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    Armani iniciará negociações para venda de participação com LVMH e L'Oréal

    A Armani está prestes a iniciar negociações formais com os três potenciais investidores indicados no testamento de Giorgio Armani , enquanto define uma nova estratégia sem o estilista que manteve controle rígido sobre a empresa durante 50 anos . Leia mais (09/27/2026 - 11h02)

    Folha de S.Paulo
    27 de setembro de 2026 às 14:02
    Armani iniciará negociações para venda de participação com LVMH e L'Oréal
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Milão e Paris A Armani está prestes a iniciar negociações formais com os três potenciais investidores indicados no testamento de Giorgio Armani , enquanto define uma nova estratégia sem o estilista que manteve controle rígido sobre a empresa durante 50 anos .

    Modelos apresentam criações da coleção feminina primavera/verão 2027 de Giorgio Armani durante a Semana de Moda de Milão, na Itália - Alessandro Garofalo - 27.set.2026/Reuters · Alessandro Garofalo - 27.set.2026/Reuters
    Modelos apresentam criações da coleção feminina primavera/verão 2027 de Giorgio Armani durante a Semana de Moda de Milão, na Itália - Alessandro Garofalo - 27.set.2026/Reuters · Alessandro Garofalo - 27.set.2026/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nas próximas semanas, a Armani deverá realizar reuniões com a LVMH , a gigante de cosméticos L’Oréal e o grupo de óculos EssilorLuxottica para discutir a possível venda de uma participação minoritária, segundo pessoas a par do assunto.

    Depois de proteger ferozmente a independência do grupo italiano durante décadas, Armani surpreendeu o setor de luxo há um ano ao instruir seus herdeiros a vender uma participação inicial de 15% no prazo de 18 meses após sua morte.

    No entanto, pessoas próximas aos três pretendentes preferenciais minimizaram as chances de que façam, no curto prazo, um investimento substancial em um grupo com negócios que abrangem moda, alta-costura, hotéis, restaurantes e artigos de decoração.

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    Uma das opções discutidas informalmente com a Armani prevê que uma participação de 15% seja dividida entre LVMH, L’Oréal e EssilorLuxottica, de acordo com quatro pessoas a par do assunto.

    "Ninguém quer se lançar de imediato, mas ninguém quer deixar a oportunidade passar. Assim, todos conseguem um lugar à mesa", disse uma pessoa próxima à situação.

    Armani manteve controle estrito sobre as áreas criativa e comercial da operação até pouco antes de sua morte, em setembro do ano passado . Seu falecimento, aos 91 anos, mergulhou a empresa em um desafio conhecido de muitas companhias italianas comandadas por seus fundadores: transformar uma empresa moldada à imagem de uma única pessoa em uma instituição capaz de prosperar sem ela.

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    Giuseppe Marsocci , veterano da empresa, foi promovido a diretor-presidente um mês após a morte de Armani. Desde então, vem elaborando uma nova estratégia com o auxílio do Boston Consulting Group. Segundo pessoas a par do projeto, o objetivo é aprimorar o posicionamento das marcas do grupo e desenvolver formas de expansão em categorias de margens mais altas, como acessórios.

    O conselho de administração do grupo, até então presidido por Armani e composto em grande parte por familiares, foi reformulado com a nomeação de profissionais externos, entre eles o ex-chefe da Gucci Marco Bizzarri e o fundador da Yoox Federico Marchetti. Leo Dell’Orco, executivo de longa data da empresa, foi alçado à presidência do conselho.

    Pessoas próximas aos executivos da Armani disseram que eles também planejam simplificar a estrutura do grupo, proprietário das marcas Giorgio Armani e Emporio Armani, da linha de alta-costura Armani Privé, além de hotéis, restaurantes e artigos de decoração.

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    Na frente criativa, o grupo nomeou neste mês Dario Vitale , um dos estilistas mais aclamados da Itália , para revitalizar a marca Emporio Armani , responsável por quase um terço da receita anual de € 2,2 bilhões do grupo.

    Sua missão é renovar a Emporio —concebida como a linha mais jovem e experimental de Armani— e dar a ela uma identidade mais clara.

    "A Emporio é onde se pode ver com maior clareza o que eles estão tentando fazer com a empresa", disse uma pessoa que já trabalhou com o grupo. "Eles precisam torná-la mais jovem, mais clara e mais relevante, mas sem perder aquilo que faz dela Armani."

    Vitale, contratado após seu sucesso em atrair consumidores de luxo mais jovens para a Miu Miu, marca pertencente à Prada , também supervisionará a expansão da Giorgio Armani no segmento de acessórios, área que Marsocci descreveu como "uma grande oportunidade".

    A reestruturação interna adiou as negociações formais sobre a venda da participação, inicialmente previstas para junho, mas que agora ocorrerão no fim de setembro ou no início de outubro, segundo pessoas a par do assunto.

    As conversas acontecerão em meio a uma prolongada retração dos gastos com produtos de luxo. A receita da Armani caiu pelo segundo ano consecutivo em 2025, recuando 2,8%, para € 2,19 bilhões, após uma queda de 5% em 2024.

    No entanto, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização subiu 3,2%, para € 153 milhões, favorecido por cortes de custos e pelo desempenho mais forte da Armani Privé.

    Dois dos investidores preferenciais da Armani —EssilorLuxottica e L’Oréal— mantêm relações comerciais de longa data com o grupo.

    A EssilorLuxottica, proprietária da Ray-Ban e detentora de um contrato de licenciamento com a Armani até 2038, dificilmente comprará uma participação significativa, segundo pessoas próximas à situação.

    Essas pessoas disseram que o grupo de óculos está concentrado em sua expansão no setor de tecnologia médica e nos Estados Unidos, com pouco interesse em controlar uma casa de moda de luxo. Qualquer investimento seria motivado pela disposição do diretor-presidente Francesco Milleri de apoiar a família Armani, acrescentaram.

    Embora a L’Oréal tenha investido em empresas de moda, como a marca francesa Jacquemus, ela não administra esses negócios, e sua prioridade é proteger o lucrativo acordo de licenciamento com a Armani, válido até 2050, segundo pessoas familiarizadas com as considerações do grupo.

    A LVMH manifestou interesse em participar do processo de venda da participação minoritária da Armani, de acordo com pessoas que conhecem sua posição.

    Essas pessoas alertaram, porém, que a Armani não se encaixa de forma óbvia no portfólio da LVMH, uma vez que o grupo gera uma parcela significativa de suas vendas em faixas de preço inferiores às das principais marcas da LVMH e possui um portfólio mais voltado à moda do que a acessórios de margens elevadas.

    Ainda assim, os antigos laços pessoais entre integrantes da família Arnault , que controla a LVMH, e o falecido estilista continuam sendo um fator importante, acrescentaram.

    Chegar a um acordo sobre a avaliação da empresa também pode ser um obstáculo. Pessoas próximas ao grupo mencionaram um valor de cerca de € 10 bilhões (R$ 59,2 bilhões), enquanto potenciais investidores estimam seu valor entre € 3 bilhões (R$ 17,7 bilhões) e € 7 bilhões (R$ 41,51). Caso não apareça nenhum dos pretendentes preferenciais da Armani nem qualquer outro comprador aceitável, uma abertura de capital na bolsa será a alternativa.

    Uma pessoa que trabalhou para o grupo afirmou que, para além dos números, a maior sombra pairando sobre as negociações seria a do próprio estilista falecido.

    "O desafio não é vender a Armani", disse a pessoa. "É mostrar que a Armani pode crescer sem Giorgio Armani."

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/09/armani-iniciara-negociacoes-para-venda-de-participacao-com-lvmh-e-loreal.shtml.

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