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    Arquiteta Sol Camacho traz bastidores de restauro de prédio histórico em mostra

    "?As pessoas acham que edifícios históricos só podem ser centros culturais", diz a arquiteta mexicana Sol Camacho . É contra essa ideia que ela concebeu a exposição "Camadas " , instalada no antigo noviciado das Irmãs Salesianas, no Ipiranga, zona sul de São Paulo. Leia mais (08/17/2026 - 13h00)

    Folha de S.Paulo
    17 de agosto de 2026 às 16:00
    Arquiteta Sol Camacho traz bastidores de restauro de prédio histórico em mostra
    Parede de edifício com várias janelas antigas dispostas em fileiras e colunas, cada uma com moldura e formato arqueado, algumas com grades e outras com persianas fechadas ou abertas. — Foto: Folha de S.Paulo

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    " As pessoas acham que edifícios históricos só podem ser centros culturais", diz a arquiteta mexicana Sol Camacho . É contra essa ideia que ela concebeu a exposição "Camadas " , instalada no antigo noviciado das Irmãs Salesianas, no Ipiranga, zona sul de São Paulo.

    Detalhes da exposição 'Camadas', de Sol Camacho - João Cazzaniga/Divulgação · João Cazzaniga/Divulgação
    Detalhes da exposição 'Camadas', de Sol Camacho - João Cazzaniga/Divulgação · João Cazzaniga/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O edifício centenário, que já abrigou um convento e uma faculdade antes de ser abandonado, está sendo restaurado para se transformar em um empreendimento residencial, com espaços comerciais e um pequeno centro cultural.

    Nas paredes do prédio, sucessivas camadas de tinta, reformas e elementos construtivos preservados revelam as diferentes fases de sua ocupação. A exposição de Camacho parte dessas marcas para apresentar o percurso arquitetônico de restauração e discutir as possibilidades de novos usos para edifícios históricos.

    A mostra reúne desenhos, aquarelas, fotografias, documentos, plantas e maquetes produzidos ao longo de cerca de três anos de trabalho. O material, que normalmente ficaria restrito ao escritório de arquitetura , é apresentado como parte do processo de decisão sobre o futuro do edifício.

    Arquiteta Sol Camacho discute usos para edifícios históricos
    Arquiteta Sol Camacho discute usos para edifícios históricos — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O projeto parte do chamado reuso adaptativo, prática que busca dar uma nova função a construções existentes sem apagar suas características históricas. No caso do antigo noviciado, isso significa transformar o prédio em um conjunto de 51 apartamentos, com novos volumes nas laterais.

    Originalmente, a construção abrigava a formação de noviças salesianas, que também moravam no local. Nos anos 1970, passou a sediar a Universidade São Marcos . Depois de desocupado, chegou a ser ameaçado de demolição, segundo Eudoxios Anastassiadis , responsável pela incorporação do empreendimento.

    A mudança de uso exigiu um levantamento que foi além das dimensões do imóvel. O escritório de Camacho investigou os materiais, as técnicas construtivas, as diferentes fases da construção e as alterações feitas ao longo do tempo.

    Obras do complexo de luxo Cidade Matarazzo
    Obras do complexo de luxo Cidade Matarazzo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A primeira sala da exposição é dedicada ao que a arquiteta chama de "levantamento sensível". Fotografias aproximadas mostram tijolos, madeira, argamassa, vidro, concreto e elementos metálicos. O objetivo é tornar visíveis materiais que, no cotidiano do edifício, passam despercebidos. "Não é só você chegar, medir o edifício e começar o projeto. Nós temos que ver muito mais que as medidas", diz Camacho.

    A pesquisa também levou a documentos espalhados por diferentes acervos, entre eles os do município e do estado de São Paulo, do Museu do Ipiranga e de jornais. Segundo a arquiteta, foi preciso reunir informações fragmentadas para reconstruir a história do prédio.

    A pesquisa também é acompanhada por um repertório bibliográfico sobre conservação e reuso, parte dele exposto na mostra. Camacho reuniu livros que serviram de referência nas discussões com Anastassiadis e sua equipe, entre eles " Transform " [transformar], de Deborah Berke.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Também aparecem referências a arquitetos e pesquisadores como Lillian Wong, professora de Princeton, e Anne Lacaton, vencedora do Pritzker por seu trabalho de adaptação de edifícios. "A conversa sobre a conservação e o reuso é provavelmente a conversa na arquitetura mais para frente", afirma Camacho.

    Para Camacho, a intervenção não pode ser reduzida à preservação de elementos antigos. Em alguns pontos, partes acrescentadas posteriormente serão demolidas; em outros, materiais serão restaurados ou reaproveitados. Há ainda elementos que serão revelados, como os tijolos que originalmente ficavam cobertos por argamassa.

    Parte do espaço será destinada aos moradores. Outra deverá permanecer aberta à circulação do público, como a antiga capela. O espaço, que possui pé-direito duplo, deverá receber exposições, apresentações musicais, saraus e outros eventos. Há ainda previsão de estabelecimentos comerciais voltados para alimentação e uma livraria.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A proposta se aproxima de um movimento de reocupação de edifícios históricos por usos diversos, como ocorre no próprio Copan , no centro de São Paulo, onde o antigo espaço de cinema planejado por Oscar Niemeyer foi retomado em 2026 com o projeto Nu Cine Teatro Copan . Ou a Cidade Matarazzo , que passou a ocupar o antigo Hospital Matarazzo, no centro de São Paulo. Em comum, os projetos preservam parte da memória arquitetônica dos edifícios enquanto incorporam novas funções ao espaço urbano.

    A ideia é fazer com que o novo empreendimento não funcione apenas como um condomínio residencial, mas mantenha alguma relação com o bairro. Para Camacho, isso é consequência da própria natureza da arquitetura.

    "Arquitetura é sempre pública, mesmo que seja a sua casa", diz.

    Ao mostrar plantas, documentos e maquetes antes da conclusão da obra, a mostra tenta colocar em discussão uma transformação que normalmente só seria conhecida quando estivesse pronta.

    Para Anastassiadis, o processo também pode servir de referência para outros imóveis históricos da cidade. Ele afirma ter identificado, a partir da experiência, uma oportunidade de aproximar o mercado imobiliário da preservação de edifícios abandonados ou subutilizados.

    O empresário cita como obstáculo a dificuldade de financiar obras de retrofit, que podem exigir intervenções imprevisíveis e etapas de investigação antes do início da construção.

    A aposta é que a iniciativa privada possa participar desse processo por meio de parcerias com arquitetos, restauradores e órgãos públicos. "Eu acho que vai abrir uma corrente de empreendedores e arquitetos", diz.

    Para Camacho, a experiência também representa uma mudança na própria forma de trabalhar com patrimônio. Em vez de escolher entre preservar o edifício ou substituí-lo por uma nova construção, o projeto procura trabalhar com as diferentes temporalidades da construção. "Se a vida vai mudando, nós vamos mudando, a cidade vai mudando, acreditar que os edifícios vão ficar iguais seria uma utopia", afirma.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/arquiteta-sol-camacho-traz-bastidores-de-restauro-de-predio-historico-em-mostra.shtml.

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    Detalhes da exposição 'Camadas', de Sol Camacho - João Cazzaniga/Divulgação · João Cazzaniga/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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