Aquecimento global deve superar 1,5ºC nos próximos anos; entenda riscos
Novo relatório da ONU alerta que superação do teto de segurança climática pode trazer riscos para ecossistemas e derrubar produção global de alimentos em até 14%

A Terra deve romper o limite crítico de 1,5ºC de aquecimento global já nos próximos anos . Segundo as projeções de um novo relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) , mesmo no cenário mais otimista de redução de emissões, a temperatura média do planeta deve atingir o patamar de 1,8ºC acima dos níveis pré-industriais antes que as temperaturas globais comecem a registrar queda.
O documento, intitulado "Limiting Overshoot" , indica que ações internacionais para mitigar gases de efeito estufa não foram rápidas o suficiente para impedir que a barreira de segurança climática, estabelecida pelo Acordo de Paris , seja rompida em curto prazo.
De acordo com o relatório, não existem cenários benignos ou seguros para a vida na Terra com o aquecimento acima de 1,5ºC . A superação da marca a cada fração de grau deve trazer impactos significativos sobre as pessoas, a economia e os ecossistemas do planeta.

O estudo alerta para o aumento expressivo do risco de cruzar pontos de não retorno, os chamados "tipping points" no sistema climático global, como a desestabilização das placas de gelo da Antártica Ocidental e da Groenlândia, a desaceleração da Circulação Meridional do Atlântico e a degradação em grande escala da floresta Amazônica.
Entre os riscos, o relatório aponta que as geleiras globais possam perder mais de um quarto de sua massa até 2100 em cenários de aquecimento de até 3ºC. O fator elevaria o nível do mar em 9 a 12,5 centímetros e ameaçaria permanentemente o suprimento de água doce em diversas partes do mundo.
Além disso, Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e metrópoles litorâneas de baixa altitude enfrentam riscos de inundação, contaminação salina de reservatórios agrícolas e até submersão parcial ou total dos territórios por conta do aumento do nível do mar.

Outro risco é de que, na falta de medidas de adaptação eficazes, as projeções apontam uma queda de até 14% na produção global de alimentos até 2050.
A elevação das temperaturas deve provocar também ondas de calor mais frequentes e severas , o aumento de doenças relacionadas à desnutrição e uma maior probabilidade de disseminação de patógenos por novos vetores de transmissão.
Já o aquecimento dos oceanos, acompanhado pela perda de oxigênio e pelo aumento da acidez, pode criar condições de dificuldade de sobrevivência para a vida marinha, o que impacta diretamente as comunidades pesqueiras dependentes dos recursos.

“Não há bons resultados se permanecermos acima de 1,5°C. Em todo o mundo, ondas de calor extremas já estão comprovando que os impactos climáticos serão mais rápidos, mais severos e mais duradouros, custando mais vidas e causando transtornos ainda maiores”, afirmou Inger Andersen, Diretora Executiva do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente).
Embora o cenário seja de preocupação, as Nações Unidas enfatizam que o futuro não está predeterminado e que limitar o aquecimento de longo prazo a 1,5ºC ainda é viável se o mundo adotar com urgência uma trajetória de "ultrapassagem, pico e declínio" (overshoot, peak and decline).
A estratégia consiste em conter ao máximo a magnitude da temperatura máxima de pico e encurtar a duração do período em que a Terra ficará acima dos limites de segurança climática.

Para que o caminho de retorno seja bem-sucedido, o relatório aponta ações imediatas que devem ser adotadas. O relatório indica que é necessária uma redução sustentada de gases como o dióxido de carbono (CO₂) e de poluentes de vida curta, em especial o metano.
A redução das emissões de metano no setor de combustíveis fósseis, resíduoes e agropecuária é considerada a ferramenta mais eficaz no curto prazo para desacelerar o aquecimento global e reduzir os picos de aumento de temperatura.
Além disso, o estudo aponta que é preciso acelerar a expansão de fontes de energias renováveis para uma representação entre 60% e 70% da eletricidade gerada no mundo até 2030, alinhando-se aos objetivos internacionais de triplicar a capacidade global de energia renovável acordados na COP 28.

Outro ponto é a utilização de tecnologias e métodos de Remoção de Dióxido de Carbono (CDR), reflorestamento tradicional e técnicas de armazenamento geológico , para equilibrar emissões residuais e alcançar emissões líquidas negativas.
Por fim, o relatório indica que os países com maior responsabilidade pelo aquecimento global e maior capacidade financeira devem liderar os cortes de emissões e financiar a adaptação das nações mais vulneráveis.
“Agora é o momento de redobrarmos nossos esforços em prol da ação climática. Podemos – e devemos – trilhar o caminho certo. Reduzindo as emissões de gases de efeito estufa, fortalecendo a resiliência e a adaptação e garantindo que o aumento da temperatura acima de 1,5°C seja o menor e mais breve possível", complementou Inger Andersen.


Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/aquecimento-global-deve-superar-15oc-nos-proximos-anos-entenda-riscos/.

Aquecimento global preocupa cientistas • Reprodução CNN · • Reprodução CNN — Foto: CNN Brasil
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