Após terremoto, moradores na Colômbia reviram escombros em busca de metal para vender
Dois homens observam um pequeno prédio quase todo destruído. Um deles, Antoni David, 26, entra no local. Algum tempo depois, o outro faz o mesmo, usando um capacete de moto como forma de proteção. Do lado de fora, outro homem se espreme entre destroços e uma placa de concreto caída; tem, em mãos, um pequeno serrote. São catadores de escombros, alguns atrás de metais, outros, de objetos que possam ter valor. Leia mais (08/15/2026 - 23h00)

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Dois homens observam um pequeno prédio quase todo destruído. Um deles, Antoni David, 26, entra no local. Algum tempo depois, o outro faz o mesmo, usando um capacete de moto como forma de proteção. Do lado de fora, outro homem se espreme entre destroços e uma placa de concreto caída; tem, em mãos, um pequeno serrote. São catadores de escombros, alguns atrás de metais, outros, de objetos que possam ter valor.

No prédio em questão, o primeiro andar desapareceu. O piso do segundo foi projetado para frente e se arqueou; as bordas em contato com o chão formaram uma espécie de passagem triangular para o térreo. Há destroços em todo o entorno e dentro do edifício, que abrigava um comércio.
O homem de capacete sobe em uma pilastra caída com rachaduras, que sustentava o primeiro andar. Antoni sai com um macaco para motos e baterias.
Cenas semelhantes a essa e outras de homens arrastando metais se espalham por Pereira, na Colômbia , uma das cidades mais afetadas pelo forte terremoto que atingiu o país na última segunda-feira (10). Informações de sexta-feira (14) apontam 94 mortos somente na cidade e 140 mil afetados —cerca de 29% dos habitantes do município. A última atualização relativa ao país todo contabiliza 294 mortos e quase 4.000 feridos.

Em outro ponto de Pereira, na quarta-feira (12), enquanto uma operação de resgate ocorria em meio aos escombros de um prédio, dois homens separavam metais entre pedaços de concreto, móveis destruídos e roupas espalhadas pela rua.
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De tempos em tempos, um deles se juntava ao mutirão de pessoas que retirava escombros do ponto focal de ação onde resgatistas tentavam chegar a uma pessoa soterrada —que não foi salva.

A busca por metais que podem ser vendidos para reciclagem, como alumínio e fio de cobre, logicamente não é uma exclusividade dessa zona pós-terremoto; é realidade de outras grandes cidades latino-americanas.
O recuperação desses metais para reciclagem não era o trabalho anterior dos catadores com quem a Folha falou; mas tornou-se uma fonte de renda de emergência para quem perdeu tudo ou quase tudo.
Um deles, que procurava metais no prédio colapsado que inicia essa reportagem, diz que trabalhava com construções e que não podia ficar parado sem renda.

Enquanto isso, a ação de Antoni —que diz não saber reciclar— levou a um breve atrito com vizinhos ; o venezuelano que mora na Colômbia há 10 anos pedia uma espécie de prêmio pelo resgate dos itens de dentro do prédio. A vizinhança pegou de volta o macaco e Antoni levou as baterias —foi parado metros à frente por policiais de moto e, em seguida, um novo atrito se fez.
Nem todos os catadores vão tão longe para reciclar.
Yolian Fernando Vera, 38, um lavador de carros que viu parte de sua casa ruir e seu local de trabalho cair, diz que não se arrisca para chegar aos metais, coletando somente o que está disponível na rua. Também traça um limite ético e não busca fios de cobre nas construções.

Em um dia desse tipo de trabalho, em um cenário de cidade devastada, a Folha ouviu de dois catadores que era possível fazer de 12 mil a 15 mil pesos colombianos —faixa equivalente a R$ 20 e R$ 25 reais.
A situação aponta como, em desastres como o grande terremoto na Colômbia, situações de vulnerabilidade podem se intensificar rapidamente.
Além de tudo, a chance de reciclagem e de algum dinheiro proveniente só se concretiza com um comprador.

Neste sábado (15), Yolian carregava um saco de metais sem saber se conseguiria vendê-los em meio a uma área de Pereira bastante afetada pelo tremor. O lavador de carros diz que andou com a carga levada desde o aeroporto da cidade, agora fechado e severamente destruído pelo terremoto, até o local da venda —um trajeto direto de quase 6 km.
Depois de Yolian, outro homem com metais seguiu na mesma direção. Um terceiro se deslocou para o mesmo local arrastando um amontoado metálico com auxílio de uma prancha improvisada.
Alguns minutos depois, Yolian percorre o caminho de volta. Mostra quanto rendeu os cinco quilos de metal que levava nas costas. Dois mil pesos, ou cerca de R$ 3.

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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/apos-terremoto-moradores-na-colombia-reviram-escombros-em-busca-de-metal-para-vender.shtml.

O lavador de carros Yolian Fernando Vera, 38, em Pereira, na Colômbia, que viu parte de sua casa ruir e seu local de trabalho cair; ele tenta conseguir uma renda emergencial vendendo metais catados dos escombros após o terremoto - Phillippe — Foto: Folha de S.Paulo
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