ArtRio põe na vitrine obras caras bem rodadas na cena em ano de forte turbulência
O Rio de Janeiro continua lindo. Resta saber se continua sendo. As galerias que desbravam nesta semana mais uma edição da ArtRio vão à feira no ritmo do samba , dois passos para a frente, um para trás, talvez alguns mais. A seleção das casas tem figuras repetidas que não encontraram comprador na última SP-Arte , mas também muitos nomes de grosso calibre que dão as caras no mais encantador dos balneários do mundo. Leia mais (09/14/2026 - 23h00)

Silas Martí é jornalista e crítico de arte. Editor de Ilustrada, foi correspondente em Nova York e escreve sobre arte, arquitetura e design
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O Rio de Janeiro continua lindo. Resta saber se continua sendo. As galerias que desbravam nesta semana mais uma edição da ArtRio vão à feira no ritmo do samba , dois passos para a frente, um para trás, talvez alguns mais. A seleção das casas tem figuras repetidas que não encontraram comprador na última SP-Arte , mas também muitos nomes de grosso calibre que dão as caras no mais encantador dos balneários do mundo.
Esse charme irresistível da cidade, aliás, é o motor do evento que toma a Marina da Glória, um lance hedonista até não poder mais, mas que deixa os contadores nervosos com barquinhos que vão e vêm sem qualquer Pix confirmado na conta.
No alto da pirâmide, duas obras do império conhecido como Almeida & Dale chamam a atenção. Um móbile de Alexander Calder , com preço estimado entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões, e uma tela bem rasgada de Lucio Fontana, à venda por R$ 15 milhões, figuram no topo da lista de preços nesta feira. Esta última apareceu na Gomide&Co na recente edição da SP-Arte , em abril, mas segue no mercado.

Há ainda outros nomes na casa dos muitos milhões. Na Continua, galeria italiana com sedes no mundo todo, entre elas uma casa em São Paulo , tem uma escultura do indiano Anish Kapoor à venda por R$ 7 milhões e outra do italiano Michelangelo Pistoletto por R$ 3,1 milhões. A mesma Almeida & Dale dos cifrões inflados tem à venda uma obra de Sergio Camargo por R$ 5 milhões.
A carioca Flexa tem um dos trabalhos mais sedutores de Adriana Varejão , artista que representa o país na atual Bienal de Veneza , na Itália, também por R$ 5 milhões, além de uma obra de Lygia Pape por R$ 3,1 milhões. Na Danielian, com espaços em São Paulo e no Rio de Janeiro, há uma tela de Antonio Bandeira à venda por R$ 3,8 milhões, enquanto na paulistana Dan há um trabalho de Alfredo Volpi ofertado pelo mesmo valor.
Na mesma galeria, há pinturas de Emiliano Di Cavalcanti por R$ 1,35 milhão e de Hermelindo Fiaminghi , por R$ 1,8 milhão. A Galatea, com espaços em São Paulo e Salvador , tem um trabalho do venezuelano Carlos Cruz-Diez à venda por R$ 3,6 milhões. Na Raquel Arnaud, de São Paulo, outra obra do artista sai por R$ 2,2 milhões.

O lastro desses medalhões pode dar estofo à feira num ano de enorme turbulência no mercado, assolado pelas guerras em curso em vários fronts, as eleições legislativas americanas e as presidenciais brasileiras , ou seja, a carnificina em cena. Ao mesmo tempo, deixa nítido o pavor dos compradores, que ou fecham a carteira ou fecham negócios muito seguros.
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ESPELHO, ESPELHO MEU Muitos artistas em evidência no momento, como não poderia deixar de ser, têm vitrine aberta nesta ArtRio. Ismael Nery , alvo de uma retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo, tem uma tela de R$ 1,8 milhão à venda na galeria Frente. Beatriz Milhazes , com uma obra no recém-inaugurado túnel do Museu de Arte de São Paulo , o Masp, tem uma colagem de R$ 256 mil à venda na Fortes D’Aloia & Gabriel. Clarissa Tossin , com retrospectiva recente no Masp, está na Luisa Strina por R$ 128 mil.

EFEITO PANORAMA Uma série de artistas escalados para o atual Panorama da Arte Brasileira , que marca a reabertura do Museu de Arte Moderna de São Paulo depois de dois anos de reforma no parque Ibirapuera , está na ArtRio. A Fortes D’Aloia & Gabriel tem trabalhos de Rodrigo Cass à venda por R$ 179 mil, e a Danielian vende esculturas de Darks Miranda por R$ 38 mil.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/plastico/2026/09/artrio-poe-na-vitrine-obras-caras-bem-rodadas-na-cena-em-ano-de-forte-turbulencia.shtml.

Obra 'Sem título para Vilar', de Alexander Calder - Sergio Guerini/Divulgação · Sergio Guerini/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo
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