Arroz começa a subir no campo, enquanto feijão registra queda
Os alimentos básicos trocam de direção neste mês. O arroz, que vem com seguidas quedas devido à boa oferta da safra passada, já recua menos e deve voltar a subir no varejo. O feijão, que estava com alta acentuada, começa a ter preços menores, segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Esses preços no varejo refletem o comportamento dos produtos no campo. Leia mais (08/12/2026 - 20h00)

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP
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Os alimentos básicos trocam de direção neste mês. O arroz, que vem com seguidas quedas devido à boa oferta da safra passada, já recua menos e deve voltar a subir no varejo. O feijão, que estava com alta acentuada, começa a ter preços menores, segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Esses preços no varejo refletem o comportamento dos produtos no campo.
O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) aponta preços médios de R$ 73 por saca do cereal no Rio Grande do Sul, principal produtor brasileiro. Cotado a esse valor, o arroz já acumula alta de 6% neste mês, após ter subido 14% em julho.
O feijão de melhor qualidade, que esteve de R$ 480 a R$ 500 a saca há algumas semanas, recuou para R$ 250 a R$ 280, segundo o analista Vlamir Brandalizze. A queda ocorre devido à maior oferta da leguminosa oriunda da terceira safra. Já a alta do arroz se dá devido à indefinição da próxima safra. A demanda cresce, os estoques são menores e o produtor faz contas se compensa o plantio, devido ao elevado custo de produção.

Brandalizze diz que parte da área tradicionalmente dedicada ao arroz poderá ir para soja ou pastagens. Por ora, as condições de chuvas são boas, mas as estimativas do setor são de uma redução de 5% a 10% na área de cultivo que será dedicada ao cereal no Rio Grande do Sul.
Enquanto isso, varejo e indústria entram em uma queda de braço nas negociações para reposição de estoques. Nos últimos 12 meses, o preço do arroz caiu 13% para o consumidor, e o do feijão subiu 41%, segundo dados da Fipe.
Para os analistas do Cepea, o mercado de arroz segue firme porque os produtores seguram as vendas, em um momento de necessidade de compra pelas indústrias. Na avaliação deles, os produtores esperam valores próximos de R$ 80 por saca de 50 kg, acima dos valores atuais de negociação.

No mercado externo, após dois meses de exportações aquecidas, julho registrou um volume menor. Já as importações do cereal aumentaram, segundo os dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).
Outro produto básico para o consumidor, o trigo, também está em alta. A safra brasileira será menor, e as importações devem crescer em um momento em que a oferta externa também é menor. A Rússia tem dificuldades nas exportações, devido à guerra com a Ucrânia, e os Estados Unidos produzem menos.
Soja O Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou os novos números de soja e de milho para a safra 2026/27 nesta quarta-feira (12).
Soja 2 Os americanos deverão produzir 123 milhões de toneladas da oleaginosa, volume que, se atingido, será recorde e 6% acima do obtido na safra anterior.
Soja 3 Um dos principais pontos do relatório desta quarta-feira é o aumento do esmagamento, segundo a AgRural. Devido à necessidade maior de óleo de soja para a produção de biocombustível, os americanos vão esmagar 76 milhões de toneladas de soja nesta safra, 5% a mais do que na anterior.
Milho A safra de milho dos Estados Unidos recua para 407 milhões de toneladas, após ter atingido o recorde de 432 milhões de 2025/26, informa o Usda.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2026/08/arroz-comeca-a-subir-no-campo-enquanto-feijao-registra-queda.shtml.

Colheita de arroz em Mostardas (RS) - Silvio Avila - 12.mar.24/AFP · Silvio Avila - 12.mar.24/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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