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    Área técnica do TCU sugere alertar governo sobre previsão de receitas com taxação de dividendos

    A área técnica do TCU (Tribunal de Contas da União) propôs que a corte emita um alerta à área econômica do governo Lula sobre o risco de manter na execução do Orçamento a previsão integral de arrecadação com a tributação de dividendos , apesar de o recolhimento no primeiro semestre ter ficado em apenas 5% do total estimado para o ano. Leia mais (09/15/2026 - 14h34)

    Folha de S.Paulo
    15 de setembro de 2026 às 17:34
    Área técnica do TCU sugere alertar governo sobre previsão de receitas com taxação de dividendos
    Receita Federal — Foto: Folha de S.Paulo

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    A área técnica do TCU (Tribunal de Contas da União) propôs que a corte emita um alerta à área econômica do governo Lula sobre o risco de manter na execução do Orçamento a previsão integral de arrecadação com a tributação de dividendos , apesar de o recolhimento no primeiro semestre ter ficado em apenas 5% do total estimado para o ano.

    Fachada do prédio da Superintendência da Receita Federal em Brasília (DF) - Antonio Molina - 12.ago.22/Folhapress · Antonio Molina - 12.ago.22/Folhapress
    Fachada do prédio da Superintendência da Receita Federal em Brasília (DF) - Antonio Molina - 12.ago.22/Folhapress · Antonio Molina - 12.ago.22/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para os técnicos, a manutenção de uma receita que ainda não se materializou pode contribuir para uma projeção mais favorável do resultado fiscal. A decisão tem permitido ao governo sustentar uma projeção de superávit superior a R$ 10 bilhões, evitando contingenciamento de recursos.

    A taxação dos dividendos foi criada no intuito de compensar a isenção do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física) para quem ganha até R$ 5.000 , promessa de campanha de Lula. Para 2026, esse benefício custará R$ 28 bilhões, nos cálculos do Fisco.

    Em parecer obtido pela Folha , os auditores do TCU afirmam que a manutenção da projeção de arrecadar R$ 28 bilhões para 2026, diante de uma arrecadação de apenas R$ 3,15 bilhões até julho, eleva o risco de superestimação das receitas e pode prejudicar a avaliação sobre a necessidade de congelamento de despesas.

    Veja glossário de termos econômicos e fiscais
    Veja glossário de termos econômicos e fiscais — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A proposta de alertar a equipe econômica será analisada pelo relator do processo, ministro Antonio Anastasia, nesta quarta-feira (16). A Lei de Responsabilidade Fiscal prevê que esse tipo de medida tenha caráter preventivo a respeito de riscos para o cumprimento da meta fiscal, mas não representa punição ao governo nem determina automaticamente o contingenciamento de despesas.

    No último relatório bimestral de receitas e despesas, publicado em julho, o governo anunciou que ainda esperava arrecadar mais R$ 14 bilhões entre agosto e dezembro com a taxação dos dividendos, embora o montante recolhido nos primeiros seis meses tenha representado somente 5% do total.

    Na próxima semana, o governo divulgará o novo relatório com as projeções do Orçamento para o ano. Questionada se revisará para baixo a projeção com os dividendos, a Fazenda se limitou a dizer que os ajustes no orçamento serão anunciados "no momento oportuno", no próximo relatório bimestral.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O problema apontado pelos técnicos do TCU é a velocidade necessária para que a projeção atual seja cumprida. Segundo o parecer, para o governo arrecadar R$ 14 bilhões entre agosto e dezembro, as receitas teriam de ser em média de R$ 2,81 bilhões por mês. Até julho, a média mensal havia sido de apenas R$ 450 milhões. Ou seja, o ritmo de arrecadação precisaria ser 6,24 vezes maior no restante do ano.

    O problema, segundo os auditores, é que não há memória de cálculo mensal suficientemente detalhada pela Receita Federal para demonstrar que a arrecadação pode crescer no segundo semestre, o que daria argumento para o governo sustentar a manutenção da projeção de arrecadação.

    Na prática, a manutenção do cronograma de arrecadação com os dividendos permite que o governo projete o superávit atual de R$ 10,7 bilhões este ano. Caso a Receita Federal tivesse optado por reduzir as estimativas, a depender da magnitude do corte, a projeção para o resultado primário do ano poderia se transformar em déficit, o que levaria o governo a contingenciar recursos do Orçamento para cumprir o limite inferior da meta fiscal.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A meta fiscal para 2026 prevê superávit equivalente a 0,25% do PIB (Produto Interno Bruto), equivalente a R$ 34,3 bilhões. Mas a legislação permite uma margem de tolerância que permite um resultado zero, já que é permitida uma variação negativa da meta em até 0,25% do PIB. Caso a projeção de receita seja inferior a esse piso, o governo precisa utilizar o mecanismo do contingenciamento e limitar a execução de gastos.

    Em agosto, a Folha revelou que o TCU já havia questionado a Receita sobre a metodologia usada para chegar à projeção. Naquele momento, o tribunal apontava riscos relacionados às premissas utilizadas pelo Fisco e pedia maior transparência sobre a metodologia adotada.

    Agora, o documento produzido pela área técnica avança em relação àquela apuração: o foco deixa de ser apenas a qualidade da estimativa e passa a ser o efeito da manutenção dessa receita sobre a execução fiscal de 2026.

    "Até a publicação do relatório, o Ministério da Fazenda não antecipa revisões específicas de projeções ou resultados que integram o processo oficial de avaliação fiscal. Eventuais atualizações nas estimativas de arrecadação serão divulgadas de forma transparente e simultânea ao conjunto das demais projeções fiscais constantes do relatório", afirmou a pasta em nota.

    O governo federal também tem sustentado o atingimento da meta fiscal este ano com base nos efeitos dos impactos da guerra no Oriente Médio no preço do petróleo, o que consequentemente eleva a arrecadação das receitas que têm algum tipo de vinculação a essa commodity.

    Outra fonte de arrecadação que preocupa a equipe econômica são os dividendos das empresas estatais. No primeiro semestre, somente 20% do valor esperado entrou nos cofres da União .

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/area-tecnica-do-tcu-sugere-alertar-governo-sobre-previsao-de-receitas-com-taxacao-de-dividendos.shtml.

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    Fachada do prédio da Superintendência da Receita Federal em Brasília (DF) - Antonio Molina - 12.ago.22/Folhapress · Antonio Molina - 12.ago.22/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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