Argentina: vendas de materiais de construção recuam até 20%; pior já passou?
Sede do Ministério da Economia da Argentina, em Buenos Aires 05/04/2024 REUTERS/Agustin Marcarian " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2025/03/2025-03-17T165950Z_1_LYNXMPEL2G0QK_RTROPTP_4_ECONOMIA-ARGENTINA-SUPERAVIT.jpg?fit=1280%2C853&quality=70&strip=all" />As medidas mais drásticas já foram tomadas ao longo destes anos, avalia empresário argentino, que acredita na retomada The post Argentina: vendas de materiais de construção recuam até 20%; pior já passou? appeared first on InfoMoney .

Sede do Ministério da Economia da Argentina, em Buenos Aires 05/04/2024 REUTERS/Agustin Marcarian
O segmento de materiais de construção costuma ter na resiliência uma poderosa arma para atenuar as consequências de períodos adversos. Como nem sempre é possível adiar o fim de uma obra ou a manutenção da casa, a demanda pelos produtos do setor tende a se manter permanente. A característica, no entanto, não foi suficiente — por enquanto — para frear a desaceleração das vendas na Argentina.
“Nós tivemos uma redução — não em faturamento, mas em [número de] unidades — entre 18% e 20% desde que medidas mais restritivas foram adotadas”, revela Juan Nazabal, presidente da Bulonfer, empresa com 40 anos de história e considerada uma das principais do setor de ferragens no país vizinho.

O executivo está entre os mais de 600 empresários do mercado de materiais de construção de 28 países reunidos no Summit Americas e ExpoShow, evento internacional realizado pela Atlas, no Panamá.
Apesar da desaceleração nos negócios, Nazabal manifesta otimismo e acredita que, em breve, haverá uma inversão da tendência.
De acordo com especialistas, a economia da Argentina segue apresentando sinais mistos de recuperação, combinando a melhora recente de alguns indicadores com fraqueza persistente na demanda doméstica, no mercado de trabalho e no consumo.

“A retração do consumo era uma consequência da tentativa de controlar a inflação com uma política monetária um pouco restritiva que foi levada adiante [pelo governo de Javier Milei]”, explica o empresário argentino.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Censo (Indec), o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da Argentina teve alta de 1,7% em agosto ante julho. O resultado sinaliza desaceleração após a alta mensal de 2,1% em julho. Na comparação anual, o indicador avançou 33,5%.
“As medidas mais drásticas já foram tomadas ao longo destes anos. Alguns indicadores se normalizaram, e isso é muito bom em termos macroeconômicos”, reflete Nazabal. “Os números, felizmente, estão se ajustando, e o que resta agora é que o consumo se reative um pouco, o que, para nós e para nossas empresas, é vital”, projeta o empresário, que faz questão de demonstrar otimismo com o futuro.

Segundo o Itaú BBA, a atividade econômica argentina registrou alta de 0,8% em junho ante maio, considerando dados com ajuste sazonal. O resultado medido pelo EMAE, indicador mensal que funciona como uma prévia do PIB, interrompeu duas quedas consecutivas observadas anteriormente.
Apesar do avanço mensal, a economia encolheu 0,9% no segundo trimestre de 2026 em relação ao trimestre imediatamente anterior. O resultado representa uma reversão da expansão de 0,7% registrada nos três primeiros meses do ano.
* O repórter Wellington Carvalho viajou para o evento Summit Américas a convite dos organizadores.

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Foto: InfoMoney
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