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    Áreas antes ocupadas pela cana ganham espaço para a pecuária no Nordeste

    Expansão de frigoríficos e projetos de confinamento acompanha avanço da produção e cria novas oportunidades para produtores da região

    CNN Brasil
    15 de setembro de 2026 às 00:18
    Áreas antes ocupadas pela cana ganham espaço para a pecuária no Nordeste
    Foto: CNN Brasil

    Áreas antes ocupadas pela cana-de-açúcar estão ganhando espaço para a pecuária em diferentes pontos do Nordeste, em um movimento que vem atraindo investimentos em genética, confinamento, nutrição e estrutura industrial.

    Em Alagoas, a transformação é acompanhada pela chegada de novos projetos e pela instalação de frigoríficos habilitados a atender os mercados doméstico e externo, fortalecendo a cadeia produtiva e reduzindo a dependência de animais vindos de outras regiões do país.

    No primeiro trimestre de 2026, as exportações do Nordeste cresceram 51,38% em volume e 71,08% em receita, com 9,6 mil toneladas embarcadas para 84 países e faturamento de US$ 44,9 milhões.

    Exportações do Nordeste cresceram 51,38% em volume e 71,08% em receita • Wenderson Araujo · • Wenderson Araujo
    Exportações do Nordeste cresceram 51,38% em volume e 71,08% em receita • Wenderson Araujo · • Wenderson Araujo — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Para Celso Barros Correia, administrador da Fazenda Recanto, em Chã Preta (AL), a transformação da pecuária nordestina acompanha uma mudança na própria ocupação econômica das terras.

    Segundo ele, a mecanização e a busca por áreas mais planas e produtivas levaram parte da atividade canavieira para outras regiões, abrindo espaço para a pecuária em áreas que antes eram ocupadas pelos engenhos e usinas.

    O processo, afirma, não ocorre apenas em Alagoas, mas também em Pernambuco, Sergipe e outros estados nordestinos. “A pecuária foi ocupando esses espaços que eram deixados pela cultura da cana”, afirma Celso.

    Indústria de rações brasileira cresce 5,4% no primeiro trimestre de 2026
    Indústria de rações brasileira cresce 5,4% no primeiro trimestre de 2026 — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Segundo o Correia, a instalação de frigoríficos com autorização para exportar aumenta a segurança de comercialização para quem está no campo, ao criar uma conexão mais direta entre a produção e os mercados consumidores .

    “Você tem a matéria-prima e tem a indústria frigorífica, para que você possa ter a certeza de que ele vai adquirir o seu produto e que esse produto vai ser tratado com responsabilidade, com todos os fatores sanitários e colocado no mercado interno e externo”, diz.

    Na região do rio São Francisco, em Alagoas, um projeto de confinamento com áreas irrigadas já está em operação. A combinação entre disponibilidade de água, irrigação e terminação intensiva amplia a possibilidade de produção de carne em uma região que historicamente esteve mais associada a outras atividades agropecuárias.

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    GTF aposta em exportações e produtos de maior valor agregado — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A estrutura industrial também influencia o padrão de produção dentro das propriedades. Com frigoríficos mais próximos e maior conexão com mercados exigentes, a qualidade do animal passa a ser um fator determinante para a comercialização.

    Celso destaca que os frigoríficos buscam animais mais precoces, com maior peso e acabamento adequado de carcaça. Para alcançar esse padrão, o produtor precisa combinar genética, nutrição e sanidade.

    “Genética, nutrição e sanidade são basicamente um tripé indispensável para isso”, afirma.

    África busca tecnologia pecuária brasileira para ampliar produção no agro
    África busca tecnologia pecuária brasileira para ampliar produção no agro — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Ainda de acordo com Correia, a pecuária nordestina deixa de depender exclusivamente do pasto e passa a incorporar suplementação proteica e energética para acelerar o desenvolvimento dos animais e aumentar a produção de carne por hectare.

    Na avaliação de Celso, a eficiência passa a ser especialmente importante em momentos de valorização da arroba, quando o custo de reposição do rebanho também tende a subir.

    A Fazenda Recanto, em Chã Preta, conta com cerca de 200 anos de história na mesma família, a propriedade passou por diferentes ciclos produtivos, incluindo agricultura, engenho e usina de açúcar, antes de concentrar suas atividades na pecuária.

    GTF aposta em exportações e produtos de maior valor agregado
    GTF aposta em exportações e produtos de maior valor agregado — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Há quase 50 anos, a fazenda também investe na seleção genética da raça Nelore. A propriedade trabalha com animais Puro de Origem e genealogia rastreável, em um modelo que transformou a genética em uma das principais frentes comerciais da atividade.

    A fazenda passou a trabalhar também com genética em uma faixa de preço mais acessível, buscando ampliar o mercado e atingir produtores interessados em melhorar o rebanho.

    “A presença da indústria do setor é um estímulo, é uma segurança, é uma confiança de que você não vai ficar com o seu produto nas mãos de um intermediário que não vai valorizar e dar o tratamento que merece o seu trabalho”, afirma.

    África busca tecnologia pecuária brasileira para ampliar produção no agro
    África busca tecnologia pecuária brasileira para ampliar produção no agro — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A aposta em tecnologia também acompanha a trajetória da Fazenda Recanto. Segundo Celso, a propriedade foi responsável por levar para Alagoas um projeto pioneiro de fertilização in vitro e transferência de embriões, trazendo tecnologia de reprodução animal de outras regiões do país.

    A estratégia mostra como a genética deixou de ser apenas uma ferramenta de seleção de animais e passou a integrar uma estrutura de produção voltada para ganho de produtividade .

    Para Celso, esse processo tende a ganhar importância à medida que a pecuária nordestina se torna mais integrada à indústria e aos mercados externos.

    Indústria de rações brasileira cresce 5,4% no primeiro trimestre de 2026
    Indústria de rações brasileira cresce 5,4% no primeiro trimestre de 2026 — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O avanço ocorre, ainda, em um cenário de valorização das terras. Na avaliação do produtor, áreas com maior aptidão agrícola tendem a continuar disputadas por culturas de ciclo mais curto, enquanto a pecuária precisa encontrar regiões em que as condições de solo, água, clima e manejo permitam produzir com eficiência.

    “Você pode aproveitar essa diversidade como uma vantagem, não é um desafio que você não possa ultrapassar”, concluiu.

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    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/agro/areas-antes-ocupadas-pela-cana-ganham-espaco-para-a-pecuaria-no-nordeste/.

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