Argentina cobrará estrangeiros por atendimento em hospitais públicos
Governo de Javier Milei regulamentou medida que exige seguro ou pagamento antecipado de não residentes em casos "não urgentes"

Estrangeiros que não tenham residência permanente na Argentina passarão a pagar por atendimentos médicos não emergenciais em hospitais públicos administrados pelo governo nacional . A medida foi regulamentada nesta terça-feira (11/8) pelo governo do presidente Javier Milei e prevê a apresentação de seguro de saúde ou o pagamento antecipado pelo serviço.
A resolução coloca em prática uma mudança aprovada em 2025 na Lei de Migrações e estabelece regras para a cobrança de consultas, exames e procedimentos considerados não urgentes. O governo afirma que a medida busca reduzir o chamado “turismo de saúde”, quando estrangeiros viajam ao país para utilizar o sistema público e retornam posteriormente ao país de origem.
O atendimento de emergência , porém, continuará gratuito e não poderá ser atrasado por exigências administrativas. A regra vale para situações em que há risco iminente à vida, a um órgão ou a uma função do organismo.

“O atendimento de emergência não será cobrado nem deve ser atrasado por procedimentos burocráticos ou administrativos”, afirmou o porta-voz presidencial, Adrián Ravier. Entre os casos classificados como emergência estão infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVC), traumatismos graves, queimaduras extensas, choques, hemorragias graves, sepse e intoxicações com comprometimento de funções vitais.
Também estão incluídas emergências obstétricas, pediátricas e neonatais, além de outras situações que, segundo avaliação do profissional responsável, apresentem risco imediato à vida ou à preservação de uma função vital.
O presidente argentino Javier Milei participa da convenção nacional do Partido Liberal (PL) na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, Brasil, em 25 de julho de 2026.

Porta-voz de Javier Milei, Adrian Ravier
Segundo o governo Milei, a cobrança busca combater o chamado “turismo de saúde”. Durante a coletiva, Ravier afirmou que há casos de pessoas que viajam para a Argentina, utilizam o sistema público e depois retornam aos países de origem.
O porta-voz, porém, não apresentou dados sobre a quantidade de estrangeiros que utilizam o sistema dessa maneira, nem sobre o impacto financeiro desse tipo de atendimento.

A resolução vale para estabelecimentos de saúde administrados pelo Estado Naciona l. As províncias argentinas possuem autonomia para estabelecer suas próprias regras, e algumas regiões que fazem fronteira com outros países já cobram determinados serviços de estrangeiros não residentes.


Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/mundo/argentina-estrangeiros-atendimento-medico.

Tomas Cuesta/Getty Images — Foto: Metrópoles
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