Apple prepara iPhone dobrável de mais de US$ 2.000 em meio a alta de custos
John Ternus , da Apple , deve apresentar na quarta-feira (9) sua primeira leva de novos produtos como CEO, na esperança de convencer os clientes a aceitar duas novidades nunca vistas nas duas décadas de história do iPhone : uma tela dobrável e um preço acima de US$ 2.000. Leia mais (09/07/2026 - 14h00)

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John Ternus , da Apple , deve apresentar na quarta-feira (9) sua primeira leva de novos produtos como CEO, na esperança de convencer os clientes a aceitar duas novidades nunca vistas nas duas décadas de história do iPhone : uma tela dobrável e um preço acima de US$ 2.000.

O novo design está em desenvolvimento há pelo menos oito anos na divisão de hardware da empresa, comandada por Ternus até esta semana. Tim Cook, CEO que deixa o cargo , deu a seu sucessor a oportunidade de liderar esse lançamento de alto risco em sua segunda semana à frente da segunda empresa mais valiosa do mundo.
Mas o lançamento traz grandes desafios, já que a Apple precisa fazer com que os clientes aceitem aumentos de preços para compensar as pressões de custos em toda a sua cadeia de suprimentos —ou então arcar com uma redução de suas elevadas margens. Os celulares dobráveis, embora chamem a atenção, tiveram adesão limitada entre os consumidores nos sete anos desde que outros grandes fabricantes os lançaram no mercado.
"Há muitos motivos pelos quais a Apple quis esperar nessa categoria específica de produto", disse Radu Reit, ex-engenheiro de telas da Apple. Avanços recentes aumentaram a durabilidade da tela dobrável, ao mesmo tempo que reduziram os custos de fabricação.

"A estrutura do dispositivo que a Apple provavelmente lançará já é viável há mais de uma década. No entanto, fabricar essa tela teria custado milhares de dólares dez anos atrás", acrescentou Reit. "O outro aspecto é comercial: o mercado é realmente grande o bastante? Não era naquela época."
O dispositivo dobrável da Apple deverá custar mais de US$ 2.000, enquanto os preços de toda a linha do iPhone devem subir, segundo analistas —um marco que poderá testar a tolerância dos clientes. A empresa deverá adiar para o primeiro semestre do próximo ano o lançamento do modelo básico do iPhone 18.
Os dispositivos dobráveis representam cerca de 2% das vendas globais de smartphones. O crescimento desse segmento, porém, desacelerou acentuadamente desde que Huawei e Samsung lançaram seus primeiros produtos, em 2019.

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A Samsung, em particular, enfrentou problemas técnicos no início, com telas que começaram a formar bolhas e ondulações, resultando em altos índices de devolução. Por causa disso, a Huawei adiou seu próprio lançamento em 2019.
A Apple aposta que seu dispositivo poderá reacender o interesse por um design relativamente de nicho e ajudar a empresa a conquistar participação de mercado.

A estratégia mostra a fabricante do iPhone seguindo um caminho conhecido: observar os concorrentes lançarem primeiro um novo dispositivo arriscado e enfrentarem as consequências dos problemas antes de apresentar uma versão aperfeiçoada da mesma ideia.
O trabalho da Apple com dispositivos dobráveis começou antes de Cook se tornar CEO. Uma patente de 2011 mostra a empresa desenvolvendo um mecanismo de dobradiça, e as equipes de engenharia e de telas já faziam experimentos com tecnologia dobrável em 2018, segundo pessoas a par do assunto.
Edison Lee, analista da Jefferies, disse que a apresentação de Ternus na quarta marcará o início de um ciclo de três a cinco anos de lançamentos de novos produtos, planejados muito antes de ele assumir o cargo, com o objetivo de reavivar o interesse dos consumidores.

"A demanda pelo iPhone está saturada, e eles precisam se concentrar em novos formatos para estimular a troca de smartphones... Não podem simplesmente manter o formato atual e esperar que as pessoas estejam dispostas a pagar mais ao longo do tempo", disse Lee.
A Apple, assim como o restante do setor de eletrônicos de consumo, foi atingida neste ano pela escassez de componentes, à medida que os data centers absorvem peças em grande escala, sobretudo chips de memória . Desde então, a empresa aumentou os preços de Macs e iPads.
As vendas globais de smartphones estão diminuindo à medida que os preços sobem, segundo estimativas da International Data Corporation. Com a entrada da Apple, os dobráveis serão o único segmento do mercado a crescer em 2026, projeta a IDC.

Analistas da IDC esperam um crescimento anual de cerca de 12% nas vendas globais de dobráveis, com a Apple conquistando uma participação de 40% desse mercado até 2027.
David Vogt, analista do UBS, disse esperar que a Apple venda pelo menos 10 milhões de dobráveis no primeiro ano, aproximadamente o mesmo número vendido pela Samsung nos últimos 12 meses.
Essas vendas representarão uma pequena parcela dos cerca de 250 milhões de iPhones que a Apple distribui globalmente, mas serão significativas o bastante para ajudar a elevar o preço médio do aparelho. "Se você vai enfrentar um desafio na cadeia de suprimentos, fabrica mais unidades dos dispositivos caros e menos dos baratos", disse Vogt.
Vogt, assim como muitos analistas, espera que a Apple anuncie nesta semana aumentos de preços generalizados para o iPhone. Isso provavelmente será acompanhado tão de perto quanto qualquer novo e reluzente dispositivo.
"Estou preocupado", disse ele. "A última vez que a Apple aumentou agressivamente os preços do iPhone foi na Europa, após a Covid, e as vendas caíram quase imediatamente."
O dobrável parece destinado a ter seu melhor desempenho na China, onde a Huawei obteve algum sucesso e onde a Apple vem recuperando participação no mercado de smartphones.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/tec/2026/09/apple-prepara-iphone-dobravel-de-mais-de-us-2000-em-meio-a-alta-de-custos.shtml.

Pessoa segura modelos de iPhone 17 - Ann Wang - 19.set.25/Reuters · Ann Wang - 19.set.25/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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