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    Após terremoto, Colômbia só aceitou socorristas de países governados pela direita

    Gestão Espriella afirma ter seguido critérios técnicos ao aprovar ajuda de Israel, El Salvador, EUA e Equador

    UOL
    13 de agosto de 2026 às 20:00
    Após terremoto, Colômbia só aceitou socorristas de países governados pela direita
    Quatro membros da equipe de resgate da polícia, usando uniformes pretos com faixas amarelas e capacetes, trabalham sobre escombros de concreto e tijolos sob céu claro. Um saco branco de 25 kg está próximo, e um homem com capacete branco e m — Foto: UOL

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    O governo do recém-empossado presidente da Colômbia , Abelardo de la Espriella , autorizou a atuação de equipes estrangeiras de busca e resgate de apenas quatro países após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país na segunda-feira (10): Estados Unidos , Israel , Equador e El Salvador .

    Equipes de resgate procuram por sobreviventes entre escombros de um edifício em Cali, na Colômbia - Sergio Acero - 13.ago.26/Reuters · Sergio Acero - 13.ago.26/Reuters
    Equipes de resgate procuram por sobreviventes entre escombros de um edifício em Cali, na Colômbia - Sergio Acero - 13.ago.26/Reuters · Sergio Acero - 13.ago.26/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os quatro países têm líderes alinhados ideologicamente ao ultradireitista colombiano, embora Bogotá negue que a escolha tenha sido feita por viés político. A decisão foi anunciada mais de dois dias depois do tremor, quando as operações se aproximam do fim da "janela crítica" de 72 horas —período apontado como o mais importante para o resgate de sobreviventes com vida sob os escombros.

    A decisão ocorre também depois de o governo colombiano ter sido criticado pela demora em aceitar equipes internacionais. Ao explicar a decisão de só aceitar ajuda dos quatro países nas buscas, o diretor da Unidade Nacional de Gestão de Riscos e Desastres (UNGRD), David Tamayo, afirmou que os socorristas cumprem "protocolos internacionais" e que devem atuar junto de equipes colombianas .

    Na mesma conversa com jornalistas, o chanceler colombiano, Omar Bula, afirmou que o governo considerou apenas a capacidade técnica e a certificação internacional das equipes . "Não excluímos absolutamente nenhum país. Em relação às ofertas que nos foram feitas, trabalhamos com países sem qualquer consideração ideológica ou política", afirmou o ministro.

    Terremoto atinge Colômbia e causa destruição
    Terremoto atinge Colômbia e causa destruição — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Segundo Tamayo, foram escolhidos grupos "totalmente autônomos, [que] não vão demandar recursos adicionais das administrações municipais". Autoridades brasileiras ouvidas sob reserva pela Folha dizem que, sempre que o Brasil envia socorristas a outros países, as equipes são autônomas e não demandam apoio de governos locais, que muitas vezes não têm capacidade para tanto logo após um desastre natural.

    A presidente do México , Claudia Sheinbaum , também afirmou nesta quinta-feira (13) que a Cidade do México não conseguiu enviar suas brigadas militares de resgate devido a entraves burocráticos impostos por Bogotá. Segundo ela, a Colômbia solicitou uma certificação adicional para autorizar a entrada das equipes.

    "[O governo Espriella] pediu uma certificação. [Os socorristas mexicanos] são certificados, mas agora estão pedindo outra certificação", disse Sheinbaum. Diante disso, o México decidiu enviar suprimentos e medicamentos. As equipes mexicanas têm vasta experiência e atuaram, por exemplo, nas operações de resgate após os terremotos que atingiram a Venezuela em julho .

    Folha vai a La Guaira, zona de desastre após terremotos na Venezuela
    Folha vai a La Guaira, zona de desastre após terremotos na Venezuela — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Chile , Argentina , Brasil e Espanha também estão entre os países que colocaram equipes à disposição do governo colombiano.

    A demora na definição da ajuda internacional ocorreu em meio a uma resposta desorganizada do novo governo. Países de diferentes espectros políticos ofereceram equipes e recursos, mas Bogotá demorou a estabelecer como essas ofertas seriam coordenadas. A situação chegou a provocar cobranças públicas, como a do embaixador chinês, Zhu Jingyang, que pediu ao governo colombiano que indicasse um responsável para centralizar a assistência internacional.

    Espriella foi empossado como chefe do Executivo na sexta-feira (7) . Ele é um dos novos nomes da onda de direita na América Latina que chegaram ao poder em parte graças ao apoio do presidente dos EUA, Donald Trump . Esta é a primeira vez que Espriella, que construiu sua imagem pública em torno de seu sucesso financeiro, exercerá um cargo público.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Durante a campanha, o advogado adotou a camisa da seleção como símbolo para compor o seu discurso nacionalista e prometeu linha dura na segurança pública. No campo da diplomacia, Espriella anunciou que a Colômbia voltará a manter relações diplomáticas plenas com Israel após elas terem sido rompidas na gestão do antecessor, o esquerdista Gustavo Petro .

    A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) prepara o envio de ajuda humanitária para a Colômbia após o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversar por telefone com o chanceler colombiano na quarta (12).

    Segundo membros do Itamaraty ouvidos pela reportagem que acompanham as tratativas, o envio dos insumos é definido de acordo com as necessidades apresentadas pelo governo colombiano. Por ora, ficou acertado que o Brasil fornecerá medicamentos, purificadores de água e alimentos, sobretudo produtos desidratados e arroz.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Segundo o Itamaraty, a Colômbia não solicitou ao Brasil o envio de equipes de busca e resgate, apesar de o governo brasileiro ter oferecido esse tipo de ajuda em suas manifestações diplomáticas após a tragédia. A assistência de Brasília, portanto, está sendo estruturada como ajuda humanitária.

    A intenção do governo brasileiro é que a ajuda seja enviada o mais rápido possível. Ainda não está definido se os produtos serão transportados em um voo da Força Aérea Brasileira ou em um avião comercial.

    O terremoto que atingiu a Colômbia matou ao menos 273 pessoas , segundo o boletim mais atualizado divulgado pelas autoridades nesta quinta. Outras 377 estão desaparecidas. As operações de busca continuam em cidades como Cali, uma das maiores do país, e Pereira, localizada na zona cafeeira, em meio ao risco de novos desabamentos.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/apos-terremoto-colombia-so-aceitou-socorristas-de-paises-governados-pela-direita.shtml.

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