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    As detetives que combatem deepfakes sexuais na Coreia do Sul

    Grupo com 23 mulheres já atendeu 53 mil pessoas e removeu mais de 1 milhão de conteúdos sexuais ilícitos da internet. O post As detetives que combatem deepfakes sexuais na Coreia do Sul apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    5 de setembro de 2026 às 20:18
    As detetives que combatem deepfakes sexuais na Coreia do Sul
    Foto: Olhar Digital

    Desde 2018, o governo sul-coreano mantém um centro especializado em rastrear e eliminar conteúdos sexuais ilícitos na internet, com foco em deepfakes, fotos ou vídeos de caráter pornográfico produzidos sem o conhecimento das vítimas. O centro funciona em um pequeno escritório no centro de Seul, decorado com faixas de apoio às vítimas de violência sexual, e é composto exclusivamente por mulheres.

    A equipe tem 23 integrantes e atua a pedido das vítimas. Desde a inauguração, o centro já atendeu 53 mil pessoas e removeu mais de 1 milhão de conteúdos sexuais ilícitos da internet. A estrutura conta ainda com 17 filiais regionais, que oferecem apoio psicológico e jurídico.

    A líder da equipe, Kim Hyojung, descreve o fluxo típico de atendimento: a maioria das vítimas procura o centro depois que um familiar ou conhecido avisa que um vídeo seu está circulando online. A partir daí, um programa de inteligência artificial detecta republicações do mesmo conteúdo, permitindo que a equipe solicite a remoção tanto em redes sociais quanto em sites pornográficos.

    Inteligência artificial
    Inteligência artificial — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Os obstáculos são frequentes. Segundo Kim Hyojung, grande parte dos vídeos está hospedada em sites ilegais cujos provedores não atendem aos pedidos de remoção; nesses casos, a polícia pode intervir para fechar o site. Quando o conteúdo está hospedado no exterior, o problema se repete, mas Kim Hyojung aponta que 80% desses casos envolvem servidores nos Estados Unidos e que as autoridades norte-americanas colaboram com as solicitações de remoção.

    Levantamentos da empresa australiana Security Heroes estimam que mais da metade das vítimas de deepfakes pornográficos no mundo são sul-coreanas. O centro registra aumento de casos em todas as faixas etárias.

    O trabalho diário de revisar conteúdos pornográficos, às vezes violentos, às vezes envolvendo pornografia infantil, gera consequências para a saúde das integrantes da equipe. Uma das profissionais, identificada apenas como Park, mantém o anonimato como condição para exercer a função.

    Beatriz Campos
    Beatriz Campos — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    “Todas nós somos bastante afetadas emocional e psicologicamente por essa atividade. Pela experiência de colegas com quem já trabalhei, algumas desenvolveram insônia, outras começaram a chorar ao ver certas publicações ou perderam o apetite a ponto de pular refeições”, afirmou Park.

    Para lidar com esse impacto, o centro implementou acompanhamento psicológico contínuo, com consultas individuais com um psicólogo uma ou duas vezes por mês. Park cita também o retorno das vítimas como fator de motivação: “Quando recebemos mensagens de agradecimento das pessoas afetadas, dizendo que isso as ajudou a retomar sua vida cotidiana, sinto que, mesmo que de forma modesta, pude contribuir para que essas pessoas superassem uma provação tão difícil em suas vidas”.

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    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/05/internet-e-redes-sociais/as-detetives-que-combatem-deepfakes-sexuais-na-coreia-do-sul/.

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