Arenas de Deodoro da Rio-2016 ficam fechadas com impasse entre Ministério do Esporte e Exército
Ao menos duas arenas usadas nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, estão fechadas desde o ano passado em razão de um impasse entre o Ministério do Esporte e o Exército sobre o gasto para manutenção. Leia mais (08/08/2026 - 12h00)

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Ao menos duas arenas usadas nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, estão fechadas desde o ano passado em razão de um impasse entre o Ministério do Esporte e o Exército sobre o gasto para manutenção.

A Arena Coronel Wenceslau Malta, antiga Arena da Juventude, sediou partidas de basquete feminino, esgrima e pentatlo moderno nos Jogos, há dez anos. O outro equipamento sem utilização é o Centro de Hóquei sobre Grama.
O impasse também limitou o acesso ao Centro Militar de Tiro Esportivo. Apenas atletas militares podem treinar no espaço, segundo a confederação da modalidade.
Em nota, o Ministério do Esporte afirma que as equipes técnicas da pasta e do Exército "avançaram nas tratativas para a formalização de um novo Termo de Cooperação Técnica, com o objetivo de estabelecer as diretrizes para a gestão do legado olímpico".

"No último mês, foi construído um entendimento entre as partes para a solução das questões relacionadas ao passivo financeiro referente ao processo de adequação das estruturas ( retrofit ). Conforme o acordo em construção, a partir do próximo ano, o Exército Brasileiro contará com previsão orçamentária para essa finalidade, permitindo o equacionamento do passivo dentro dos termos estabelecidos", diz a pasta.
"A assinatura do novo instrumento ainda depende da conclusão dos procedimentos necessários para sua formalização. Enquanto isso, a manutenção das instalações que compõem o legado olímpico em Deodoro permanece sob responsabilidade do Exército Brasileiro."
O Exército afirma que as arenas "permanecem fechadas para atividades e competições civis". A Força diz que a Arena Coronel Wenceslau Malta "era amplamente utilizada por federações e confederações brasileiras de jiu-jítsu para a realização de treinamentos e competições da modalidade, atendendo regularmente às demandas dessas entidades".

"Atualmente, a arena permanece fechada para atividades e competições civis, com acesso restrito ao público militar, em conformidade com as normas e os procedimentos de segurança vigentes", diz o Exército, em nota.
O impasse vem desde o início de 2025, quando os dois órgãos não renovaram o termo de cooperação que viabilizava a manutenção dos equipamentos olímpicos. Ele previa o repasse de verbas do Ministério do Esporte para o Exército manter as instalações, que estão em áreas militares. O gasto anual girou em torno de R$ 40 milhões por ano.
Segundo a Folha apurou, a crise entre as duas pastas começou em 2023, durante a gestão de Ana Mozer no ministério. Uma equipe da pasta visitou as arenas de Deodoro e considerou que o repasse era excessivo em relação à necessidade das arenas.

O encerramento do acordo ocorreu já sob gestão do ministro André Fufuca. Uma das razões alegadas foi a redução do orçamento da pasta para a manutenção do legado olímpico.
Além do impasse orçamentário, parte das instalações precisava de reparos por erros na construção dos equipamentos antes dos Jogos. A questão só foi resolvida após um acordo entre o Exército e a Prefeitura do Rio de Janeiro, que assumiu os gastos para reparos.
A presidente da Confederação Brasileira de Hóquei sobre a Grama, Patrícia Boos, diz que o impasse está impedindo o uso da arena para eventos e treinamentos. A seleção brasileira atualmente treina nos campos de treinamento da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), também construídos para a Rio-2016.

"Na Ilha do Fundão, não temos espaço para guardar equipamentos. E o local também não possui arquibancadas, vestiários. Acabamos tendo um custo extra para os eventos que poderiam ser realizados no centro olímpico", diz Boos.
De acordo com a confederação, o Exército tem autorizado apenas o uso do depósito do Centro Olímpico de Hóquei.
Já a Arena Coronel Wenceslau Malta, chamada de Arena da Juventude durante as Olimpíadas, vinha sediando competições de jiu-jítsu antes do fechamento.
O presidente da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo, Jodson Edington, afirma que apenas atletas militares do Exército estão autorizados a treinar no centro militar.
"Utilizamos bastante até o início de 2025, quando houve a interrupção do acordo entre Exército e Governo. Ainda está em negociação. Não sabemos detalhes. Os atletas treinam em clubes em suas cidades ou nos clubes mais próximos. O CMTE é, sem dúvida, o melhor complexo para treinos e competições de tiro olímpico e paralímpico do país. Um dos melhores da América Latina", diz.
Os espaços sob administração da prefeitura em Deodoro estão em funcionamento. O Parque Radical, que sediou as competições de canoagem slalom, funciona aos fins de semana como área de lazer. As pistas de BMX, após terem ficado abandonadas por anos, foram restauradas e abertas ao público no ano passado.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/08/arenas-de-deodoro-da-rio-2016-ficam-fechadas-com-impasse-entre-ministerio-do-esporte-e-exercito.shtml.

Vista aérea da Arena Cel. Wenceslau Malta, antiga Arena da Juventude, utilizada na Rio-2016 nas competições de basquete feminino, esgrima e pentatlo moderno - Eduardo Anizelli/Folhapress · Eduardo Anizelli/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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