Brasil

    As lições que o país deve aprender com as barreiras na carne

    A cota chinesa de importação de carne bovina do Brasil sem a taxa extra de 55% está preenchida e, nesta semana, entram em vigor as barreiras dos europeus para a proteína animal brasileira. Essas barreiras têm efeitos práticos, com reduções de volume, mas o maior peso delas é sempre o que recai sobre a imagem do produto brasileiro. E é sobre isso que o Brasil deveria ficar muito atento. Leia mais (08/31/2026 - 18h30)

    Folha de S.Paulo
    31 de agosto de 2026 às 21:30
    As lições que o país deve aprender com as barreiras na carne
    Grande quantidade de bois brancos com etiquetas coloridas nas orelhas aglomerados em curral de terra. Cercas delimitam o espaço e mais animais aparecem ao fundo em fileiras. — Foto: Folha de S.Paulo

    A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Gado em em curral de fazenda localizada em Barretos (SP) - Joel Silva - 17.dez.25/Reuters · Joel Silva - 17.dez.25/Reuters
    Gado em em curral de fazenda localizada em Barretos (SP) - Joel Silva - 17.dez.25/Reuters · Joel Silva - 17.dez.25/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A cota chinesa de importação de carne bovina do Brasil sem a taxa extra de 55% está preenchida e, nesta semana, entram em vigor as barreiras dos europeus para a proteína animal brasileira. Essas barreiras têm efeitos práticos, com reduções de volume, mas o maior peso delas é sempre o que recai sobre a imagem do produto brasileiro. E é sobre isso que o Brasil deveria ficar muito atento.

    A redução da importação chinesa, por causa da pesada taxa imposta ao produto brasileiro, pode durar pouco. Logo em janeiro, o país volta a importar a carne bovina brasileira sem a cota e com um volume de até 1,128 milhão de toneladas. Para que esse produto comece a entrar novamente no mercado chinês, as encomendas têm início já nos próximos meses, o que mantém aquecido o mercado brasileiro.

    Quanto à União Europeia , a tese é de que o volume a ser perdido, no caso da carne bovina, é pequeno, embora o mercado pague melhor do que os demais pelo produto brasileiro. O desgaste de imagem, no entanto, é grande.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A China não impôs a cota extra de 55%, além dos 12% padrão já existentes, por uma questão sanitária, mas para proteger internamente os seus pecuaristas.

    Vários mercados concorrentes do Brasil, no entanto, estão deturpando os motivos dessa tributação, desviando o olhar de importadores internacionais para a questão de qualidade do produto brasileiro.

    O Irã, país que tem o Brasil como principal fonte de fornecimento de carne, está recebendo delegações de outros países, inclusive da Ásia , com propostas de vendas da proteína. Segundo essas missões, China e União Europeia estariam deixando de importar do Brasil devido à má qualidade sanitária do produto brasileiro.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Entram nessa lista, ainda, os Estados Unidos, que, apesar da necessidade de importação e dificuldades de produção interna, sempre colocam dúvidas sobre a qualidade da carne nacional. Essas questões vêm dos pecuaristas norte-americanos, preocupados com o potencial brasileiro.

    Um grupo bipartidário de líderes agrícolas dos Estados Unidos destacou os rumos errados que a política americana tomou, e que o Congresso deve retomar as rédeas desse processo. Do lado externo, essa correção de rumo busca necessariamente reocupar o lugar perdido para o Brasil. Os meios para isso podem não ser exatamente o respeito pelas regras internacionais.

    Noruega, levada por essa onda, já avisou que não vai mais importar do Brasil, e o Reino Unido, outro importante mercado para a proteína brasileira, está avaliando como agir.

    O movimento brasileiro deve ser não só o de prevenir eventuais reduções de volume, mas o de mostrar ao mercado internacional a sanidade da proteína animal.

    O modo como os acordos do Mercosul com outras regiões, como o da União Europeia, estão sendo desenhados também coloca o país em uma situação complicada.

    Maior produtor e exportador mundial de carne bovina e líder em exportações de carne de frango, o Brasil acaba ficando com uma cota pequena em relação ao potencial dos demais países do bloco, que não têm um poder de exportação tão grande.

    Essas cotas deveriam ser melhor definidas entre os países do bloco antes da assinatura dos acordos. O país deveria aprender a lição do livre acordo com a União Europeia ao implementar novos acordos, como os do Canadá, Japão e Indonésia. Politicamente, a pressa rende vitrine, mas as consequências persistirão depois.

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2026/08/as-licoes-que-o-pais-deve-aprender-com-as-barreiras-na-carne.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Gado em em curral de fazenda localizada em Barretos (SP) - Joel Silva - 17.dez.25/Reuters · Joel Silva - 17.dez.25/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)