UP (Unidade Popular), partido pelo qual é candidata ao pleito no executivo. Após a publicação da coluna, a advogada Clariana Barão também foi confirmada como candidata pelo partido DC (Democracia Cristã).

    Ambas as chapas contam com candidatas a vice também mulheres: Raquel Bricio concorre pelo UP e Fabiana Torquato pelo DC. Duas chapas femininas e que deveriam, portanto, ter sido ao menos mencionadas numa coluna que se propunha a falar sobre a escassez de vozes femininas na corrida presidencial.

    No texto intitulado " A falta que faz uma mulher candidata à presidência com chances de vencer " ative o meu olhar e a minha crítica aos grandes partidos, e quando uso o adjetivo "grande" não me refiro à qualidade destes partidos, mas ao tamanho, nível de influência política, acesso ao fundo eleitoral e ao tempo de televisão durante o horário eleitoral gratuito, além de espaço na mídia.

    A ausência dos nomes destas mulheres na coluna, no entanto, não difere muito da abordagem do resto da mídia que, em sua maioria, oferece destaque quase exclusivo àqueles candidatos já conhecidos do grande público e que, por isso mesmo, conseguem melhores colocações nos resultados de pesquisas eleitorais, armadilha da qual passei a fazer parte com este último texto.

    Na terça (4) mesmo, dia em que entrego a coluna, ouvi um podcast que tratava da oficialização das candidaturas de Renan Santos e de Lula , realizadas durante as convenções de seus respectivos partidos, Missão e PT . O podcast mencionava mais quatro candidatos: Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado ( PSD ) e Flávio Bolsonaro ( PL ).

    O problema é que, ao dar visibilidade para quem já tem visibilidade, caímos (me incluo nessa) no ciclo vicioso de acreditarmos que não existem novas alternativas e reforçamos a ideia confortavelmente alienante de que só existe "o que tá aí". E então nos tornamos eternamente presos a um revezamento de candidatos que não necessariamente nos representam, ao vício de escolher "o menos pior".

    A coisa fica ainda mais grave quando é negada às únicas mulheres concorrendo à presidência a oportunidade de se mostrarem e de, portanto, se tornarem mais conhecidas e mais competitivas.

    Como mulher, progressista e feminista que me considero, não me interessa fazer parte desta lógica. Não preciso concordar com todas as propostas destas mulheres, mas acredito ser essencial que, como únicas mulheres pleiteando o cargo, elas tenham mais cobertura por parte da mídia que tanto tem cobrado (corretamente) um posicionamento dos candidatos sobre suas propostas para o enfrentamento de questões tão caras e urgentes às mulheres: violência de gênero , desigualdade salarial , garantia do direito ao aborto , entre tantas outras. E que elas mesmas também possam indagar seus concorrentes sobre esses assuntos e sobre outros levantados a partir de suas próprias vivências.

    Para uma corrida eleitoral mais justa é necessário dar espaço a diferentes vozes, especialmente àquelas que costumam ser silenciadas. No que me compete, tentarei não cair novamente na armadilha de compactuar com o silenciamento de mulheres. E, mais do que isso, tentarei ser parte dessa mudança.

    Discussões, notícias e reflexões pensadas para mulheres

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joanna-moura/2026/08/as-mulheres-concorrendo-a-presidencia-precisam-ser-vistas.shtml.

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