App registra 5 casos de violência por dia contra entregadores
As situações de discriminação e ameaça lideram o ranking, respondendo por três em cada quatro queixas

O iFood recebeu, de janeiro a julho deste ano, 1.188 relatos de algum tipo de violência contra os entregadores da plataforma, o que dá uma média de 5,6 por dia. Os casos de discriminação e ameaça lideram o ranking de acusações direcionados para a central de apoio aos trabalhadores. Outras plataformas de entrega de refeições também têm relatos .
Dos quase 1,2 mil casos de algum tipo de violência relatados pelos entregadores, cerca de 300 tiveram a motivação relatada. A cada quatro anotações, três se referem a situações de discriminação e ameaça. Um quarto dos relatos são de agressão física. Em uma queixa pode ser mencionada mais de um tipo de reclamação.
Por causa da violência, no período dos dados, a plataforma aplicou 1,6 mil sanções para clientes e lojas.

A violência contra entregadores já teve casos de grande repercussão no país. Em 31 de julho de 2020, o motoboy Matheus Pires Barbosa, de 19 anos, foi humilhado e sofreu racismo durante o serviço em Valinhos (SP). O trabalhador tentou deixar a encomenda na portaria, mas o cliente, um contabilista, não aceitou e houve uma discussão.
Durante a discussão, o homem que havia realizado o pedido fez ofensas racistas e socieconômicas contra Matheus. O jovem foi chamado de “seu lixo”, entre outros termos, e o agressor ainda disse que o entregador tinha inveja da pele branca dele.
Hoje o motoboy é empresário, dono de uma empresa no âmbito de construção civil. Já o contabilista foi banido do aplicativo e processado, mas teve absolvição da Justiça após alegar esquizofrenia.

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Em 9 de abril de 2023, um domingo de Páscoa, a ex-atleta de vôlei Sandra Mathias passeava com o cachorro dela e se incomodou com a presença dos entregadores na calçada.

Ela passou a insultar os motoboys com termos preconceituosos, chamando-os de “lixo”, “marginais” e “favelados”. O ápice da situação foram as agressões contra o trabalhador Max Ângelo dos Santos, que chegou a receber chicotadas nas costas, desferidas por Sandra com a guia do próprio animal.
Hoje, Sandra cumpre 4 anos de prisão, em regime aberto e o processo cível que decidirá se ela deve indenizar as vítimas começará a ser julgado ainda neste ano.
Embora o maior número de casos de violência que se tenha conhecimento seja de entregadores como vítimas. Também há registros de agressões cometidas por trabalhadores .

Em dezembro passado, um porteiro de cabelos brancos foi agredido com uma “voadora” por um entregador de aplicativo em um prédio de Brasília. A violência ocorreu após um desentendimento entre a vítima, que trabalhava no local, e o motoboy.
O Instituto Brasileiro Estatístico Geográfico ( IBGE ) divulgou, no dia 4 deste mês, que o Brasil possuía em 2025, 1,959 milhão de trabalhadores por aplicativo . Os dados integram a “Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Trabalho por meio de plataformas digitais”.
O levantamento do IBGE detalhou que 585 mil trabalhadores utilizavam aplicativo de entrega de comida, produtos, entre outros. A pesquisa cita ainda que 376 mil foram identificados como entregadores.

O número importante de situações de agressão envolvendo entregadores e clientes levou a maior plataforma de entregas de refeições do país a desenvolver uma Política de Combate à Discriminação e Violência. A iniciativa visa a conceder apoio psicológico e jurídico sem custos.
“O maior legado é o entregador não se sentir só dentro de um caso de discriminação ou violência que ele venha a sofrer (…). A gente gostaria de que não só os entregadores, de certa forma também a sociedade, porque a sociedade, quanto mais conconhecer a nossa política de combate à discriminação e violência, mais fácil fica esse trabalho de diminuir as violências”, acredita o diretor de Impacto Social do iFood, Johnny Borges. Plataformas dizem adotar tolerância zero A 99 Food informou ao Metrópoles que adota política de tolerância zero contra discriminação, violência e ofensas. Segundo a plataforma, todo incidente deve ser reportado pela Central de Segurança do aplicativo, que funciona 24 horas por dia para prestar suporte e acolhimento às vítimas. Todos usuários do aplicativo têm acesso à ferramenta.
A empresa destacou que, após o registro da denúncia, uma equipe especializada apura o caso com as partes envolvidas. O atendimento contempla assistência médica e psicológica por meio dos seguros da plataforma, a depender do tipo de ocorrência.

Procurada pela reportagem, a Keeta informou que possui uma central de segurança 24h, que presta suporte em “incidentes envolvendo os entregadores parceiros”. A empresa ressaltou que investiga todas as reclamações de comportamentos antiéticos de qualquer uma das partes, tomando medidas cabíveis conforme os termos e condições e políticas internas da plataforma.


Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/app-registra-5-casos-de-violencia-por-dia-contra-entregadores.

Divulgação / iFood — Foto: Metrópoles
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